Mandawa – galeria antiga

Haveli
Haveli

Ficamos cinco dias em Délhi. Três pelo turismo e os outros procurando um passeio pelo Rajastão. O Rajastão é o que há de mais típico da Índia e fica no roteiro turístico de todos. Como é muito turístico ninguém recomenda ir sozinho como mochileiro e parando de cidade em cidade. Primeiro porque os hotéis ficam mais caros, nós estamos na alta temporada e somos alvos fáceis para os golpes. Aconselhados pelo Escritório de Turismo do Governo e baseados na experiência do Oswaldo e da Stella (blogs que sigo) e da Cássia e do Danilo (conto a história no final) decidimos pagar um carro com motorista que nos dirigisse por todas as cidades até Agra. É um luxo.

Tudo acertado, pago e combinado, sábado de manhã, horário combinado chega nosso motorista Ikram num carrinho fofo, vintage chamado Ambassador.

Nosso carro por 16 dias com o motorista limpando.
Nosso carro por 16 dias com o motorista limpando.

Não estamos acostumados com isso, mas ele é nosso. Pedimos o que queremos e Ikram faz (para fotografar, para ir ao banheiro, comer, etc. ). De Délhi até a primeira parada são 265 km e 6 horas de viagem.  Ele dirige muito bem, mas na estrada têm camelos, vacas paradas no meio na maior tranquilidade, cabras passeando, cachorros dormindo, riquixás e buracos.  Realmente, dirigir na Índia é para iniciados e para os fortes de coração. Mais de 20 vezes eu entreguei nas mãos da sorte porque achava que iam bater de frente. Com tudo isso, não vimos nenhum acidente durante toda a viagem. Teremos 16 dias dessa experiência.

Chegamos a Mandawa um vilarejo do interior. A região chama-se Shekhwati que era uma terra rica, mas sem leis e ficava na rota do comércio entre os portos arábes e o Ganges. Os nobres da região, chamados marwaris,  construíam mansões para a família para mostrar riqueza.  Essas mansões chamam-se Havelis.

A cidade é famosa pelos havelis.  Havelis são residências tradicionais decoradas com desenhos. Sempre a entrada é um arco que dá acesso a um patio quadrado que é o lugar de encontro, e com painéis de tecido puxados por uma corda chamados punkahs. Esse pátio era onde os homens negociavam. Desse pátio existe uma entrada meio fechada para assegurar privacidade para as outras partes da casa onde ficava a família e as mulheres. Sempre tem segundo andar com corredores abertos para o pátio que dão acesso aos quartos e com um terraço no teto. Paredes grossas para refrescar. Mas o mais típico são as paredes pintadas por afrescos de cores fortes e com desenhos intrincados e típicos. Tudo com ar arábico.

Começando pelo nosso hotel que é um haveli muito bem conservado e bonito. É uma delícia porque você se sente mesmo na Índia. Até o porteiro é vestido a caráter

Dentro do quarto. Vista da nossa super cama.
Dentro do quarto. Vista da nossa super cama.
Frente do hotel
Frente do hotel
Frente do hotel
Frente do hotel
Carlos na área de convivência do hotel segurando a chave do quarto que tem um sino.
Carlos na área de convivência do hotel segurando a chave do quarto que tem um sino.
Porteiro vestido com a roupa típica da região
Porteiro vestido com a roupa típica da região

Havelis lindos, antigos, estilo lindo, mas muito abandonados e desgastados. A maioria pede algum dinheiro para que você possa ver e fotografar. Muitos são depredados porque vendem as partes antigas para turistas. Alguns têm moradores descendentes dos antigos donos. Os melhores conservados são os que viraram hotéis.

A paisagem muda, a região é muçulmana então as mulheres estão cobertas sempre mas com cores vibrantes. Acordamos com o chamado da prece (pensamos que estávamos livres disso depois da Jordânia).
Além disso, a cidade é muito curiosa. Parece aquelas cidades bem pequenas do interior de São Paulo de uns 30 anos atrás. Lotada de carros, vacas, ônibus antigos e guias turísticas. Sempre nos sentimos diferentes na Índia porque eles nos olham muito, mas aqui é mais ainda. Olham, sorriem e pedem dinheiro. É triste, mas ser turista é ser um dólar ambulante. Difícil é não se irritar porque eles ficam insistindo e te seguindo e você desconcentra das coisas que está fazendo e dos cocos das vacas na rua.

Sem internet (era paga), depois de outro jantar vegetariano (nunca senti tanta falta de carne) que não no causou nenhum mal estar fomos dormir cedo para continuar a jornada para Bikaner.

História do Danilo e da Cássia:
Quando chegamos à agência de turismo para ver o pacote do Rajastão, desconfiados até o talo por conta da localização e da aparência da agência, o dono nos deu a carta de dois brasileiros que tinham viajado com ele. A carta estava em português e muito bem escrita , falava bem da viagem que tinham feito e tinha o e-mail dos dois. No mesmo dia entramos em contato com os dois. Como eles sabem da dificuldade que é na Índia, responderam no mesmo dia, com toda a boa vontade e nos ajudaram imensamente. Danilo disse que nunca imaginou que alguém iria ler aquela carta e achou muito inusitado. Nós adoramos a resposta tão rápida. E então confiando mais, acertamos a viagem.
Também li a carta de uma francesa que dizia que a viagem de carro com AC era muito boa uma vez que evitava os maus cheiros e os pedintes. Ela escreveu em francês e eu ri muito quando li. Duro foi explicar para o dono da agência o que estava escrito.

4 comentários sobre “Mandawa – galeria antiga

  1. Pingback: Informações úteis | Two backpackers

  2. Wilde A Campos

    Quem se importa com o pesadelo de cabras, vacas, riquixás, sustos com os buracos e poeira na estrada, se ao final vocês acordam num Hotel Heritage, maravilhosamente colorido, lindo, espetacularmente fantástico, que parece saído diretamente dos contos das Mil e Uma Noites. Aproveitem o momento mágico. Bjs.

  3. Anônimo

    Ola, pessoal. Nao sei se está na rota de vcs mas é obrigatório vcs passarem por Khajuraho a fim de ver as esculturas eróticas de mil anos atrás gravadas na pedra/parede dos templos…..

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