Orchha – Bopal – Mumbai – o caminho de volta

Quando estávamos em Varanasi planejamos a volta para Mumbai. Infelizmente temos que voltar antes porque os trens e voos estão lotados e ficamos com medo de perder o voo para Bangcoc. Tivemos que fazer esse roteiro doido porque eram as únicas passagens de trem disponíveis. Finalmente os trens pararam de atrasar tanto. De Khajuraro para Jhansi atrasamos apenas uma hora.  Viajamos com dois indianos muito cultos e simpáticos num trem vazio. Chegamos durante o dia, pegamos um riquixá e fomos para Orchha porque Jhansi é apenas a chegada do trem. O interessante está em Orchha que é uma cidade muito pequena, uma das mais sujas que conhecemos, cheia de vacas, cabras, cachorros, etc. Poucos recursos. Não achamos nem leite nos mercadinhos. Indicaram-nos lojas para comprar leite in natura, no entanto como as vacas comem lixo e papelão, achei melhor não arriscar.

Orchha

Dia do festival Kumbh Mela que é uma peregrinação da fé hindu em que os hindus se reúnem em um rio sagrado para um banho no rio para limpar o karma. Ao fundo os cenotáfios reais.
Dia do festival Kumbh Mela que é uma peregrinação da fé hindu em que os hindus se reúnem em um rio sagrado para um banho no rio para limpar o karma. Ao fundo os cenotáfios reais.

A cidade, cujo nome quer dizer lugar escondido, tem templos, palácios e cenotáfios (memoriais para os reis mortos) muito bonitos e que já tiveram sua época de glória. Agora estão meio desgastados e sem conservação. Conservam a grandiosidade e a imponência. É uma cidade para chegar, ver os pontos turísticos e partir. Tem pouca infraestrutura e muita sujeira.

Observem o tamanho do rabo desse macaco.
Observem o tamanho do rabo desse macaco.

Orchha é conhecida como a cidade dos doces de leite. Nunca vi tantas pequenas fábricas e tanto doce como lá. E a mioria é para ser comprado e levado aos templos para os deuses. Quando chegamos a Orchha o Carlos me deixou na rua dos doces e foi procurar hotel. Eu fiquei observando o menino que fazia doces do jeito que as mães e avós faziam doce no Brasil. Não fosse a quantidade de moscas e a falta total de higiene seriam de lamber os beiços. Fiquei olhando enquanto esperava e o rapaz que fazia o doce, gentil que foi, me ofereceu o doce ainda mole, num pedaço de jornal. Que saia justa, muito constrangida tive que recusar.

Cada portinha dessa é uma doceira
Cada portinha dessa é uma doceira

E enquanto estávamos em Orchha aconteceu um evento que só ocorre a cada 12 anos e 2013 era o ano: o Kumbh Mela. Feriado santo para os hindus que tem que procurar um dos rios sagrados e tomar banho nele até a hora do almoço.

Saímos de Jhansi para Bopal de trem. Foi nossa primeira experiência num trem super rápido e no vagão CC (Chair Car) que é igual a avião com bem mais espaço. Teve inclusive almoço que pudemos escolher se era vegetariano ou não. Escolhemos não vegetariano, veio um frango ensopado com osso apimentadíssimo. Ainda bem que eles dão água mineral também. Atrasou apenas duas horas no trajeto, tivemos como companhia um estudante de Medicina muito simpático que respondeu todas as nossas perguntas.

Bopal

Bhopal on Wheels – o melhor jeito de conhecer Bopal. Faz um tour pela cidade toda.
Bhopal on Wheels – o melhor jeito de conhecer Bopal. Faz um tour pela cidade toda.

Bopal é uma cidade de dois milhões de habitantes, 40% muçulmanos e é a capital do estado. É a cidade de maior população muçulmana da Índia e volta a ser comum ver mulheres todas coberta de negro como vimos na Jordânia. A cidade foi fundada no século 19 por governantes muçulmanos. É uma cidade moderna, ampla, mais limpa e com calçada. Tem shopping centers e foi aonde vimos o primeiro supermercado tipo ocidental da Índia. Tem a cidade velha onde ficam a ferroviária, as mesquitas, os mercados de rua e onde escolhemos o hotel para ficar. Essa parte é como todas as outras cidades da Índia. Na parte nova, onde estão os dois lagos de Bopal, ficam as casas bonitas e a elite da cidade. No lago eles tem seus barcos de alta velocidade para passear nos finais de semana.

Ao lado do templo tem um museu com esculturas do século sexto
Ao lado do templo tem um museu com esculturas do século sexto

Mumbai

Hotel Taj Mahal, um dos pontos de interesse de Mumbai. Onde aconteceu o atentado em 2008
Hotel Taj Mahal, um dos pontos de interesse de Mumbai. Onde aconteceu o atentado em 2008

De Bopal para Mumbai o trem atrasou 45 minutos para sair e recuperou no caminho chegando no horário. Dormimos a noite toda, casal de indianos muito gente fina, chegamos em Panvel e pegamos o trem suburbano horário de rush. Voltamos para o hotel da primeira vez (leia perrengue) e começamos a pensar o que fazer nesses sete dias que nos resta na Índia. Domingo teve maratona em Mumbai com largada às 05h40min da madrugada, mas eu decidi que ia assistir e fui.

Passear novamente por Mumbai agora já conhecendo os caminhos e lugares.

E como tínhamos mais uma semana inteira decidimos ir para uma praia próxima a Mumbai de onde fosse fácil voltar para pegar o voo. Depois de ler muitos guias e de ir até a oficina de turismo decidimos por Alibag que conseguimos chegar pelo mar tomando um catamarã e mais um ônibus.

Alibag

Praia de Akashi, 8 kms de Alibag, quase deserta durante a semana, plana, ampla e quase limpa. Areia escura.
Praia de Akashi, 8 kms de Alibag, quase deserta durante a semana, plana, ampla e quase limpa. Areia escura.

Chegar a Alibag foi fácil. Acordamos cedo, pegamos um táxi até o Gateway of India, dali pegamos o catamarã até Mandwa que é o porto e dali um ônibus até Alibag. Então pegamos um riquixá até perto da praia para procurar um hotel. Como toda praia frequentada apenas por indianos, essa também é suja porque eles jogam o lixo por todo o lado na praia. Além de areia escura e muitos animais. Ainda assim os hotéis são caríssimos porque como definiu bem um indiano para mim “o lixo é problema para vocês, nós não ligamos a mínima”. Achamos um hotel extremamente decente e mais barato que os outros.

Vista do catamarã que vai até Alibag
Vista do catamarã que vai até Alibag

E depois de estabelecidos, tentamos achar onde comer fomos conhecer a cidade, comprar frutas e achar lojinhas de comida (porque não achamos onde almoçar) e dar a primeira olhada na praia. Descansamos e no dia seguinte pela manhã fomos conhecer a praia. Para a direita a praia acaba e tem um forte que podemos visitar na maré baixa. Fomos para a esquerda e daí deixo para o perrengue.
Nos dois dias seguintes fomos para uma praia a 8 kms de Alibag para conhecer e caminhar. Akshi e Nagaon são duas praias bem melhores e que estão nas fotos.

Carlos para mostrar a imensidão da praia de Nagaon
Carlos para mostrar a imensidão da praia de Nagaon

Foi aonde vimos as preparações para o casamento do ano na cidade. Dois ricos moradores iam se casar e resolveram fazer esse casamento enorme. A instalação era para 5000 pessoas que acreditamos ser a população total do vilarejo. Ficamos admirados e encantados.

Vejam a imensidão de cadeiras para os convidados
Vejam a imensidão de cadeiras para os convidados

E como sempre pegamos uma festa na cidade. A cidade é majoritariamente muçulmana então a festa era muçulmana e não fotografei. As mulheres ficam num lugar separado e fechado. Mas na redondeza ficam as comidas e eu adorei esses pães sendo feitos na hora.

Voltamos para Mumbai para mais dois dias. Fomos passear na beira da praia no feriado do Dia da República. Estava tudo muito tranquilo e foi uma despedida agradável. Agora rumo a Bangkok.

Perrengue 1: Reservamos o hotel em Mumbai e o gerente não manteve a palavra. Sempre chegamos preparados para procurar hotel e em aqui tínhamos certeza da reserva. Falhou. Tivemos que ir para outro hotel mais caro e pior. E ficar por lá até ir para Alibag.

Perrengue 2: Em Alibag resolvemos ir caminhar na praia. Afinal praia é para isso: caminhar, tomar sol e beber. De um lado a praia acaba e então decidimos ir para o outro lado. Fomos andando e pulando coco. E cada vez mais coco. Ai vimos dois homens fazendo as necessidade e já achamos estranho. Só descobrimos que estávamos em uma latrina quando chegamos à parte reservada para as mulheres e a mulher que estava lá avisou que ali era o banheiro e que não era para a gente andar ou ficar. Quando acaba a praia, em terra, existe uma favela. Como eles não tem saneamento básico decidiram que a praia seria o banheiro deles e inutilizaram 2 km de praia pública. E então tivemos que voltar tudo aqui, pulando coco por todo lado. Noventa dias de Índia e ainda ficando chocados. Sem dizer que o resto da praia era um lixo só.

Pena que essa cena encerrou nosso período de Índia
Pena que essa cena encerrou nosso período de Índia
Alibag - resto da praia que não é toalete
Alibag – resto da praia que não é toalete

4 comentários sobre “Orchha – Bopal – Mumbai – o caminho de volta

  1. Maria Luiza Novaes dos Santos

    Ola queridos ,mas que aventura não? Tenho acompanhado sempre as peripécias e achando espetacular esta disposição de voces.Parabens e continuem sempre assim .Abraços saudosos.

    1. vcteixeira

      Obrigada tia. O Carlos manda oi. Ficamos felizes que alguém goste das nossas trapalhadas pelo mundo. Grandes abraços para todos vocês.

    2. vcteixeira

      Querida tia, obrigada pelos elogios. Agora a viagem está ficando cada vez mais divertida. Esses países da Ásia, dos quais não sabemos nada, estão nos surpreendendo cada vez mais. E para o bem. Beijos a todos.

  2. Wilde A Campos

    Não fecharam com chave de ouro, mas vamos ser otimistas e esperar que na Tailândia, tudo fique mais ameno sem tantos perrengues. Lamentável a história da praia-latrina. Mesmo em Orchha, cidade pequena e suja, como vc descreve, existem monumentos antigos e lindos para serem vistos, não fora essa total ausência do senso de higiene da população indiana. Continuarei com carinho, junto com vcs. Bjs.

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