Amã – o grande perrengue

Teatro romano visto do Castelo de Amã (Citadel)
Teatro romano visto do Castelo de Amã (Citadel)

Estávamos tão bem na Turquia, quem será que inventou a Jordânia.  Outro povo, outra cultural, outro dinheiro e tudo bem pior. Até para nós brasileiros a Jordânia está sendo um choque. Nunca tivemos tantos problemas em um país, a maioria com o transporte. Parece que a única finalidade da vida deles é enganar os turistas, isso num país em que as mulheres usam burka preta com luva preta e que se diz tão religioso é de se estranhar. Não é lugar para turismo e muito menos para mulheres sozinhas.

E depois de um vôo de 2 horas, que saiu atrasado, pela Royal Jordania chegamos em Amã. Calor, muitas mulheres de burka. Na imigração paramos mais do que o necessário, fizeram várias perguntas para mim. Desconfio que é porque eu e Carlos não temos o mesmo nome. Perguntaram várias vezes meu nome, um por um e finalmente deixaram passar. Isso porque a gente já tinha o visto. Na esteira de bagagens mais problemas. A do Carlos veio e a minha sumiu. Acabaram todas as bagagens e nada da minha. Olha o que aconteceu:

Security check na bagagem. Devem ser os sabonetinhos dos hotéis que levantaram suspeita
Security check na bagagem. Devem ser os sabonetinhos dos hotéis que levantaram suspeita

Voamos de Istambul pela Royal Jordanian num Embraer 195. Serviço muito bom. Para duas horas de voo tivemos até almoço e muito gostoso, comida de verdade: arroz, frango com legumes e salada. Chegamos ao aeroporto Queen Alia. Tínhamos a informação que havia um ônibus que levava até a estação de ônibus em Amam já que o aeroporto fica a 45 minutos da cidade. Como chegamos da Turquia, foi desembarque doméstico no Terminal 1 onde não tem nada. Andamos até o terminal 2 onde havia uma balcão de informações que nos informou tudo e ainda ligou para o hotel para ver  se havia vaga. Tomamos o ônibus por US$ 4,5 (3 JD).  O dinar jordaniano está valendo 1,14 euros.  Chegando à estação Tabarbour já começou o achaque. Fica um monte de motoristas de táxi se oferecendo para levar você até o centro transporte, mas pelo dobro do preço certo e sem taxímetro. E você não tem saída, é noite, você cheio de mochilas, todos falando um idioma incompreensível e as placas todas em árabe.
Chegamos ao hotel que era correto e com bom preço. E já saímos para andar. Para você ficar perto das atrações turísticas tem que ficar no centro da cidade. Que horror, cidade suja, todos jogam lixo na rua na maior cara de pau, lojinha atrás de lojinha e muitos becos.  As lanchonetes são sempre de uma porta e parecem meio suspeitas. Vi um homem na rua carregando um monte de pães pita. Perguntei onde ele havia comprado. Fomos até a padaria. Num beco horrível, duas portas, fomos atendidos por um egípcio. Com a mão que ele pegava o pão ele recebia o dinheiro contava e dava o troco. Fazer o que, benzi os pães e até agora não sofri nenhum efeito. Tudo é feito com as mãos sem proteção e não tem caixa. São assim tipo umas vendinhas.
No dia seguinte decidimos ir conhecer a cidade e ver as atrações turísticas de Amã. Porque era sexta-feira e para eles sexta é domingo. Pegamos três mapas diferentes e descobrimos que eles ainda não aprenderam a fazer mapa. Nenhum certo. E todos feitos pelo governo. E pior, o nome que eles colocam no mapa (em inglês) não chega nem perto do nome que a população usa. E os jordanianos não falam inglês. Ai o problema está criado. Dois quilômetros depois e descobrimos que estávamos indo para o lado errado. Pior, a cidade foi construída em sete colinas então é sobe e desce e para ir de um lugar ao outro você precisa ir por essas escadas da foto que você deve confiar que vão sair em algum lugar.

Escadaria em Amã. Do hotel para a Citadela.
Escadaria em Amã. Do hotel para a Citadela.

Bom é que não tem motos ou se tem são poucas. Eles dirigem como loucos. Buzinam o tempo todo, ora para que alguém saia da frente ora para chamar a sua atenção (os táxis).
Conseguimos finalmente chegar ao Castelo de Amã, ou Citadela,  ruínas romanas, bizantinas e dos princípios do Islã. É bom começar a visita por aí porque fica no ponto mais alto da cidade e foi ótimo porque nos localizamos. De lá dá para ver o teatro romano e deu para ver a Maratona Internacional de Amã. Pelo menos depois de tanto andar valeu a pena. O teatro romano é do século 2 DC e te 33 filas com capacidade para 6000 pessoas. Hoje em dia é usado para shows e danças.

Muitas escadinhas depois e chegamos ao Teatro Romano onde estava acontecendo a Maratona. Encontrei esses corredores muito simpáticos que me emprestaram a medalha para tirar foto com a. Fizemos a farra. Também ganhamos um monte de garrafinhas d´água. Calor de 35 graus foi muito bom.

Do teatro fomos até a Grande Mesquita Husseini, em estilo otomano, mas não se pode entrar. Encerramos o dia cansados de tanto andar e de tanto tentar chegar em algum lugar e ouvir a única coisa que eles sabem falar em inglês: Hello, where are you from? Te olham e lá vem a pergunta. Depois de umas 30 vezes você começa a dizer que veio do inferno. Passamos na nossa padaria sujinha e dormir.

Olhe meu querido padeiro egipcio.

Padaria que frequentamos diariamente. Sujinha mas legal. Padeiro egípcio
Padaria que frequentamos diariamente. Sujinha mas legal. Padeiro egípcio

Norte da Jordânia – Umm Qays, Ajlun, Jerash

No segundo dia decidimos fazer um tour oferecido pelo hotel e ir para o norte da Jordânia. Nesse tour fomos perguntado coisas para o guia e descobrimos que eles não tem petróleo aqui mas ainda assim custa mais barato que no Brasil. Gasolina de alta qualidade a US$ 1 o litro. A região norte onde estávamos produz azeite de oliva (e apenas isso) de excelente qualidade. Mesmo porque as oliveiras parecem que são cactos – crescem em terreno seco e sem água. Descobrimos que o alfabeto deles tem 28 letras, mas cada letra tem 3 modos diferentes de serem escritas e que a maioria deles é descendente de palestinos ou são palestinos. Quando as mulheres usam burcas fechadas é porque são sunitas. E nas cidades menores tem muitas. Também descobrimos porque todas as casas têm tetos retos. É para fazer puxadinho. Conforme a família vai crescendo eles vão subindo as casas por isso elas nunca parecem acabadas.

Fomos com uma turma ótima. Duas chinesas de Taiwan e um malaio.

Cristine, Alice, Francis, Carlos e eu
Cristine, Alice, Francis, Carlos e eu

Umm Qays tem ruínas romanas e é a fronteira com Israel e Síria. Ficamos a cinco minutos da fronteira com a Síria. Vimos até as placas e o posto de controle. É muito estranho saber que em cinco minutos você entra em uma guerra civil. E do lado de cá tudo é paz e turismo.

Dali fomos para Ajlun que tem apenas um castelo medieval, mas muito bem conservado e muito interessante. Disfarçamos bastante e conseguimos fotos das sunitas (essas de preto que se cobrem toda) e dos muçulmanos.

De Ajlun para Jerash onde tivemos a maior surpresa. Depois de Pompéia, Hierópolis e Éfeso achamos que não existiriam mais ruínas romanas para chamar atenção. Errado. E mais estranho ainda que todo mundo fale em Petra, mas ninguém fale sobre Jerash. E o local é lindo. É um dos maiores sítios de arquitetura romana do primeiro século e um dos mais preservados. E fica a apenas uma hora de Amã.

À noite chegamos cansados, passamos na nossa padaria sujinha e fomos fazer lanche. Aí encontramos uma chinesa de Taiwan  Barbara Chen, super simpática que nos deu muitas dicas e respondeu muitas perguntas sobre o país dela. Mas a informação mais chocante é que eles só têm direito a sete dias de férias por ano.

Nós com Barbara
Nós com Barbara

Terceiro dia não conseguimos ir para Petra e fomos dar outras voltas na cidade. Primeiro sacar dinheiro na ATM (primeira vez na vida que Carlos fez isso com cartão de débito). Depois o centro e as lojas e a tarde fomos ao City Mall, maior shopping da cidade. Pelas andanças vimos coisas diferentes. O shopping é igual a todos, tudo escrito em inglês, todas as lojas chics. Poucas coisas locais. As  lojas ficam sempre abertas até tarde e depois das 18:00 se enchem de mulheres comprando. Enchem mesmo. E tem lojinhas de perfumes, creio que eles fazem na hora, a cada meio metro. São inúmeros vidros acho que com as essências genéricas. Também continuamos descobrindo que viver no Brasil está muito caro. Um tênis Nike aqui, último modelo custa R$ 150. Não é de chorar?

5 comentários sobre “Amã – o grande perrengue

    1. vcteixeira

      Não é nada bom. Aqui depende da região do país. Se você está mais ao sul é burca e ponto. Na capital é mais tranquilo. Mas no mínimo lenço. Em Aqaba nem biquini você pode usar na praia pública. Não pode olhar direto para os homens e em alguns casos nem falar com eles. Tudo de bom, né?

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