Goa – o descanso

Chegamos em Goa. Antiga colônia portuguesa dá para perceber.
Chegamos em Goa. Antiga colônia portuguesa dá para perceber.

Seis horas da manhã estamos na estação de trem para pegar o trem para Goa. Goa é o estado da Índia que tem as praias mais bonitas e estamos em busca de descanso. Compramos a passagem um dia antes no guichê especial para turistas com todo o cuidado que eles têm com o pessoal turista dando explicações detalhadas e com paciência. Todos diziam que comprar passagem aqui seria um problema mas em Mumbai não foi. Foi tudo perfeito.
Pegar o trem também foi fácil. Eles decidem a plataforma uns 20 minutos antes mas aparece em todos os painéis, vem escrito no trem e fica um luminoso a cada metro com o número do trem e o nome do vagão. Só erra quem quer. Tudo escrito em inglês e hindu. Além disso, na porta de cada vagão eles colocam o manifesto com o nome de todos os passageiros. É só conferir se você está lá.

O trem é velhinho, mas tem ar condicionado (coisa obrigatória nesse país dado o calor insano) e nós compramos 3C, ou seja, ar condicionado e 6 camas no compartimento. Existe dois tipos de banheiro no trem: western style (ocidental) com privada normal e indian style (com buraco no chão) mas nenhum dos dois com papel higiênico. Eu levei o meu porque estava com medo de precisar em algum lugar. Diga-se de passagem que desde o início da viagem nunca pegamos papel higiênico ruim, quando tem é sempre folha dupla e bom.  Começamos a viagem bem, não tinha ninguém no nosso cafofo, mas passado uma hora chegaram dois indianos. Muito simpáticos, falantes e bem instruídos. A cada cinco minutos passa algum tipo de comida no trem e eles pegavam várias. Tudo pago mas bem baratinho. Os nossos vizinhos nos disseram que a comida no trem é muito higiênica porque passa no controle de qualidade sanitário quando é feita. Mas se vocês vissem o uniforme e as situações de limpeza dos vendedores perderiam a vontade de comer como eu perdi. A comida pode ser limpa, mas e o resto?

Ainda bem que obriguei o Carlos a comprar biscoito e batata frita para encarar às 12 horas de viagem. Mas para vocês se divertirem listo alguma das comidas que ofereceram:
– café ou chá ambos com leite
– pakora
– sopa de frango
– samosas
– dosa (tipo uma tapioca de grãos)
Mais umas três coisas que não entendi e tem almoço às 13h00min com umas seis opções diferentes. Isso só daqui a um tempo. Mas no trem não tem papel higiênico. Eu levei um rolinho (aqui é sempre rolinho, parece que a metragem é menor).

Rolinhos de papel higiênico pequenos
Rolinhos de papel higiênico pequenos

Duas lições aprendidas logo no início da Índia: jamais confiar no horário dos trens deles. O trem saiu com meia hora de atraso e chegou com 02h30min de atraso. O que nos atrapalhou todo o planejamento. Chegamos às 22 na estação. Então, jamais chegar a algum lugar a noite. Tudo fechado e só achamos hotel porque fomos ajudados pelo motorista de táxi que parou em quatro hotéis até que achássemos um com vaga e preço bom. Como é final de semana (dia 02.11) fica mais difícil. Gracinha de taxista e essa é a experiência que estamos tendo na Índia com as pessoas. Estamos em Colva Beach. O Carlos que teve coragem de sair as 23 disse que tem uma vaca na frente do hotel. Vaca de verdade. Mas também tem um Subway.

Escolhemos Goa para descansar das férias por uns 15 dias e nos preparar para o resto da Índia. No começo a gente achava que Goa é uma cidade porque todo mundo fala para ir para Goa que tem praias. Com a pesquisa descobrimos que Goa é um estado que até 1961 era um país separado que pertenceu a Portugal por 451 anos e que os moradores tinham que mostrar passaporte para ir para a Índia. Fica no Mar da Arábia ou Arábico ou Mar de Omã. É um trecho de beleza natural, arquitetura diferente (tipicamente portuguesa), um pouco mais limpo e dizem que o povo é o mais estudado e desenvolvido. Nós achamos todos eles gente boa. Entre os 108 dialetos falados na Índia, eles falam konkani.
Como a chegada foi meio tumultuada fomos para Colva e ficamos lá por dois dias. Já no primeiro dia fomos andar na praia, conhecer tudo e andamos até a próxima praia – Benaulim – que fica a 2 km. Queríamos ver se a praia era melhor e se a gente achava um hotel mais barato.
Colva é uma praia muito frequentada pelos indianos então tem esportes de água, restaurantes, muita gente entrando no mar de roupa, poucas mulheres de biquini e muita sujeira porque os indianos não conhecem o conceito de colocar o lixo no lixo.

Ai, nós achamos esse paraíso em Benaulim: Royal Goan Beach Resort. Ficou mais barato que onde a gente estava em Colva e quando vi o lugar fiquei doida. É um apartamento completo com ar condicionado e duas varandas. O Resort tem piscina, o pessoal limpa todo dia e troca as toalhas (como estamos sempre em hostel isso é um luxo que a gente nunca tem, a maioria das vezes as toalhas são as nossas mesmo) e tem até uma tratoria para almoçar. Decidimos ficar 9 dias. Na verdade a gente queria ficar três semanas, mas 13.11 é Diwali ( Festival Indiano das Luzes) e eles vão emendar. Todos os hotéis estão cheios e mais caros. Ainda não decidimos o que faremos.

Depois de curtir a praia, a piscina, ver as indianas todas de roupa na beira da piscina só olhando, decidimos fazer um pouco de turismo e ir para a segunda maior cidade de Goa: Margao ou Madgaon (onde chegamos de trem). Que decepção. A cidade não tem nada e nos lembramos de como é a Índia porque aqui no resort você esquece onde está. Não ficamos nem três horas por lá e fomos caminhando até Colva para agendar um tour para o dia seguinte.

Decidimos fazer o tour pelo norte de Goa. Pena que o ônibus não tem ar condicionado. Foi um tour com uma sauna gratuita. Voltamos grudentos, suados e cansados. Vimos alguns lugares bonitos e muita arquitetura portuguesa. Nesse ponto parece até que estamos em cidades do interior do Brasil tão igualzinho que é. A influência portuguesa é grande.

Também fizemos o tour pelo sul de Goa. Dessa vez mais espertos: de biquini por baixo, levamos toalha e mais água. Mais a temperatura estava melhor em Goa. Para ver a descrição das fotos é só colocar em tela cheia e clicar o show info.

Com o tempo e a folga estamos descobrindo algumas coisas do típicas do país. Todos eles tiram os sapatos para entrar em casa ou nos templos. Agora sabemos por quê. As ruas são tão sujas, empoeiradas e com lixo que isso é o melhor a fazer. Tirando os restaurantes ocidentalizados ou para turistas, nenhum outro tem guardanapos, mas eles oferecem água cheirosa num potinho para lavar a mão no final da refeição. Nos restaurantes, mesmo os finos, quando eles terminam de comer a mesa e o chão ficam em petição de miséria. Parece aqueles botecos bem sujinhos do Brasil. Jogar o lixo no chão, na rua, na praia, etc para eles é sinônimo de importância. E eles adoram tirar foto com a gente, vivem pedindo. No começo a gente não aceitava por medo mas um indiano da excursão nos esclareceu que para eles é uma honra ter uma foto com um estrangeiro. Então topamos. As mulheres são muito vaidosas sempre bem penteadas, vestidas com sari e lenços (nesse calor) e muitas bijuterias. Pulseiras, às vezes, até o meio do braço e muito brilho, brincos, anéis, anéis nos pés e brincos no nariz (não é piercing). E depois de tanto tempo ainda existem castas na Índia de forma que algumas tarefas só certas castas podem fazer e você não consegue nunca sair da sua casta. Finalmente descobrimos porque eles sempre tem baldes no banheiro: para tomar banho e para usar como papel higiênico (me recuso a explicar como). Uma coisa que só vi em filmes e agora ao vivo: existem pessoas que limpam seus ouvidos. Estávamos na praia no bem bom e vimos quando uma dessas pessoas abordou um russo que concordou com a limpeza. É muito estranho e dadas as condições de higiene da Índia eu não permitiria nunca. E como os russos não falam inglês não foi possível perguntar sobre a experiência.Mas as fotos eu consegui.

6 comentários sobre “Goa – o descanso

  1. Oi Carlos e Vania, tudo bom? Achamos o blog de vcs buscando sobre Mumbai – e qual não foi a surpresa de ver que estão em uma volta ao mundo! Nós tb estamos e vamos para India dia 20/11 (Mumbai e tb pensando em ficar uns dias em Goa para nos organizarmos). Estamos na Africa agora e queria saber: é fácil achar internet wireless na India? Na Africa é impossível, mesmo em Capetown é ruim. E a praia de Benaulim, é bacana mesmo?
    De repente nos encontramos pela India, nossa ideia é fazer Mumbai/Goa/Delhi e Rajastão. Nosso blog é sotemaqui.wordpress.com
    mas não temos a disciplina e experiência de vcs para escrever….parabéns pelo blog e pela viagem.
    abraços

    1. vcteixeira

      Oi Ana & Ge, fiquei emocionada com o comentário de vocês. Um dos motivos de fazer esse blog foi para ajudar / encontrar mochileiros brasileiros. Obrigada pelos elogios. Na verdade temos para escrever porque planejamos uma viagem com menos paradas. Hoje, especialmente para vocês, eu subi as informações da Índia. Sairemos de Goa dia 23.11 e vamos para Delhi. Ficaremos na Índia 3 meses. De repente a gente se encontra mesmo. Goa foi um descanso e tanto, gostamos tanto que estendemos de 10 dias para 3 semanas. Agora respondendo: em Mumbai e aqui tivemos wi-fi nos hotéis e com facilidade e rapidez. Sem problemas. Benaulim tem as quatro coisas fundamentais para nós: ATM (na Índia só é possível sacar 10.000 rúpias – US$ 187 por vez), internet (qq que seja para atualizar a família), mercadinho para comprar víveres e água, transporte local (para não depender de táxi). Além disso tudo a praia é linda (não como as brasileiras) mas limpa, mar limpo, praia longa que dá para andar por horas ou andar de bicicleta e ir para as outras praias. As prais do sul são menos lotadas e são para os turistas (os indianos tomam banho de roupa). Seu blog também está ótimo: clean e eficiente. Peguei até algumas idéias. Qualquer dúvida, escreva aqui ou no face. Grandes abcs.

  2. Karina Baptistella

    Que delícia poder viajar na companhia de vocês, Vânia o seu cuidado em detalhar faz com que eu esteja ai. Curtam muito vocês merecem beijos

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