Délhi – a boa surpresa

Templo de Lotus ou Bahai´s House of Worship para os seguidores da fé Bahai
Templo de Lotus ou Bahai´s House of Worship para os seguidores da fé Bahai

Estando em Goa, decidimos ir para Delhi de avião. Achamos que 30 horas em um trem ia ser demais para nós. Na verdade o Carlos que desistiu. Eu iria. Preços muito próximos vamos no um pouco mais barato: GoAir. Antes de ir começamos nossa pesquisa do lugar para ficar (que chamamos fazer a lição de casa). Nós nunca reservamos hotel, mas sempre vamos com uns três ou quatro na manga porque temos que ter pelo menos uma direção para pegar o táxi ou o metro.
Já estamos na Índia desde 29/10 e ainda não tivemos muito contato com o povo local. Eles são muito gentis, mas não se misturam nem entre eles imagine com a gente. Acho que é respeito natural. Não tem aquela coisa de entrar no ônibus e ir mexendo e brincando com todo mundo que só brasileiro, povinho dado que é, tem. Então para suprir essa falha decidimos pedir um couch (dúvidas leia o post Couch Surfing na Preparação). E conseguimos.
Três checagens de segurança (uma para entrar no aeroporto, outra antes do checkin e a última para embarcar), aquela tradicional fila só para mulheres, uma hora e meia de atraso na saída e chegamos a Délhi. Não sem antes ter daquelas experiências que só se tem na Índia e que está lá nos perrengues. Pegamos um táxi pré-pago e lá fomos nós para a casa do nosso host – Ajat. O motorista não conseguiu achar o caminho, ligou para o Ajat que ficou on-line com ele explicando o caminho todo. Quanta paciência. Conseguimos chegar. Fomos recebidos como velhos amigos ou como pessoas da família, que gente ótima.
Com tanto atraso estávamos mortos de fome. Eles prepararam para nós um jantar típico deles: chapati (pão), dahl (lentilhas), grão de bico, batatas com legumes e arroz. Eles tentaram maneirar nos temperos e estava muito bom. No dia seguinte saímos para almoçar.

Passamos três noites na casa deles, duas das quais eles nos deixaram sozinhos na casa porque foram para o interior para um casamento na família. Deixaram a casa para nós. Nós sabemos que somos de confiança e deixamos a casa em ordem, mas eles só nos conheceram por um dia. Achamos fantástico. No segundo dia fomos para o centro da cidade procurar um hotel, achamos e no terceiro dia mudamos.
Aí fomos conhecer Délhi para achar as informações turísticas oficiais e um hotel. Primeiro o Escritório de Turismo que tentamos achar no dia anterior, que estava fechado porque era domingo e aí fomos pegos pelo farsante do metro (perrengue abaixo). Aqui em Délhi nos sentimos como Angelina e Brad Pitt. Todos nos olham fixamente, alguns pedem para tirar foto. As mulheres me olham mais ainda que os homens. Em Délhi tem muito mais mendigos e malandros, somos mais assediados. Só peço para estrangeiros tirar nossas fotos porque tenho medo de perder a câmera. Nas filas de metro é um horror, eles encostam um no outro, mas encostam mesmo, furam fila. Toda entrada de metro tem revista das bolsas e detector de metais para entrar então no horário de rush é um amontoado só, mas o metro é ótimo. É mais novo, mais bonito que o nosso. Todos os trens que pegamos até agora tem ar condicionado, mapas e até as barreiras são melhores. Eles também têm um tipo de bilhete único igual ao nosso em São Paulo e é ótimo (evita as filas do encosta encosta). Dentro do metro sempre tenho um show de civilidade, mas creio que eles tratam melhor os turistas do que uns aos outros. Sempre me dão lugar, nenhum homem encosta em mim, parece que estou na bolha, ninguém me empurra. Entre eles vejo que são mais brutos.


Achamos o hotel e mudamos no dia seguinte, marcamos a excursão para o próximo dia e lá fomos nós conhecer Délhi.

Délhi é uma cidade espalhada, arborizada e com calçadas. Bem mais limpa que Mumbai, mas muito mais poluída. No primeiro dia, quando lavei o rosto levei um susto. Sai um caldo preto de fuligem. Tem menos gente, menos buzinas, os motoqueiros andam de capacete e os carros param no farol vermelho e nós conseguimos atravessar.A cidade, chamada de Roma do Indostano, tem vários pontos turísticos famosos:

Qutub Minar – em arquitetura Afegã, é um minarete de 72.5 metros construído no século 12 pelo rei muçulmano Qutubu´d Din-Aibak e terminado por seus sucessores. É a maior torre da Índia e tem 5 andares diferentes. Na base tem uma mesquita por isso o minarete. Todo em pedra.

Red Fort – Do mesmo construtor do Taj Mahal em Agra, construído em 1639 quando a capital foi transferida de Agra para Délhi. A família real Mughal morou aqui e ele serviu de capital até 1857. É um lugar muito amplo, muito bonito e, por causa do material da construção, é vermelho. Dentro tem os lugares que o rei usava para dar audiências para o público em geral e lugares especiais para outros reis. Existe um setor refrigerado com água que era para as mulheres reais.

India Gate – Construído para honrar os 90.000 indianos mortos lutando na primeira guerra mundial. O nome de todos eles está inscrito nas paredes e fica uma chama acesa embaixo do arco guardada por soldados. Tem 42 metros de altura em estrutura livre.

Humayun´s Tomb – Do século 18, construído pela viúva de Humayun e considerado o protótipo do Taj Mahal. Do qual não temos fotos por absoluto pão durismo. Não quisemos pagar para ver.

Como Gandhi é reverenciado e chamado de o pai da nação porque foi o principal líder da independência indiana baseando-se tão somente na não violência e na liberdade, não poderíamos deixar de ir visitar os lugares de homenagem a ele. São museus e não se paga para entrar. É uma alegria estar no lugar onde viveu o homem que defendeu a igualdade dos indianos (que até hoje ainda tem o sistema de castas), o direito das mulheres e o fim da pobreza:
Rajghat – Lugar onde ele foi cremado em 1948 depois de ser assassinado por um hindu fanático. É um lugar muito bonito e cheio de paz.
Gandhi Smriti – o lugar sagrado onde Gandhi passou seus últimos 114 dias e onde foi assassinado. Tem o quarto onde ele dormia, o caminho (marcado por pegadas) que ele fazia até onde rezava e meditava e o lugar onde foi morto. Não dá para não se emocionar e sentir certa paz.

Bahai´s House of Worship – situado no topo de uma colina é conhecido também como o Templo de Lotus pelo seu formato de flor de lótus. É de tirar o fôlego de tão lindo e é visto de vários lugares da cidade. Feito em mármore branco tenta mostrar a pureza e igualdade de todas as religiões.


Também fomos conhecer um templo muito famoso e muito bonito. Lakshmi Narayan Temple, conhecido como Birla Mandir é um templo hindu grande, construído em 1938 e inaugurado por Mahatma Ghandi. Têm os dois deuses Lakshmi e Narayan, mas é frequentado por devotos de todas as fés.

Connaught Place, o lugar turístico de Délhi. É um círculo desenhado e construído pelos ingleses, bem mantido e com todas as lojas chics e ocidentais.

Akshardam Temple – perto do metro de mesmo nome esse templo magnífico ocupa 100 acres de terra. É bem cuidado, limpo, os jardins são magníficos e o templo é de tirar o folego. Eu jamais vi algo assim, cada centímetro quadrado é esculpido com 869 pavões ao todo, 149 elefantes em tamanho natural com expressões e posições diferentes, divindade, murtis, sadús em pedra rosa ou mármore. Tem 20 pináculos, 239 pilares escuolpidos e 20 domos. Dentro tem a representação do criador da religião em dourado. Como houve um atentado ao templo, dois atiradores entraram e mataram 36 pessoas ferindo mais 70, a segurança é enorme. Não podemos tirar fotos então essas fotos são as oficiais do site deles. É que não queria deixar de registrar.

Coisas típicas da Índia:

Tuk tuk, three wheelers ou riquixá. É uma moto montada para levar passageiros.
Tuk tuk, three wheelers ou riquixá. É uma moto montada para levar passageiros.

Chandini Chowk – mercado de Rua de Délhi onde encontramos de tudo: comida de rua, doces feitos na hora (fritos e vendidos), gatos de eletricidade horríveis, banheiros sem porta. Típico da Índia também são as comidas vegetarianas que vêm marcadas com o ponto verde, turistas fazendo hena nas mãos e muitas, muitas lojinhas feinhas e escuras, mas cheias de coisas maravilhosas artesanais ou eletrônicos. Esse mercado foi construído porque o imperador não queria suas mulheres pela cidade então elas faziam compras aí, perto do forte.

Perrengues:
1. Embarcamos em Goa cercados de policiais com fuzis e passando por um corredor polonês de indianos. Que aconteceu? Um avião que vinha de Bangalore e ia para Mumbai, da mesma companhia, atrasou mais de cinco horas. Então quando chegou nosso avião eles não deixaram a gente embarcar porque queriam que o avião fizesse o voo para eles. E aí nos atrasaram tudo. Só na Índia.
2. Depois de dois meses viajando, ficando cada dia mais esperto, sendo paulistanos de longa experiência e sendo o que os americanos chamam de “street smart” (safo) ainda assim caímos em um esquema em Délhi. Saímos do metro e fomos abordados por um indiano tentando nos ajudar. É claro, eles veem dois brancões com mapa na mão e é a chance. Disse que não era da rua, não queria vender nada estava apenas tentando ajudar e nos levou até o Escritório de Informações Turísticas Oficial do Governo da Índia. Pura mentira. Levou-nos até uma agência de turismo que nos tentou vender um super pacote. Até percebermos o que estava acontecendo já tinha ido meia hora do nosso tempo. Culpa minha que acreditei no rapaz mesmo sendo puxada pelo Carlos. Nada sério. Não fomos roubados nem nada, mas ficamos putos da vida. Com um ódio total. Vimos essas pessoas – que ficam pelas saídas do metro, andando de um lado para outro e sempre com celular na mão – fazendo isso com um sem número de turistas e alertamos todos antes de caírem.

5 comentários sobre “Délhi – a boa surpresa

  1. Pingback: Couch Surfing | Two backpackers

  2. Karina Baptistella

    O cardápio descrito me lembra o Gopalla, mas depois daquele dia fatídico que graças ao bom Deus você estava comigo tenho medo de me arriscar nas comidinhas ! Beijinhos

  3. Wilde A Campos

    Depois de todos os templos lindos que vimos nas tuas fotos da Índia, este em forma de flor de lótus foi uma visão maravilhosa. Demorei algum tempo admirando-o, atraída pela sua beleza incomum, antes de continuar lendo o blog e concordo com vc qdo diz: – Délhi, a boa surpresa. Ajat e Jyoti, lindo casal e Mili, um encanto, além de boa cabeleireira.

  4. Fernando

    nao se surprrenda com o tratamento entre eles pois a India é considerada o quarto pior Pais do mundo para as mulheres morarem….

  5. Célia

    Oi Vânia, que viagem incrível. Estou revivendo a minha viagem para a India, não com detalhes tão surpreendentes, como se hospedar com uma familia. Bjs

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