Khajuraho – a cidade dos templos Kamasutra

Kandarya Mahdeva  Temple de 1025 AD, século XI. O maior templo de Khajuraho
Kandarya Mahdeva Temple de 1025 AD, século XI. O maior templo de Khajuraho

As esculturas do Kamasutra que estão em todos os três grupos de templos da cidade estão entre as melhores e mais refinadas em templos no mundo. Toda a fama de Khajuraho vem dessas esculturas, que são apenas 10% de todas as esculturas de cada templo, mas que retratam de tudo: bestialidade, homossexualidade, orgias, ménage-a-trois, sexo oral e várias posições diferentes e com muita sensualidade. A cidade é pequena, uma rua principal onde ficam todos os hotéis e restaurantes e os templos do oeste que estão em melhor estado de conservação. Os templos são trabalhos maravilhosos de escultura e arquitetura e datam do século X até XII (950 a 1050 AD), ou seja, medievais. Reza a lenda que Khajuraho foi fundada pelo filho do Deus da Lua, Chandra, com uma formosa mulher que se banhava no lago. Os templos, 85 ao todo, foram construídos pela dinastia Chandela e sobreviveram por cinco séculos até a dominação mongol. Quando os muçulmanos começaram a dessacralização dos templos, Khajuraho por ser pequena e não ter nenhum interesse especial conseguiu manter alguns templos que foram tomados pela selva e pelo tempo até serem redescobertos por um inglês vitoriano, em 1853, que ficou chocado com o que viu – achou que as esculturas eram muito mais quentes do que o necessário. Apenas 25 templos restaram e nós visitamos uns dez. Alguns ainda em escavação.

Mas além do erotismo as esculturas tem algo muito bonito que é o jeito de esculpir as mulheres sempre com muitos detalhes femininos, sempre curvadas para o lado e mostrando o ideal da mulher indiana cheia de curvas e feminilidade. A perfeição da escultura é tanta que mostram até a marca das roupas que a mulher acabou de tirar e os músculos tão perfeitos que algumas parecem estar em movimento. As esculturas também retratam cenas de guerra, do dia a dia da época (mulheres cuidando das crianças, tomando banho, se penteando, se maquiando) e do dia a dia dos soldados .

Os templos estão espalhados em quatro grupos. Os templos do oeste, melhor conservados, tem que pagar para entrar e são maravilhosos. Eles são muito diferentes de todos os outros templos da época. Sempre ficam em cima de uma plataforma enorme, a imagem dentro do templo sempre é iluminada pelo sol porque todos os templos são virados para o leste. Os templos do sul estão em pior estado e ainda assim são maravilhosas obras de arte. Os templos do leste também são abertos, menos conservados e também muito bonitos. Todos são da mesma época mas os escultores e arquitetos foram se refinando com o passar do tempo e dá para perceber pelas esculturas que vão ficando mais delicadas.

Templos do Leste
São dois grupos, primeiro três templos hindus e depois um complexo de tempos jainistas (aqueles que não acreditam em deuses, mas em profetas e que não sacrificam a vida de qualquer animal)

Bem preservado e com elefantinhos nas duas laterais
Bem preservado e com elefantinhos nas duas laterais

Jain Temples – Os templos jainistas são um complexo de três templos dentro de um espaço fechado, um parque e com um museu. Além dos três templos antigos existe algumas estruturas modernas usadas hoje.

Templos do Oeste

Em reformas mas as esculturas mostram cenas de caça, grupos dançando e tocando música e procissões reais
Em reformas mas as esculturas mostram cenas de caça, grupos dançando e tocando música e procissões reais
Outra vista do templo que tem leões e elefantes esculpidos
Outra vista do templo que tem leões e elefantes esculpidos

Ai saímos de bicicleta para conhecer os templos do sul que são mais afastados. Repassamos os templos do leste, conhecemos a velha Khajuraho no caminho, paramos para lanchar. Os templos do sul são menos conservados e abertos ao público. O pessoal local (indianos) depredam os locais. Ainda assim são bonitos, guardam as lembranças da glória do passado.

Templos do Sul

Chegar a Khajuraho foi ótimo. Chegamos durante o dia, depois de ficar naquele trem apenas com turistas. Tinha a cabine coreana, o trecho holandês, a cabine americana e a russa (separados por 10 cabines). Foi uma viagem maravilhosa. Silêncio total, todo mundo dormindo, ninguém comendo comidas com curry. Como o trem é 3AC quer dizer que cada cabine tem seis camas. Eu e o Carlos pegamos um ninho. Pegamos a lateral que têm apenas dois lugares, o de baixo e o de cima.

Sair também foi fácil, pegamos o trem em Khajuraho para Jhansi no horário pela primeira vez. Vazio, viajamos com dois indianos muito legais que tiraram mais outras tantas dúvidas que a gente tem da índia. Chegamos durante o dia, finalmente.

Perrengue 1: Como sempre, no segundo dia em BodhGaya começamos a preparar a ida para Khajuraho. Compramos as passagens de trem, de ônibus e data e hora marcada lá fomos nós. Dia frio, fog, ônibus saiu quase no horário. Só indianos e nenhum turista e lotado até o chão. Depois que todos entraram ainda colocaram mais dois pobrinhos para ir sentados no chão. Viagem de sete horas. Chegamos a Varanasi às 3 da manhã, o motorista parou e disse: estação ferroviária. Não conseguimos saber se era verdade ou não, apenas uma pessoa falava inglês e tentou nos ajudar e tivemos que sair. Era verdade, a ferroviária ficava a 2 minutos andando. O problema é que eles param em qualquer lugar, no escuro total. Ao sair eu torci o pé, vi estrelas, inchou e doeu por dois dias. Nada grave além da preocupação.

Perrengue 2: Chegamos a Varanasi, de ônibus, às 02h30min da manhã certos de que na ferroviária teria quarto. Explico: as estações aqui tem uma área que eles chamam de retiring room e que na verdade são quartos para você descansar ou passar a noite enquanto espera o trem. Tem quartos com ou sem ar condicionado, solteiro ou casal ou camas no dormitório. Os preços são os mesmos de hotel barato. Infelizmente, por causa do frio, estavam lotados. Inclusive o chão da estação também estava lotado. Eu fiquei na sala de vendas do retiring room com os funcionários de lá e o Carlos saiu para procurar hotel. Quarenta e cinco longos minutos (ninguém falava inglês, frio e eu sentada no banquinho com as malas, todos muito cordiais) depois ele voltou. Achou um hotel perto, hotel de estação. Não tinham água quente, mas sempre dizem que providenciam um balde com água quente para você porque eles tomam banho de balde. Nós não, né?

Perrengue 3: Já acostumados, esperamos pelo trem atrasado por 4 h para sair e depois 5 horas para chegar. Frio demais, trem enorme. Quando chegou ficamos abestalhados procurando nosso vagão. Descobrimos que estávamos no único vagão que ia para Khajuraho (o trem se dividiu em uma das estações, uma parte foi para outro destino e a nossa foi para Khajuraho) cheinho de turistas. O duro foi andar 40 vagões para lá e para cá procurando o nosso carro com o pé torcido doendo terrivelmente.

2 comentários sobre “Khajuraho – a cidade dos templos Kamasutra

  1. Wilde A Campos

    Apesar da beleza arquitetônica e do tamanho de todos eles, sem exceção, continuo sem entender como é possível tanto templo num só país. Quem promove a construção e a manutenção deles – vi um em reforma – se não existe o dízimo ou outra ajuda por parte dos devotos. Só o dinheiro dos turistas é o suficiente para isso? Khajuraho me pareceu a Sodoma da Índia, com toda forma de erotismo eternizada nas esculturas. Nem a Grécia conseguiu tal feito.
    E vcs documentaram tudo muito bem. Parabéns!

    1. vcteixeira

      Tem tantos templos quanto deuses. São tantos que eu não consegui entender todos. E o mesmo deus tem nome diferente dependendo da região. O que a sra viu em reforma é patrimônio da humanidade e deve ter dinheiro da UNESCO. Os outros é com o dinheiro dos fiéis mesmo. Eles deixam muito dinheiro no templo. Os turistas não deixam quase nada. Obrigada pelos parabéns.

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