Galta / Fatehpur Sikkri / Abhaneri

Galta

Macacos sendo alimentados no seu próprio templo. Macacada tomando café da manhã
Macacos sendo alimentados no seu próprio templo. Macacada tomando café da manhã

Dia seguinte, a caminho de Agra paramos no Temple of The Sun God, Galta, ou Templo dos Macacos. É um complexo de templos com reservatórios de água que os hindus acreditam ter uma conexão espiritual com o Ganges e os devotos vão para lá para tomar banho que dizem ter os mesmos benefícios do próprio Ganges. Diz a lenda que um santo chamado Gulta Ji encheu os reservatórios com uma fonte que ele trouxe do Ganges.
A atração principal desse templo para os turistas são os macacos de cara vermelha, que ali vivem aos montes, são alimentados pelos devotos e são mansos de comer na nossa mão. O lugar é sujo, fedido, cheio de pedintes. Eu levei amendoins para alimentar os macacos e passei por uma situação inusitada. Chegou um ponto que eu tinha um macaco grudado na minha perna e agarrando minha bolsa e na outra perna uma menina, mais suja que o macaco, pedindo dinheiro para a comida. Foi triste e chato porque eu só tinha comida para os macacos. Como fomos bem cedinho não tinha muitos turistas e os macacos estavam com fome. Foi uma farra mesmo saindo com a roupa toda suja dos agarrões deles. Eles até posam para a câmera.

Vista do templo que é muito bonito ainda que desgastado
Vista do templo que é muito bonito ainda que desgastado
Carlos tentando alimentar o macaco, ao fundo a vista do templo
Carlos tentando alimentar o macaco, ao fundo a vista do templo
São mansos, pegam um por um dos amendoins da mão sem atacar e sem morder
São mansos, pegam um por um dos amendoins da mão sem atacar e sem morder
Hora da bóia. Devotos trazem bananas, romãs e castanhas
Hora da bóia. Devotos trazem bananas, romãs e castanhas

Abhaneri

Eu (para mostrar a grandeza do lugar) no Chand Baori
Eu (para mostrar a grandeza do lugar) no Chand Baori

Fica à uma hora e meia de Jaipur e tem apenas uma atração. Se você leu o post de Bundi já sabe o que é um baori. Se não, leia aqui: Baoris – os poços

Depois de ver os dois baoris em Bundi achamos que nada mais ia nos surpreender em matéria de baoris. Sempre errados, chegamos a Abhaneri para ver o Chand Baori. Ele é mais raso que o de Bundi e tão encantador quanto. É um ziguezague de 11 níveis de degraus com 20 metros de profundidade. É uma geometria linda. Parece uma colmeia. As fotos falam por si.

Geometria magnífica, vista espetacular
Geometria magnífica, vista espetacular
Outro ângulo para tentar pegar a grandeza
Outro ângulo para tentar pegar a grandeza
Vista da frente do baori para onde as pessoas olham quando estão descendo
Vista da frente do baori para onde as pessoas olham quando estão descendo
Parte da frente da escadaria
Parte da frente da escadaria

Fatehpur Sikkri

Entrada da Jama Masji – mesquita com elementos persas e índicos
Entrada da Jama Masji – mesquita com elementos persas e índicos

A 40 km de Agra fica essa cidade fortificada que foi capital do império mongol até 1585. Então aí vai um pouco de história. O Rajastão era dominado pelos rajputs que na hora da necessidade pediram ajuda a um mongol, descendente de Gengis Khan, chamado Babur. Ele veio em ajuda ao marajá, mas não foi atendido por ele e decidiu tomar o norte da Índia para si. Ele tinha aprendido com os turcos a usar canhões e foi fácil guerrear contra os reis da Índia que ainda usavam métodos antigos de guerra. Fundou o império mongol na Índia. Dominaram por mais de cem anos daí tanta influência na cultura e arquitetura local.
Ai a descendência é a seguinte: Babur que era muçulmano e não seguia muito de perto o Corão porque tomava umas carraspanas. Morreu aos 47 anos.
Humayan – cuja maravilhosa tumba fica em Delhi, teve um reinado fraco e só conseguiu manter as conquistas do pai graças a ajuda dos persas. Morreu quando caiu da escada e seu filho de 13 anos foi coroado. Seu filho chama-se Akbar.
Akbar – o grande derrotou outros guerreiros e agregou outras regiões hindus sob seu controle e através da diplomacia e alianças através de casamentos conseguiu ganhar controle sobre os rajputs (marajás) do Rajastão. Akbar era patrono da literatura, poesia, arquitetura, ciência e pintura. Também era muçulmano, mas encorajava a tolerância religiosa e sempre recorria a homens sábios de todas as fés. Por isso virou Akbar – o grande.Conta a lenda que Akbar não conseguia ter filhos e visitou o Sufi Shaikh Salim Chisti em Sikkri e o sufi predisse que ele seria pai do herdeiro do império Mongol. A profecia se mostrou verdadeira e Akbar deu o nome de Jahangir Salim, em homenagem ao homem santo, a seu filho e construiu a capital do império em Sikkri. A cidade ficou maravilhosa, mas a região sofria de falta de água e assim que Akbar morreu foi abandonada.O filho de Akbar, Jahangir, controlou o Império Mughal em paz e prosperidade de 1605 até 1627. Ele foi sucedido pelo seu próprio filho, Shah Jahan, que aos 36 anos, herdou um império incrível. Nenhuma alegria tão grande permitiria que ele tivesse uma vida feliz e nem duraria muito tempo. Mas essa história é para Agra, o próximo post.

A cidade é um magnífico exemplo de arquitetura indo-islâmica e uma lembrança sem igual do pico do Império Mongol.’

Entrada do Palácio
Entrada do Palácio
Eu (para dar a noção do tamanho) em frente ao um dos portões do palácio
Eu (para dar a noção do tamanho) em frente ao um dos portões do palácio
Estábulos (para cavalos, elefantes e camelos)
Estábulos (para cavalos, elefantes e camelos)
Ruínas do palácio
Ruínas do palácio

Junto com o palácio está a Jama Masjid que é uma mesquita, conhecida como Dargah Mosque, foi construída em 1571 e também tem elementos persas e índicos. A entrada é pelo Victory Gate, o maior da Ásia, com 54 m de altura. Foi construído para comemorar uma das vitórias de Akbar. Nesse portão tem trechos do Alcorão que falam sobre Jesus e sobre a fragilidade da vida.

Passando o portão, vista dos espaços externos  da Mesquita
Passando o portão, vista dos espaços externos da Mesquita
Buland Darwaza – Portão da Vitória com 54 metros de altura
Buland Darwaza – Portão da Vitória com 54 metros de altura
Interior da mesquita
Interior da mesquita
Outra vista dos espaços externos da Mesquita
Outra vista dos espaços externos da Mesquita

Dentro dos jardins da mesquita fica a tumba extraordinária, em mármore branco, do sufi Shaikh Salim Chishti construída em 1581. Dentro do mausoléu (que a gente só entra descalço e com a cabeça coberta) tem murais coloridos com flores e conchas de madrepérola. Como ele profetizou o filho para Akbar hoje em dia, mulheres querendo ter filhos vêm até a tumba, amarram linhas vermelhas nas treliças de mármore para conseguir engravidar. São filas enormes e aquele estilo fila indiana: empurra, empurra, furação, etc. Tive que ter paciência para entrar e ver a tumba do homem santo. Ao lado da tumba do Sufi, ficam as tumbas da família real e dizem que um túnel que chega até Agra.

Vista externa da tumba do Sufi
Vista externa da tumba do Sufi
Carlos com a cabeça coberta para poder entrar
Carlos com a cabeça coberta para poder entrar
Vista externa e eu com a saída de praia fazendo as vezes de lenço
Vista externa e eu com a saída de praia fazendo as vezes de lenço
Interior da tumba do Sufi. É linda e proibido tirar fotos
Interior da tumba do Sufi. É linda e proibido tirar fotos

E depois de toda essa beleza vamos para Agra arregalar mais ainda os olhos.

Um comentário sobre “Galta / Fatehpur Sikkri / Abhaneri

  1. Pingback: Agra – inesquecível | Two backpackers

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