Himachal Pradesh – a Suíça na Índia

Altitude, neve, frio, estamos no Himalaia
Altitude, neve, frio, estamos no Himalaia

Por motivos estratégicos nossa viagem não pode incluir o Nepal então eu queria muito ir até Darjeeling para ver o Himalaia mas nós não conseguimos planejar a época certa. Quando chegássemos lá estaria congelando porque é inverno então desistimos. Não estamos preparados para inverno e nem gostaríamos de comprar roupas para usar apenas alguns dias. Encontramos em uma agência de turismo uma viagem de seis dias para Himachlal Pradesh (estado) de onde poderíamos ver as montanhas médias do Himalaia. Como não é um destino turístico muito procurado por estrangeiros, acabamos em um tour com mais 9 indianos. Um solteiro e quatro casais em lua de mel. A viagem foi tudo o que nós estávamos esperando. Vimos o Himalaia, neve, passamos um frio terrível porque eles não têm calefação em lugar algum nem em hotéis nem nos carros ou restaurantes e convivemos com indianos legítimos. O tour incluía as três refeições e assim também conseguimos aprender mais sobre a comida local porque só era servida comida deles. Em dois hotéis o café da manhã tinha sucrilhos e todo o resto foi indiano e completamente vegetariano inclusive sem ovos.
Então, primeiro vou falar de tudo o que descobrimos e de todas as surpresas e depois falo dos lugares maravilhosos e coisas fantásticas que fizemos.Realmente foi um passeio de índio. Começando pelo fato de que o ônibus era para ser um volvo com aquecimento e eles trocaram por um menor. Devolveram parte do nosso dinheiro sem grandes questionamentos, mas eu preferia o aquecimento. Também era índio no horário (saímos com duas horas de atraso) e assim que saímos o motorista parou para abastecer. Tudo muito planejado, certo?

Então, primeiro vou falar de tudo o que descobrimos e de todas as surpresas e depois falo dos lugares maravilhosos e coisas fantásticas que fizemos.

O primeiro da esquerda é o motorista e o de chapéu é o guia. Todo o pessoal da excursão. Todos recém-casados
O primeiro da esquerda é o motorista e o de chapéu é o guia. Todo o pessoal da excursão. Todos recém-casados

Casais: todos em lua de mel, todos de casamento arranjado. Perguntamos como eles arranjam o casamento e é assim. As famílias se conhecem, julgam pela condição sócia econômica e cultural e decidem quem vai dar certo com quem. O casal tem cinco minutos para se conhecer e decidir se desejam continuar. Se desejarem tem mais três meses de convivência e aí casam. E é para toda a vida. Na Índia não existe divórcio. Depois das festividades do casamento que duram de dois a cinco dias, a pobre esposa tem que ir morar na casa da família do marido (casa da sogra) onde já estarão morando todos os outros irmãos e irmãs casados. Sem mencionar o dote, que ainda existe e é praxe, e pode ser entregue a família do noivo em joias, dinheiro e terras. Não tem aliança e sim um anel de casamento e usam na mão direita.Filho homem é tão desejado por isso, ele que vai ficar com os pais e cuidar deles. A mulher vai para a casa do marido e tem que cuidar da sogra.
Comportamento: As meninas são sempre deixadas de lado conversando. No ônibus sentavam em casais. Assim que foram ficando íntimos já separavam: homens com homens e mulheres com mulheres. Parecem sempre muito inocentes e muito bobinhas e não participam de quase nada. Eles têm uma mania de ficarem amontoados. As meninas sentavam em três no banco do ônibus e os homens sentavam juntos demais para o nosso gosto. Isso porque eram 27 lugares para 11 pessoas. Quando tivemos festa discoteca foi um arraso. As mulheres ficam olhando e os homens dançam uns com os outros e numa coreografia muito estranha e como sempre muito próximos. Perguntamos depois e eles dizem que aprendem a dançar da maneira correta: copiando os vídeos clips da TV. Todos são muito vaidosos. As meninas usam anéis e pulseiras no pé, inúmeras pulseiras no braço, brincos na orelha e no nariz e sempre lápis preto no olho. Os homens usam anéis do mesmo tipo que as mulheres no Brasil usam. Como os brasileiros, não cumprem horário de forma alguma. Nem o guia chegava no horário combinado.
À mesa: Comer com os indianos era um suplício. Eles comem com a mão mesmo. Colocam o arroz, o iogurte por cima, os legumes, fazem uma bola do tamanho de um sonho de valsa e enfiam na boca chupando os dedos. A mão fica suja até o pulso, a mesa e o chão ficam cheios de arroz e comida. É uma cena grotesca. E no final ainda bebem do prato o caldinho que sobrou e arrotam alto. Servem tudo com a mão: salada, pão, inclusive se você pedir eles pegam com a mão e te dão. E como não tinha talheres tivemos que comer com colher a viagem toda. Por outro lado como o braço esquerdo fica junto ao corpo travado ninguém dá cotovelada em ninguém. Nunca pediram refrigerantes, é sempre água e depois de comer eles lavam a mão (apenas a direita).
Comida: para os nossos padrões apimentada demais. Tínhamos que misturar muito arroz e iogurte para conseguir comer. Como são vegetarianos é arroz, iogurte, batata e legumes. O que muda é o tipo de molho que colocam. As coisas são sempre as mesmas. Não tem massa, tortas, pizzas. Nada. O festival de tipos de pães é interessante. Eu contei uns seis tipos de pães feitos de forma diferente, mas sempre com farinha e água. Sem ovos. Meio borrachudos. Eles fazem quiabo delicioso e chamam de lady´s fingers.

E agora o que fizemos. Primeiro a emoção de passar pelo pedágio e ver o nome da estrada.

Pedágio indo de Délhi para o estado de Himachal Pradesh
Pedágio indo de Délhi para o estado de Himachal Pradesh

Depois saber que estávamos no estado que acolheu o Dalai Lama, em Dharamsala, quando ele teve que fugir do Tibet.
Primeiro dia em Kufri (cidade conhecida pelas estações de esqui) nós saímos para andar a cavalo nas montanhas. Frio de enregelar os ossos, neve no chão, vi meu primeiro iaque, passei muito medo porque o cavalo andava perto do precipício e o chão era escorregadio da neve congelada. Valeu o medo porque a vista é magnífica.

Vista da primeira parada do passeio de cavalo
Vista da primeira parada do passeio de cavalo
Nós dois no frio do Himalaia
Nós dois no frio do Himalaia
Eu posando no Himalaia
Eu posando no Himalaia
Carlos na frente do Himalaia
Carlos na frente do Himalaia
Passeio a cavalo pelos caminhos nevados
Passeio a cavalo pelos caminhos nevados
Nosso hotel em Kufri
Nosso hotel em Kufri
Em frente ao hotel, prontos para sair para Manali
Em frente ao hotel, prontos para sair para Manali

À tarde fomos conhecer Shimla que é a capital do estado. Parece Campos do Jordão, a beira de um grande vale, foi construída pelos ingleses e era a capital de verão da colônia britânica. Primeira cidade limpa, gente muito bonita e bem arrumada, calçadão sem carros e sem buzina, lojas de primeiro mundo. Consegui comer doce em uma doceria pela primeira vez porque não tinha moscas. Coisas lindas para comprar se eu pudesse.

Nossos amigos comendo doce, também comi porque era limpo
Nossos amigos comendo doce, também comi porque era limpo
Vista do calçadão de Shimla
Vista do calçadão de Shimla

Saímos de Shimla em direção a Manali. Manali é uma cidade menor e muito famosa por causa dos esportes radicais e de inverno e porque é a porta de entrada dos altos Himalaias. De acordo om a lenda, Manu, o equivalente hindu de Noé parou sua arca aqui para recriar a raça humana depois do dilúvio. O passeio principal é passar pelo Rohtang Pass conhecido como Vale dos Mortos porque as pessoas que tentavam atravessar a pé (antes das estradas) morriam por ali mesmo.

Subimos até Rohtang nesses jeeps 4 por 4.
Subimos até Rohtang nesses jeeps 4 por 4.
Vistas do Himalaia
Vistas do Himalaia
Carlos na frente do Himalaia
Carlos na frente do Himalaia
Vista o ponto mais alto que chegamos
Vista o ponto mais alto que chegamos
3130m e um pouco de falta de ar mas chegamos lá
3130m e um pouco de falta de ar mas chegamos lá

Em Manali a população tem olhinhos puxados. Quando a China começou a perseguir o povo do Tibet eles vieram para a Índia então os tibetanos são maioria, as roupas são diferentes e existem mais budistas. Fomos visitar o Himalayan Nyinmapa Buddhist Temple com uma estátua de dois andares de Buda.

Templo budista
Templo budista
Rodas das preces. Temos que andar no sentido anti-horário, rodando todas você faz suas preces
Rodas das preces. Temos que andar no sentido anti-horário, rodando todas você faz suas preces
Gelukpa Cultural Society Gompa, sociedade que acolhe os monges expulsos do Tibet
Gelukpa Cultural Society Gompa, sociedade que acolhe os monges expulsos do Tibet
Rodas das preces na Sociedade Tibetana
Rodas das preces na Sociedade Tibetana

Em Manali passamos nosso Natal sem grandes festas, mas conseguimos achar um bolo de frutas (nosso falso panetone) e um vinho de frutas.

Ceia de Natal
Ceia de Natal

Quando estávamos em Délhi uma menina foi estuprada e assasinada e isso virou comoção nacional. Então quando chegamos em Manali as mulheres da cidade estavam em passeata protestando contra o fato e pedindo a pena de morte para os criminosos estupradores. Reparem as roupas como muda.

Senhoras locais protestando
Senhoras locais protestando
Roupas tibetanas e olhinhos puxados
Roupas tibetanas e olhinhos puxados
Vista do protesto e da cidade
Vista do protesto e da cidade

Também em Manali tem esse gracioso templo conhecido como Dhungri Temple ou Hadimba Temple, É todo enfeitado com chifres de iaques e touros e as paredes são esculpidas em madeira. Fica mais lindo ainda porque está no meio de uma grande floresta de cedros. Em maio eles fazem sacrifícios de animais selvagens para a deusa.

Templo antigo construído em pedra e madeira em 1553 em estilo tibetano
Templo antigo construído em pedra e madeira em 1553 em estilo tibetano

Além desse tem outro famoso, construído em pedra e ao lado dele tem águas termais mais quentes do que a água dos nossos hotéis e eles construíram banhos públicos. Existem banhos, ao ara livre, para homens e mulheres separados. E eles ficam lá, naquele frio, tomando banho quentinho.

Templo em Vashisht Village, Manali, Himachal Pradesh1
Templo em Vashisht Village, Manali, Himachal Pradesh1
Banhos  públicos dos homens
Banhos públicos dos homens

Próximo dia saímos para Chandigarh que é uma cidade muito linda. Foi planejada, é limpa, tem calçadas e parques muito bem cuidados. No caminho os indianos fizeram rafting. Nós não tivemos coragem porque a água vem das montanhas e é muito fria.

Rafting dos indianos. Finalmente as meninas participaram
Rafting dos indianos. Finalmente as meninas participaram
Nossa única árvore de Natal na entrada do hotel em Chandigarh
Nossa única árvore de Natal na entrada do hotel em Chandigarh
Mapa de Chandigarh cidade planeja por Le Corbusier. Toda quadradinha, cheia de avenidas largas
Mapa de Chandigarh cidade planeja por Le Corbusier. Toda quadradinha, cheia de avenidas largas
Primeiros desenhos de Le Corbusier para a cidade
Primeiros desenhos de Le Corbusier para a cidade

Depois de planejada a cidade começou a ser construída e um escultor começou a recolher os materiais que sobravam da construção, o entulho, e montar essas esculturas muito diferentes. Usou tudo o que encontrava e ficou meio parecido com as obras de Gaudi.

Rock gardens, árvores falsas feitas de entulho
Rock gardens, árvores falsas feitas de entulho
Parede feita toda com restos de tomadas e soquetes elétricos
Parede feita toda com restos de tomadas e soquetes elétricos
Detalhe dessa parede
Detalhe dessa parede
Detalhes do Rock Gardens estilo Gaudi
Detalhes do Rock Gardens estilo Gaudi
Esculturas feitas com restos de azulejos, pratos, etc.
Esculturas feitas com restos de azulejos, pratos, etc.
Esculturas feitas com pulseiras do tipo que as indianas adoram
Esculturas feitas com pulseiras do tipo que as indianas adoram

E depois desse jardim lindo fomos até o Pinjore Gardens. Pérola dos jardins mongóis. O melhor de todos, bem conservado e cuidado

Jardim que servia aos reis mongóis e seus haréns
Jardim que servia aos reis mongóis e seus haréns
Jardim mongol do século 17 com vista para as montanhas
Jardim mongol do século 17 com vista para as montanhas
Vista geral do Pinjore Garden com 7 níveis com quedas d´água
Vista geral do Pinjore Garden com 7 níveis com quedas d´água

Voltamos para Délhi porque daqui vamos para Varanasi de trem. Acabou-se a moleza de tour organizada. Estamos por nossa conta.

Perrengue: Só o frio que passamos por falta de aquecimento em todos os lugares (não é a Amérrica) e peguei um resfriado bravo. Nos preparamos para o frio mas não esperávamos chegar no hotel e ter que entrar embaixo de três cobertores para conseguir não morrer de frio. Internet só no lobby que era enregelante. Só consegui porque levava um cobertor e ficava embaixo. Foi dureza, acabavam os passeios e íamos para baixo do cobertor. Saímos só para comer.

3 comentários sobre “Himachal Pradesh – a Suíça na Índia

  1. Não tinha visto esse post, que demais essa experiência com os indianos. A sua descrição deles comendo, morri de rir! E o Himalaia é lindo demais, né?

    1. vcteixeira

      Tenho até dó quando leio aqueles comentários mas realmente gostar da Índia e do povo é difícil. Como disse o entrevistado Germano: a coisa mais difícil é aceitar a cultura dos outros. E no caso dos indianos é um pouco mais complicado. Principalmente depois que você vê como o resto da Ásia está tão melhor.
      Adoramos o Himalaia (ainda que médios). Boas viagens. Abraços.

  2. Anônimo

    Uau! Belo passeio que, mesmo com muito frio, mostrou belezas naturais e contruidas pelo homem; aventura inesquecível. Japir

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