Mumbai

Carlos em frente ao Gate Way of India
Carlos em frente ao Gate Way of India

Depois de muito trabalho para pegar um táxi que cobrasse o valor certo, pegar o ônibus até o aeroporto, passarmos em três checagens de bagagem, três revistas de corpo inteiro (todas as mulheres passam) saímos com uma hora e meia de atraso para Mumbai. O horário de verão ia entrar no dia 28.10, mas o rei da Jordânia decidiu suspender então os voos ficaram bagunçados. Royal Jordanian novamente, jantar bom, mas voo muito ruim. Avião muito apertado e quente. Chegamos às 05h00min horário local (mais 2:30 de fuso em cima daquelas cinco que já tínhamos) quebrados e com sono.
Imigração – fila a perder de vista. A maioria homens e aquele cheiro de indiano. Saímos, pegamos a bagagem e fomos para as informações turísticas (isso é assim em todas as nossas chegadas). ). Fomos muito bem atendidos, o atendente até ligou para o nosso hotel para verificar vagas.Surpresa: os dois caixas eletrônicos para podermos tirar dinheiro para pagar hotel, água e outros quetais estavam quebrados. Outros só fora do aeroporto. Nós temos dólares e euros para trocar nessas emergências e tivemos que encarar aquelas taxas horríveis de câmbio dos aeroportos. Na chegada, tem um guichê de táxi pré-pago de forma que você não será achacado pelos taxistas. Assim fizemos e ele nos deixou no hotel direitinho. Parou três vezes para perguntar, mas acertou tudo. O hotel é simples, legal. A região é ponto turístico, mas não é nem explicável as condições do lugar mesmo sendo turístico. A impressão que eu tenho é o que eu imagino de Cuba. Tudo foi muito lindo um dia mas aí acabou o dinheiro e eles pararam de dar manutenção então tudo fica sujo e feio. Cada cidade tem um cheiro: a Turquia cheira temperos, a Jordânia cheira cardamomo e a Índia cheira lixo com incenso.
Dormimos até o meio dia e fomos enfrentar a cidade. Depois de muito andar no meio de tantas pessoas (apenas alguns 4 pedintes) chegamos no nosso lugar favorito:

Carlos no McDonalds de Mumbai
Carlos no McDonalds de Mumbai

Mas nem o McDonalds tem salvação na Índia. Eu tomei um sorvete porque venho doente do estômago desde Amã quando resolvi comer em um restaurante típico local. O Carlos comeu o McChicken Meal . Três ruas depois ele começou a suar frio e parou. Correu para um hotel, pediu para usar o toalete e voltou meia hora depois um pouco mais corado. Vai ser difícil.
Descobrimos porque todos os hotéis tem Doctor on call (médico atendendo no hotel). Isso é até mais importante que ter água quente e banheiro. E no nosso hotel tinha uma farmácia com todos os tipos de remédio para intoxicação e diarreia.
As ruas são cheias de gente, eu nunca vi tanta gente nem em São Paulo e parece que nós estamos sempre no contra fluxo. No entanto, em nenhum momento nos sentimos ameaçados ou com medo. Tem bastante gente pobre, dormindo na rua, mas o assédio não tem sido grande. A sensação de segurança é grande. Eles avisam que é para tomarmos cuidado com os batedores de carteira, mas não sentimos medo.
No segundo dia decidimos que sem um guia da cidade não conseguiríamos dar conta. Afinal Mumbai tem 15 milhões de habitantes, é maior que São Paulo e sem mapa não é possível. Foi nosso melhor investimento, daí para frente nos soltamos. Depois do impacto do primeiro dia, tudo ficou mais fácil. Continuamos estranhando muitas coisas: o trânsito é uma loucura, eles buzinam o tempo todo de uma maneira insuportável, não existem leis de trânsito, tem muitas avenidas e ninguém para nos faróis então você tem que ser meio ninja para atravessar uma rua. A boa coisa é que, ao contrário do Brasil, ninguém tenta jogar o carro em cima de você ou te matar. Com o tempo aprendemos que eles respeitam muito o turista. São meio grosseiros uns com os outros, mas a gente eles respeitam demais. Não esbarram, respondem todas as perguntas de forma correta, ensinam tudo detalhadamente. Depois da Turquia e da Jordânia até estranhamos não ver tanta gente fumando na Índia. Lá eram quase 8 de 10, aqui não vi ninguém fumando até agora. E casais são poucos, trocando carinho menos ainda. Talvez porque Mumbai é uma cidade que não pode parar.
Depois de comprado o mapa fomos para a Oficina de Turismo Central de Mumbai. Excelente atendimento, informações da Índia toda e muita simpatia. Mumbai tem muitos prédios históricos (herança dos tempos de dominação inglesa), mas é difícil tirar fotos com tanta gente e tanto carro e tanta buzina. Como eles não tem nenhuma lei de trânsito, buzinam para tudo mas jamais tentam te matar. Buzinam para avisar que você tem que sair da faixa mesmo o farol estando vermelho. As buzinas são enlouquecedoras.
De lá fomos caminhar até a praia. A noite é linda toda iluminada, mas de dia dá pena. E o mar é ácido. Se você cair nele não sobra nem os ossinhos.

Como andamos muito, resolvemos voltar de trem. Surpresas: tem vagões só para as mulheres (mas mulheres podem ir ao dos homens é apenas para irem mais confortavelmente), você paga por trecho (nós pagamos 4 rúpias – US$ 0,08) e é barato e fora do horário de rush é muito bom e não tem fiscalização nenhuma (pelo menos não vimos) ou seja, paga quem quer.

Ainda bem que existe o trem porque os ônibus são de chorar. Como eu disse, a Índia parece o Brasil 20 anos atrás. Os carros estão sempre velhinhos inclusive os táxis porque além de serem baratos não devem ter subsídio.

No terceiro dia fomos até Elephanta Islands para ver as cavernas de Shiva. Para chegar lá demora uma hora em barco saindo do Gate Way of India. É um passeio muito bom, a caverna e as estátuas foram escavadas nas rochas antes dos portugueses e antes de muitas coisas 6 séculos AD. E descobrimos porque a vaca é sagrada na Índia: porque é o transporte de Shiva. Shiva um Deus com os dois sexos e que simboliza a dualidade do ser humano.

E qual não é nossa surpresa em encontrar uma excursão de brasileiras indo para as cavernas. Todas simpáticas e muito bem dispostas. E o guia falando em espanhol excelente.

À tarde fomos conhecer o Crawford Market. Fui uma das coisas mais loucas que já fizemos. Para chegar lá atravessamos avenidas perigosas de atravessar, corremos no meio dos carros, mas o mercado vale ser visto. É um emaranhado de gente, sujeira, lojas de todos os tipos e com todos os produtos. É como se fosse uma Santa Ifigênia, Consolação, Mercadão e 25 de Março tudo junto. Infelizmente os preços não são melhores do que as lojas da cidade. Não conseguimos ver tudo, mas creio que são umas 30 ruas.

Nesse ponto já estamos entendendo tudo da cidade. Descobrimos um supermercado que vende coisas ocidentais onde compramos água, pão de grãos, atum em lata, tomate, leite, etc. Finalmente podemos comer razoável e sem medo. E Yakult para criar resistência. E cerveja para relaxar. Também compramos sabão para lavar a roupa. Fui ajudada por uma indiana muito gracinha que me explicou tudo e apontou o melhor sabão. Bom mesmo, a roupa fica branquinha.
Última dia em Mumbai (por hora por que o nosso voo sai daqui) decidimos ir conhecer o Dhobi Ghat. Na época do império inglês, os indianos lavavam as roupas dos ingleses nessas lavanderias imensas. Hoje em dia ainda funciona, virou ponto turístico e é uma herança passada de pai para filho e muito estimado por eles. Ter uma pedra no Dhobi é um bem de grande valor.

E depois almoçar no Le Pain Quotidien (restaurante belga muito legal) para poder comer comida sem medo de passar mal. Estava uma delícia, pagamos US$ 25 para os dois com cerveja e só ficamos pasmos ao descobrir que em cima da conta tem 27% de imposto. Isso é o normal. Imposto sobre a bebida, sobre a comida, sobre o serviço e imposto geral. Eles explicaram que é assim mesmo que quando saem com a família é um prejuízo só por isso preferem comer comida de rua e de boteco.

Depois de pagar a conta Carlos decidiu só comer nesse restaurante daqui pra frente.
Depois de pagar a conta Carlos decidiu só comer nesse restaurante daqui pra frente.

Fomos então comprar a passagem para o dia seguinte na CST (Estação Ferroviária). Existe um guiche para turistas com atendimento excelente no primeiro andar do prédio (ar condicionado e cadeiras). Compramos, fomos verificar onde seria a plataforma para não ter surpresas, arrumar as mochilas e dormir. A saga continua em Goa.

5 comentários sobre “Mumbai

  1. Anônimo

    Vendo assim, descrita por vc, a Índia fica mais aceitável, com reservas, claro, muitas reservas, pq qdo um hotel tem médico e farmácia de plantão, é bom parar pra pensar. Bjs p/ os dois.

    1. vcteixeira

      Em cada país eu coloco as informações úteis e no final uma planilha com os gastos da viagem. Nem sempre estar atualizada diariamente por causa do tempo mas estou tentando.

      1. vcteixeira

        Atendendo seus pedidos alterei a página de Informações para Informações / Gastos e coloquei todas as planilhas lá. Qualquer dúvida, pergunte.

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