Chiang Mai – a terra dos mil templos

Tribo Karen – Padaung as mulheres com os anéis no pescoço
Tribo Karen – Padaung as mulheres com os anéis no pescoço

Chegamos a Chiang Mai às 5:30 da manhã, numa rodoviária completamente fechada mas como sempre cheia de tuk tuks. É sempre assim, você meio dormindo meio acordado, tentando descobrir onde está e os motoristas te cercando e perguntando aonde você vai, mostrando mapas e preços. É sempre um momento estressante. O Carlos sempre tem que achar um toalete para colocar as lentes (caso contrário ele não enxerga nem o tuk tuk) e eu fico guardando as malas. Nisso todos desaparecem porque chegam e vão para seus destinos. Dessa vez fiquei eu e uma alemã chamada Anya, muito gracinha, que queria tomar café para poder pensar. Para nossa sorte, existe um Seven Eleven (aquelas lojas de conveniência que no Brasil não deram certo) a cada cem metros e todos tem café (Nescafé e água quente).
Voltaram os dois e eu já tinha negociado o songthaew para o centro da cidade. Fomos deixados no hotel que a Anya tinha indicação que era perto dos que a gente ia procurar. Infelizmente, sempre chegamos cedo, sempre quando todos os hotéis ainda estão fechados ou lotados porque o checkout ainda não ocorreu. Esse estava fechado, mas tinha um jardim onde ficamos esperando, e o hotel estava lotado. O Carlos foi procurar outro. Achado hotel e acomodados fomos tomar café da manhã numa cafeteria expressa afinal Chiang Mai é extremamente turística e tem de tudo. É ótimo porque é nossa despedida da Tailândia.

Capuccino chic assim na Ásia é um prazer. Olhe a cara de sono
Capuccino chic assim na Ásia é um prazer. Olhe a cara de sono

O núcleo principal da cidade era rodeado por uma muralha fortificada da qual agora só restam cinco portões, um de cada lado da muralha. Ficamos dentro da cidade antiga, perto do Tha Pae Gate. Dentro das muralhas ficam belíssimos templos antigos. Apesar do nosso cansaço de ver templos sempre temos surpresas com a beleza deles.

Talvez haja mais do que 30.000 000 wats (templos) no reino. Cada complexo (são dois ou três templos, um monastério e às vezes uma universidade) é único assim como cada período dos onze séculos de história religiosa tailandesa, todos caracterizados pelos mesmos componentes idênticos. A arquitetura religiosa e o desenvolvimento cultural podem-se traçar desde o período Khmer do nono século, através dos períodos Sukhothai, Ayutthaya e Lanna até à era atual Rattanakosin. A tradicional arquitetura Thai é quase exclusivamente dominada pela religião. Os arquitetos creem que o ato da criação deve ser um ato de mérito e de representação de verdades estáveis, mais do que um ato de expressão. O complexo wat dos templos é um exemplo perfeito desta concepção.

Muitos templos também são escolas e universidades. Alguns meninos vão para o templo não para serem monges e sim para poder estudar. Quando completam 20 anos podem decidir se querem continuar monges ou voltar para a vida normal. No dia da nossa visita estavam comemorando o aniversário da universidade e estavam fazendo festa e distribuindo comidas, bebidas e doces (maravilhosos) gratuitamente. A princípio ficamos sem graça, mas insistiram tanto, queriam que a gente tirasse foto em frente à barraca deles que topamos

À tarde, junto com a Anya, fomos até o portão norte e pegamos um songthaew (depois de muito pechinchar) para nos levar e trazer do Wat Phra That Doi Suthep.

Chiang Mai é o centro cultural do norte da Tailândia. Fundada em 1296, doze anos depois de Sukhothai, a primeira cidade do reino, a cidade permanece intacta ao longo do tempo, mantendo a sua importante função espiritual sobre toda a região. Chiang Mai foi o lugar de nascimento das fascinantes tradições da cultura do norte e da religião budista na Tailândia. Para além das atrações naturais e culturais, a cidade é famosa pela beleza dos seus habitantes e não só pela legendária atração das mulheres que cada ano estão entre as favoritas do concurso de Miss Tailândia.
Os tailandeses asseguram que ninguém se pode comparar à beleza e à gentileza própria do povo de Chiang Mai. Aqui, o sentido da hospitalidade está profundamente enraizado, e todos os anos os tailandeses acorrem vindos de todas as partes do reino para assistir aos festivais que se celebram na cidade, para se divertirem e para desfrutarem da amizade e da hospitalidade que caracterizam os habitantes do lugar.
Situada a 700 quilômetros de Bangkok, Chiang Mai exerce um encanto mágico e muito particular.
O campo que rodeia Chiang Mai oferece uma ampla variedade de atrações: magníficos jardins, aldeias tribais da montanha, escolas para os elefantes na selva e belezas naturais como cataratas, grutas e altos picos montanhosos. Por isso também é a capital dos esportes radicais. Tem para todos os gostos: treking, escalada, rafting, etc. Nós decidimos pelo mais normal. Fizemos um passeio que incluía visitar um orquidário e uma fazenda de borboletas, fazer bamboo rafting no rio, andar de elefante pela mata e pelo rio, ver as mulheres pescoçudas e visitar uma cachoeira.

Garota Long Neck
Garota Long Neck

No dia seguinte eu fui fazer um dia de culinária na fazenda e o Carlos tirou o dia para fazer o que ele mais gosta: caminhar até cansar. E depois fez uma massagem nos pés no centro de aprendizado do monastério. Voltamos os dois felizes. E nada como umas férias um do outro depois de quase cinco meses grudados dia e noite. O curso de culinária foi excelente. Pickup no hotel, visita ao mercado local para aprender sobre os ingredientes, trem até a cidade onde está a fazenda e pedalada até a fazenda. Trem vazio, bicicletas novinhas. Apenas 6 pessoas por curso. Chegamos, tomamos café e água e já começamos. Cada um escolhe os seis pratos que quer fazer de acordo com uma relação definida. É aprender, fazer, comer e depois voltar pelo mesmo caminho da ida. Foi uma delícia, quebrei inúmeros preconceitos sobre a comida, aprendi a entender o que andava comendo. Amei. Valeu cada centavo.

A cidade moderna está por descobrir, com as comunidades e serviços mais modernos  de Bangkok numa dimensão mais humana e reduzida.

E assim nos despedimos da Tailândia. Com certeza foi pouco tempo, mas temos que andar. Adoramos o país, as pessoas, as cidades. Se der um dia a gente volta.

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