Bikaner – onde os ratos são reis

Junagarth Fort, palácio de um marajá. Sala onde são filmados alguns filmes de Bolywwod.
Junagarth Fort, palácio de um marajá. Sala onde são filmados alguns filmes de Bolywwod.

Depois de um café da manhã ocidental (que pena) saímos para Bikaner. 165 km e 4 horas. De novo vacas, cabritos, carroças com camelos, carroças com vacas, de tudo um pouco. No caminho passamos por Fatehpur, outra cidade cheia de lindos haveli.

Carroça puxada por camelo em plena estrada
Carroça puxada por camelo em plena estrada

A cidade é bem maior que Mandawa e até bonita. Dois dias seriam muito aqui mas um foi corrido. Chegamos em um hotel muito bonito que parecia um palácio mas como tudo na Índia, sempre algo está quebrado ou não funciona. O wi-fi não funcionava e nem a água quente. Saiam três pingos do chuveiro.Ficamos alguns minutos e já fomos correndo ver o forte.

Entrada do Junagarth Fort
Entrada do Junagarth Fort

Junagarth Fort – construído em 1589 por Rja Raisinghji, uma marajá. O Rajastão é a terra dos marajás. Aqui são filmados alguns filmes de Bolywood e eles citam o Romeu e Julieta deles. É um lugar muito interessante, mal preservado e descuidado. Algumas coisas são muito típicas dos árabes e outras divertidas: o marajá era alto e grande, mas sua caminha é pequena. De propósito para os pés ficarem para fora e ele poder enfrentar inimigos em um pulo. A sala de divertimentos é curiosa. Danças eram executadas em cima de adagas e pregos. O balanço do marajá é lindo. Conforme ele se balançava as esculturas laterais de deuses se mexiam. Do primeiro andar do pátio aberto (por uma janelinha) ele observava tudo sem os outros o vissem.

Mais uma corrida, 35 km da cidade fica o Kami Mata Temple – Templo dos Ratos. Reza a lenda que Kami Mata, uma matriarca mística do século 14 era uma encarnação de Durga, a deusa da força e da vitória. Em algum ponto da vida dela, morreu o filho de um dos seus súditos. Ela tentou trazer a criança de volta a vida mas foi avisada por outra deusa, Yama, que a criança já tinha reencarnado. Karni Mata fez um acordo com Yama de que dali para a frente todos os seus súditos deveriam renascer como ratos e voltar ao clã. Então um rato pode ser um antepassado deles.

Templo dos ratos
Templo dos ratos

Temos que entrar descalços ou de meia como em todos os templos da religião hindu. No templo dos ratos foi um nojo porque tem coco de rato, xixi de rato, comida de rato e ratos, muitos ratos. Olha o estado na saída.

O templo é uma coisa muito bizarra. No lado de fora tem barraquinhas para vender as oferendas, o pessoal compra e leva para os ratos dentro do templo. A maioria doce e coco. Eles são alimentados também com cereais e leite. É diferente, sujo, mas tem que ser visto. O cheiro é horrível, mas todos entram e oram. Eu só não vomitei porque não tinha almoçado.

Mas o Rajastão é assim:

Mulheres islâmicas mas coloridas
Mulheres islâmicas mas coloridas
Todos os caminhões na estrada são assim enfeitados. Voltando para Bikaner do templo.
Todos os caminhões na estrada são assim enfeitados. Voltando para Bikaner do templo.

Voltamos para a cidade e fomos visitar a cidade antiga que aqui eles chamam de chowk. A cidade antiga é murada e tem x kms quadrados. É um caos: motos, vacas, riquixás enlouquecidos, buzinas de todos os tipos, lojinhas e mais lojinhas. As lojas se dividem em interessantes, como as que reciclam latas grandes, de saris e tecidos que são lindas, alfaiataria ou doces. Os doces tem uma aparência maravilhosa mas não tivemos coragem. Como estamos viajando todos os dias não podemos ficar doente.

A cidade também é cheia de havelis porque essa construção é típica de toda a região. A  diferença daqui com Mandawa é que eles não são pintados ou decorados.

Dentro tem alguns templos. Fomos visitar dois templos jainistas. Os jainistas não tem deuses. Tem 24 profetas e esse templo é para um deles. Chama-se Templo Bhandashah. É simples, bonito, o interior tem coisas folheadas a ouro e do alto se avista a cidade. Como sempre tem que tirar os sapatos, tem um homem santo cuidando e várias crianças do lado de fora pedindo.

E terminamos ouvindo essas senhoras (muito comum) que se reúnem e ficam cantando.

E terminamos ouvindo essas senhoras (muito comum) que se reúnem e ficam cantando.
E terminamos ouvindo essas senhoras (muito comum) que se reúnem e ficam cantando.

E rindo porque no café da manhã encontramos alguns indianos que fizeram o seguinte:
– pegaram o cereal com a mão de dentro do pote
– com a mesma mão amassaram todo o cereal, pegaram mais um pouco, amassaram mais um pouco, colocaram leite e açúcar e foram comer.
Isso tudo na mesa do buffet. E é um hotel três estrelas.

5 comentários sobre “Bikaner – onde os ratos são reis

  1. Wilde A Campos

    Tudo muito interessante, na maioria das vezes, lindo, mas ratos não. Argh! Vc é muito corajosa. Eu não entraria lá, nem com meia, nem sem meia, nem de sapatos e nem ganhando para isso.
    Bjs e minha admiração por vc e Carlos.

  2. Maria Luiza Novaes dos Santos

    Nossa este mundo é surpriendente mesmo não? Ter templos de ratos!!!!Beijos e boa viajem, obrigada pela partilha……

    1. vcteixeira

      E como tem templo. Eles são politeístas. Tem três deuses básicos mas cada um tem várias encarnações. Eu leio, leio e ainda não consegui entender tudo. E para cada encarnação tem um templo. Bjus

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