Udaipur – cidade romântica

Ranakpur

Templo jainista em Ranakpur - Chaumukha Mandir
Templo jainista em Ranakpur – Chaumukha Mandir

No caminho para Udaipur, paramos uma noite em Ranakpur. É uma cidade pequena e com apenas uma atração turística que vimos em uma hora e meia. Valeu para descansarmos em um hotel de selva (fomos até visitados por macacos), para lavar a roupa, dar uma geral na mochila que estava uma bagunça, descansar e pegar estrada novamente. Em Ranakpur existe um conjunto de cinco templos jainistas. Só de falar em templo a gente se arrepia. Todo templo você deve entrar sem sapatos porque sapato é considerado de má sorte e não pode nem ser carregado. De meias pode, mas como todo dia tem um templo não há meia que de conta. Por isso que eles usam chinelo o tempo todo. É porque fica muito mais fácil. E chinelo ninguém vai pegar. E esse complexo de templos tem cinco deles. Ai senhor. Mas vale a pena.
Como já disse antes os jainistas não tem deuses tem profetas. O maior dogma deles é não fazer mal a qualquer ser vivente. São vegetarianos por completo e tem alguns que até andam de máscara para não correr o risco de engolir algum ser vivo. O templo é todo esculpido em mármore branco, são 29 halls com 1444 pilares (cada um com desenho diferente do outro). É o mais lindo do Rajastão e o mais importante na Índia. Construído em 1439. Dentro é uma sensação de paz e tranquilidade só quebrada por grupos de turistas.

Chaumukha Mandir (mandir é templo e Chaumukha deve ser quatro fachadas)
Chaumukha Mandir (mandir é templo e Chaumukha deve ser quatro fachadas)
Outra vista do templo principal: Chaumukha Mandir
Outra vista do templo principal: Chaumukha Mandir
Dentro do templo, vasilhas dos monges secando
Dentro do templo, vasilhas dos monges secando

Udaipur

City Palace ao entardecer
City Palace ao entardecer

E então fomos para Udaipur conhecida como a cidade dos lagos porque tem sete lagos, todos artificiais, que foram construídos para segurar a água das monções. É uma cidade grande, espalhada, em vários lugares vi calçada, tem shopping centers e ficamos num hotel muito bom e gracinha bem na cidade velha e perto do Lago Pichola que é o maior da cidade. A cidade é diferente das outras no sentido de ser mais arejada por causa dos lagos, ter mais jardins e ser ainda mais turística. Pela primeira vez comemos comida sem aquele tanto de pimenta. Acho que eles estão acostumados com os turistas e maneiram nos temperos. Também pela primeira vez experimentei o thali que é o jeito que eles comem: vários potinhos com iogurte, lentilhas, arroz, legumes ao curry, pão frito crocante e chapati (pão não fermentado de água e farinha). Estava muito bom e pouco picante. Carlos tomou seu primeiro lassi que é um iogurte batido com frutas. Pode ser doce ou salgado. Ficamos dois dias em Udaipur e foi suficiente. Deu para ver tudo e descansar. De resto é uma cidade como todas da Índia: suja, cheia de vacas e templos.
Começamos pelo Saheliyon-Ki-Bari, Jardim das Damas, que é um jardim ornamental feito por 48 mulheres como parte do dote da princesa e tem elefantes de mármore, fontes e uma fonte cheia de flor de lótus.

Fonte cheia de flor de lótus. Havia apenas uma desabrochada
Fonte cheia de flor de lótus. Havia apenas uma desabrochada

Depois nosso primeiro lago, FatehSagar, e um dos mais procurados por casais apaixonados. No centro dele tem uma ilha jardim, Nehru Park, rodeado por montanhas e construído em 1678 também para segurar a água das monções.

FatehSagar – lago ao norte do Pichola da onde saem barquinhos para passeio.
FatehSagar – lago ao norte do Pichola da onde saem barquinhos para passeio.
Lago FatehSagar
Lago FatehSagar

Tudo gira em torno do lago Pichola. O City Palace fica ali do lado leste, a cidade antiga, os inúmeros portões – Ghats, lavam roupas ali, tomam banhos, tem duas ilhas com hotéis cinco estrelas magníficos e passeios de barco. O lago era natural e foi aumentado pelo Marajá Sing II inundando a vila Pichola dai seu nome. No passeio de barco a gente desce na ilha Jagmandir. De manhã já somos acordados com o barulho das mulheres batendo a roupa no dhobi (lugar onde se lava roupa) ghat e das crianças fazendo farra e tomando banho. Tem dois trechos separados: um para os homens e outro para as mulheres porque essas tiram as roupas mesmo e tomam banho e lavam os cabelos. O lago não é fedido, mas é sujo principalmente nas margens, mas mesmo assim vimos mulheres escovando os dentes usando a água dele.

Gangaur gate, um dos portões mais bonitos do Lago Pichola
Gangaur gate, um dos portões mais bonitos do Lago Pichola
Gangaur gate, dhobi ghat visto do lago, lado das mulheres
Gangaur gate, dhobi ghat visto do lago, lado das mulheres
Hanuman Gate – do outro lado cheio de restaurantes bons
Hanuman Gate – do outro lado cheio de restaurantes bons

A noite fomos ao Bagore-Ki-Haveli , pertinho do nosso hotel, um haveli com 138 salas e bem conservado. Não visitamos o local todo apenas o caminho até o show chamado Dharohar. Nesse haveli lindíssimo tem um show de danças folclóricas muito bem feito e muito tradicional incluindo até marionetes no estilo da região

Mulheres dançando com recipientes de fogo na cabeça e roupas típicas
Mulheres dançando com recipientes de fogo na cabeça e roupas típicas
Marionete ao estilo do Rajastão. Manipulador fantástico
Marionete ao estilo do Rajastão. Manipulador fantástico
Mulher dançando com os potes em que elas levam água
Mulher dançando com os potes em que elas levam água

Dia seguinte, cedinho fomos conhecer o City Palace que é o maior palácio do Rajastão e creio o melhor conservado. São torres, balcões, cúpulas, portões e a fachada maravilhosa de 30 metros de altura por 2.50 de comprimento. Foi construído pelo fundador da cidade Maharaja Udai Singh II e aumentado por vários marajás ao longo do tempo, mas mesmo assim tem uniformidade. Dos andares superiores dá para ver o lago. É luxuoso por inteiro menos a corte das mulheres, Zenana Mahal, que é sempre mais pobrinha.

Tripolia Gate (de 1725) – entrada do palácio
Tripolia Gate (de 1725) – entrada do palácio
City Palace visto por dentro, ao fungo Tripolia Gate
City Palace visto por dentro, ao fungo Tripolia Gate

Do City Palace sai um passeio de 1 hora pelo Lago Pichola. Do passeio você consegue ver os lugares onde o pessoal lava roupa, passa perto do Lake Palace (hotel cinco estrelas no meio do lago que só dá para chegar de barco) e tem uma parada na Ilha Jagmandir onde também tem um palácio deslumbrante que virou hotel. Novamente foi construído pelo Maharaja Karan Singh em 1620. É rodeado por enormes elefantes de pedra e também tem um memorial de pedra azul.

Nessa ilha aconteceu uma coisa muito bizarra. Como estamos fazendo o roteiro turístico básico do Rajastão, encontramos as mesmas pessoas em todos os lugares. Estamos sempre encontrando esse casal belga super simpático, com um sotaque francês lindo. Mas é gente comum. Quando chegamos à ilha de Jagmandir eles se sentaram em uma das janelas. Chegou uma horda de turistas coreanos (é fácil saber: eles têm câmeras fascinantes e estão sempre cobertos da cabeça aos pés porque pele clara é sinônimo de beleza para eles) e começaram a tirar foto dos dois. Eu não resisti e registrei o momento.

Casal belga em questão. Lindos, lugar lindo, mas não era para tanto
Casal belga em questão. Lindos, lugar lindo, mas não era para tanto

Voltamos e continuamos os passeios. A cidade é conhecida por ter sido o pano de fundo do filme Octopussy do James Bond e por inúmeros restaurantes, bares e cafés que ficam no alto dos prédios por causa da vista para o lago. E esses lugares sempre tem telão para passar o filme.

Vista do nosso hotel. Se olhar atentamente dá para ver todos os restaurantes nos telhados.
Vista do nosso hotel. Se olhar atentamente dá para ver todos os restaurantes nos telhados.

Ficamos num hotel muito gracinha. Como sempre a entrada horrorosa, mas dentro era outro clima. Nosso hotel e redondezas.

E agora rumo a Chittorgarh e a Bundi. Veremos.

2 comentários sobre “Udaipur – cidade romântica

  1. Wilde A Campos

    Impossível olhar tudo, não se encantar com templos incríveis, como esse esculpido em mármore branco, com o trabalho realizado em azulejo nos portais, com os lagos, com o romantismo do interior do hotel (lindo) e ficar calada sobre tanta beleza. Impossível mesmo, não comentar, mesmo pq pensei ter visto as obras mais lindas no Marrocos, mas a Índia está muito além, sempre lembrando os palácios das fábulas de Sherazade, na Pérsia antiga. O Carlos estava certo: há muito o que conhecer na Índia. Continuem aproveitando tudo. Bjs.

    1. vcteixeira

      Como a sra ve, vale a pena aguentar a poeira, as vacas, os achaques. Tem coisas lindas. Cada dia é uma surpresa.

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