Cruzeiro azul

Mavi Boncuk - nosso barco por qutro dias
Mavi Boncuk – nosso barco por qutro dias

Depois de outra viagem, não tão confortável, de 11 horas chegamos a Antalya e depois a Olympos. No ônibus de Istambul para a Capadócia e no da Capadócia para Antalya havia crianças, inclusive de colo, e tivemos uma viagem tranquila. As crianças turcas parecem que são mais educadas. Nada de ficar correndo pra lá e pra cá, nada de gritar, chorar. Comportadíssimas.

Olympos é uma cidade para descansar. Só existem os hotéis, hordas de turistas alemães e russos, esportes radicais (alpinismo, rafting, canoagem), praia de pedras e um museu a céu aberto com ruínas romanas. Como o museu fica junto com a praia, você tem que pagar US$ 2,5 para entrar.  Não vale a pena, nem pela praia e nem pelo museu. Só entramos porque o hotel deu o ticket grátis. A praia é toda de pedras e é impossível caminhar: ou dói os pés ou dói a perna. O museu não é bem conservado. Lugar tranquilo, foi bom porque andamos bastante pela praia e o museu, jantamos no hotel (estava incluído no preço) e fomos dormir cedo para descansar. O hotel é um hotel bom, rústico, alguns quartos primitivos (em cima da árvore e sem banheiro ou armário) e apropriados para quem fica lá bastante tempo. Como a cidade é pequena e não tem caixas eletrônicos ou lavanderia, na varanda dos quartos tem varal e pregadores. Achamos um lugar no mundo onde não tem brasileiros. Pelo menos não encontramos nenhum por aqui.

O café da manhã do hotel foi muito diferente. Kahvalti, café da manha em turco consiste em geleia de rosas maravilhosa, manteiga de gergelim deliciosa, mas estranhamente eles tinham berinjela frita, batata frita e salada – rúcula e salsa. E sempre tomate, pepino e ovo cozido. E esse sinal nos fez rir muito.

Quinze dias na estrada e vamos fazer um cruzeiro. Mochileiro e cruzeiros não ocupam a mesma frase, mas como estamos em férias podemos nos dar ao luxo. Alguém nos apanhou no hotel, depois de alguns 40 minutos chegamos ao porto de Andriake. O veleiro  chama-se Mavi Boncuk (que acho que é boa sorte): www.maviboncuk_yatching.com.  Nosso capitão Mustafa, estudado e formado  e com 18 anos de experiência pilotando um barco de alguns milhões de liras. Como ajudantes: Volkan e  Tolga dois turcos muito bonitos, excelentes cozinheiros e que cumprem todas as outras funções do barco: atracar, levar a gente no rafting até as praias, mostrar as paisagens.
Um veleiro grande, tipo gullet, com capacidade para 17 pessoas, quartos com banheiro e muito mais espaço que o hotel de Londres com direito a café da manhã, almoço, chá da tarde e jantar. Senhor, quanta mordomia. Mesmo porque, como é baixa temporada, estamos apenas em quatro. Primeiro dia foi relaxante: nadar no Mediterrâneo, comer, andar em uma ilha deserta, nadar um pouco mais.
Por companhia temos um casal de Londres: Scott  e Sarah. Graças a Deus um casal normal, alegre e bem humorado (apesar de britânicos) porque passar quatro dias com gente chata ia ser complicado. Mesmo porque não tem TV no barco e só nos resta ler e conversar depois dos passeios. Eles são tudo menos britânicos, alegres, divertidos e com o mesmo horário que a gente. Dormir na hora certa, acordar na hora certa.
Saímos do porto de Andriake, fomos até Simena (uma praia cheia de cabras e ruínas). e ver a cidade submersa de Kekova. Paramos na baia de Gokkaya para nadar e mergulhar. Segundo dia navegar até Kas uma cidade muito gracinha na beira do Mediterrâneo. Choveu tanto que não tiramos fotos. E assim foi o dia todo, mar encapelado, barco chacoalhando, chuva e nada de mergulhar ou bronzear.  De Kas até Kalkam e parada para o chá da tarde e dormir.
Depois do café saímos para o Vale das Borboletas (uma armadilha, pagamos US$ 2,5 cada para entrar e não vimos sequer uma borboleta). Do vale para a Lagoa Azul – Oludeniz. Uma baía de águas claras e calmas. Como  o sol voltou, podemos mergulhar, tomar sol, dormir ao sol, mergulhar mais. Dia impecável.  Atracamos na ilha de St. Nicholas (dizem que foi aqui que nasceu o Papai Noel) para nadar e passar a noite. Todo esse percurso é no que chamam de Costa Turquesa da Turquia e acompanha o Lycian Way – considerada uma das 10 melhores rotas de caminhada do mundo. Cheio de ruínas.

E com o tempo nos acostumamos a ouvir o sino de chamado para o café da manhã, almoço, chá da tarde e jantar que o Tolga tocava. Adestrou-nos direitinho. Era tocar e a gente correr para a mesa. O que eu não me acostumei foi comer berinjela todo dia em todas as refeições. Povo louco por berinjela. Tadinho do Carlos que arrepia até de ver.
Nosso cruzeiro acabou em Fethiye uma agradável cidade costeira. Linda, graciosa, cheia de lojinhas e coisas bonitas. Muito turística mas com poucas atrações históricas. Um teatro romano fechado para reformas e essas tumbas da foto.

Tumbas de Amyntas em Fethiye
Tumbas de Amyntas em Fethiye

Perrengue: A segunda noite no barco, depois de um dia horrível com chuva e vento tivemos uma noite ainda pior. Tempestade a noite toda, relâmpagos, trovões e o barco atracado chacoalhando loucamente. Acordei meia noite com todo o movimento e ruído e fiquei acordada até às duas da manhã morta de medo. Já fiz três cruzeiros mas no barco menor a impressão é pior. Lá pelas duas fui vencida pelo cansaço ou porque a tempestade melhorou um pouco.

No último dia da viagem de barco, serviram peixe que eles disseram ter pescado. Eu não comi. O Carlos comeu e sofreu as consequências. Creio que pegou algo tipo rotavírus e sofreu por dois dias. Não é nada legal você estar passeando, viajando de ônibus (de 4 a 12 horas seguidas) com piriri. Depois de proibir o paciente de comer (justo no dia com o melhor café da manhã), dar Floratil para recompor o estrago fui à farmácia procurar Imosec. Escrevi o nome do remédio em um papel, o farmacêutico procurou na internet, descobriu o princípio ativo e deu o correspondente turco para o remédio. Que maravilha internet e mundo globalizado.

6 comentários sobre “Cruzeiro azul

  1. Anônimo

    Hello…passei por aqui aqui hj…estou adorando td…as fotos estão muito bacanas!!! bjs p vcs Valéria Baptista

  2. Anônimo

    Olá vania!!! que fotos e lugares legais hein?!! Adorei!!!!
    um grande abraço pra vocês e ótimos passeios…
    Reginaldo

  3. Wilde A Campos

    Como é possível vivenciar um cruzeiro com somente 4 pessoas – parece coisa de milionário – e em lugares tão lindos? O barco pode balançar mais, mas é lindo e o mar é indescritível, sem comentar a tripulação. Qq perrengue vale a pena.

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