Chittorgarh e Bundi – as surpresas

Aqueduto em Chittorgarh
Aqueduto em Chittorgarh

Chittorgarh e Bundi são duas cidades fora do roteiro da maioria. Decidimos passar por elas por conta de relatos de outros viajantes. E foi uma surpresa. E boa. A caminho de Chittorgarh, desviando 22 km, passamos por um templo chamado Eklingji. Os templos hindus são todos muito parecidos. Tem uma torre em formato de cone ao contrário, é um quadrado com uma escada na frente. Todos são esculpidos por fora e enfeitados por dentro. As esculturas por foram contam as histórias da religião para que os iletrados consigam entender tudo. Você deve sempre andar no sentido horário para entender as histórias. Esse, em especial, ensinava o Kamasutra. Pena, não ser possível tirar fotos porque eram umas esculturas de pegação total. Também era muito bonito. Depois dele ainda paramos em um templo dedicado a Shiva que chamamos de templo kitsch pela quantidade de cores e espelhos dentro dele.

Placa na entrada do templo do KamaSutra
Placa na entrada do templo do KamaSutra
Templo kitsch para Shiva
Templo kitsch para Shiva

Também nessa estrada paramos num pedágio. Os pedágios aqui são completamente informais, o cobrador fica sentado do lado de fora da cabine, o motorista fala para onde vai e paga. Não dá nem para saber se é oficial ou apenas os locais cobrando pelo uso das estradas horríveis. Deram o troco em amendoim já que não tinham trocado.
Chegamos a Chittorgarh que é uma cidade pequena com pouco interesse exceto pelo Forte Chittor que é o maior do Rajastão e vale a pena ser visto. Valeu a visita. O forte tem 700 acres num platô da montanha e é um complexo com palácios lindos, portões (sete ao todo), templos, represa e a Torre da Vitória (Jaya Stambha). E os macacos pulando de um lado para o outro. Tive aí minha primeira chance de alimentar macacos. Com muito medo, joguei amendoim (que tinha comprado anteriormente porque já sabia dos macacos) para eles.
Começamos pela Torre da Vitória que tem nove andares e que a gente pode subir até o oitavo e ter a vista de todo o forte. Dentro é uma escadinha pequena e perigosa, mas vale a pena. Por fora é todo enfeitado. Lá encontramos uma família indiana com a qual tiramos fotos. Eles adoraram, deram até o filho para eu segurar. Aqui ser estrangeiro é uma honra.

Torre da Vitória – 40 metros de altura
Torre da Vitória – 40 metros de altura
Indianos e eu no oitavo andar da Torre da Vitória
Indianos e eu no oitavo andar da Torre da Vitória
Templo Sammidheshwar visto do oitavo andar da torre
Templo Sammidheshwar visto do oitavo andar da torre
Indianos pediram para tirar foto comigo. Vista da cidade a partir do forte
Indianos pediram para tirar foto comigo. Vista da cidade a partir do forte

Dormimos na cidade, com wi-fi e TV, mas longe do mundo. Não havia mais nada a fazer então subi o blog que já está ficando atrasado.

Bundi

Vista do Bundi Palace e das lindas casinhas azuis
Vista do Bundi Palace e das lindas casinhas azuis

Outra grata surpresa. É uma cidade pouco turística e por isso tão interessante. Poucas lojas para turistas, mas muito da vida local autêntica. As casas são pintadas de azul claro, existem mais de duzentos templos espalhados por ela e foi onde o escritor inglês Rudyard Kipling ficou para escrever sua famosa novela “O livro da Selva” (aquele do Mogli da Disney). Também tem vários havelis, palácios transformados em hotéis. É uma cidade pequena, mas muito charmosa. Tendo tempo é melhor passar por ela.
As pessoas não estão muito acostumadas com turistas então o assédio e os preços são menores. Não conseguimos achar onde comer, mas compramos tudo o que era necessário para fazer um lanche. Assim que se entra na cidade já tem essa vista espetacular do Bundi Palace o do Forte Taragarh.

Palácio de Bundi
Palácio de Bundi
Vista da pequena cidade toda em azul claro
Vista da pequena cidade toda em azul claro
Entrada do Palácio de Bundi chamado Elephant Gate
Entrada do Palácio de Bundi chamado Elephant Gate
Vista do Lago Nawal (Nawal Sagar) que embeleza a cidade
Vista do Lago Nawal (Nawal Sagar) que embeleza a cidade

Como o Carlos está com o pé machucado tivemos um tour especial com o encarregado do palácio que nos abriu salas que normalmente não são abertas onde existe um Shiva pintado em ouro e com os olhos de chinês e uma sala com murais pintados em turquesa e ouro. Mordomia mas sem fotos. Várias pinturas e salas, mas muito mal conservado.
Além do Bundi Palace existem os baoris ou tanques de água que eram usados para funções sociais e religiosas e para guardar água das monções. Seria assim um piscinão de Ramos muito mais sofisticado e bonito. É uma construção linda, diferente de tudo que já vimos. É um tanque com 46 metros de profundidade, com decoração esculpida. A sensação é de pequenez frente à gigantesca construção. Dizem que na cidade toda são 100 desse tipo.

Ranji-ki-baori construído em 1699
Ranji-ki-baori construído em 1699
Ranji-ki-baori  é a maior dessas construções
Ranji-ki-baori é a maior dessas construções
Nagar Sagar Kund outro tanque só que pareado. São dois iguais.
Nagar Sagar Kund outro tanque só que pareado. São dois iguais.

O resto da cidade é que é interessante mesmo. Vimos o que sempre vimos nos pequenos vilarejos, mas outras coisas que foram novidades. É uma diversão passear pelos bazares da cidade velha. Tem o Sabzi Market que vende legumes e verduras.

Vendedor de doces na rua. São lindos mas muitas moscas e não experimentamos
Vendedor de doces na rua. São lindos mas muitas moscas e não experimentamos
Vendedor de comida de rua. Esse tem em todas as cidades indianas
Vendedor de comida de rua. Esse tem em todas as cidades indianas
Mercado de prata. Uma loja atrás da outra e todas iguais
Mercado de prata. Uma loja atrás da outra e todas iguais
Loja de prata com compradores. É tudo assim sentado no chão.
Loja de prata com compradores. É tudo assim sentado no chão.

Como todas as cidades são cheias de vacas e porcos, comecei a achar que indiano não passa fome. No nordeste do Brasil, na época da seca negra eles comiam até calango. Então acredito que se passassem fome comeriam as vacas e os porcos. Porcos só são comidos aqui pelas castas mais baixas (no interior ainda existe muito essa divisão por casta que é difícil de compreender). São considerados animais sujos, mas as vacas vivem em condições iguais. Acho que vou embora sem entender direito a Índia.

Um comentário sobre “Chittorgarh e Bundi – as surpresas

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