Luang Prabang – o charme francês

O que há de mais típico em Luang Prabang: a ronda das almas
O que há de mais típico em Luang Prabang: a ronda das almas

Compramos a passagem para o Laos no hotel em Chiang Mai. Muito apreensivos: nossa primeira fronteira por terra e nosso primeiro país comunista. Pick up na hora certa e lá vamos nós para mais uma viagem. Van até a fronteira em Chiang Khong. Na van somos em doze mas alguns vão dormir na cidade e irão descer o Mekong de barco durante dois dias. Para cruzar somos sete: nós, uma canadense, uma neozelandesa, uma belga, duas eslovenas perdidas no mundo que mesmo sabendo que temos que pegar o visto no Laos não levaram nem dinheiro e nem as fotos e acabaram atrasando todos nós. De homem, só Carlos. Na fronteira somos ajudados por um tailandês que avisa o que temos que fazer. Saímos da Tailândia e nos deparamos com o “ferry” que nos levaria até o outro lado do Mekong. Chegamos só nós os turistas, preenchemos os papéis, pagamos os US$ 31 e esperamos o visto. Um calor infernal. Ainda bem que a menina do ônibus apareceu porque, como sempre na Ásia, não temos passagem e nem informação nenhuma apenas uma etiqueta colada em nós escrita “BUS”. Levou-nos para o songthaew e fomos para a rodoviária pegar nosso ônibus “VIP”.

Doze horas depois, milhões de curvas, estrada esburacada (se você sofre de enjoo, prepare-se porque é terrível) chegamos a Luang Prabang às cinco da manhã numa rodoviária fechada, sem banheiro e apenas com os táxis amontoados nos esperando. Mais um songthaew e somos deixados em frente ao hotel que escolhemos que ainda está fechado e que só vai nos aceitar às 10 da manhã. Fomos tomar café na cidade para esperar e aí todo o cansaço, apreensão e preocupação acabaram. O Laos fazia parte da Indochina francesa junto com o Camboja e o Vietnã. A França deixou o Laos nos anos cinquenta , ao contrário da Índia, eles conseguiram manter as coisas. A colonização francesa deixou uma herança graciosa: as casas são em estilo francês, tem baguete, pão francês, as placas são em francês, tudo limpo, carros novos, população simpática. Não é a toa que é patrimônio histórico da humanidade. Amamos a cidade, que surpresa, um país comunista tão bom e diferente. Também não vimos propagandas políticas apenas o líder do politburo em todas as notas de kip (o dinheiro local) que é cheio de zeros. O dinheiro deles é tão fraco que nem moedas têm.

Voltar para o hotel, descansar e sair para almoçar. Como todos os preços são em kip e o kip é desvalorizado assusta a gente. Um macarrão com frango custa 30.000 kip. Eles tem vários pratos que conhecemos na Tailândia e alguns típicos daqui.

Nosso restaurante por três dias: bom, seguro e barato.
Nosso restaurante por três dias: bom, seguro e barato.

Em Luang Prabang descobrimos a BeerLao no Night Market. Comemos peixe do Mekong com o buffet de 10.000 kip. A BeerLao a é uma delícia, talvez porque o calor é tanto que tudo gelado fica bom. Mas é melhor que a Singha ou a Chang da Tailândia.

Tem quatro atrações imperdíveis em Luang Prabang. Uma delas é ir ao Night Market ver a feira de artesanato. Fizemos isso todas as noites inclusive para comer, mas não tenho fotos. A outra é acordar às 5:00 da manhã para ver os monges de todos os templos (e são inúmeros) andar pela cidade, em fila, esperando que os locais coloquem arroz na sua sacola. É um ritual antigo e as pessoas acordam cedo para cozinhar arroz, levam um banquinho, porque não podem olhar o monge de cima, e ficam sentadas dando um punhado de arroz para cada monge que passa. Isso é um modo de conseguir mérito na religião. Chama-se “alms giving” em inglês que quer dizer dar esmolas que foi traduzido como Ronda das Almas. Tudo isso está sendo destruído pelos turistas que se amontoam e acotovelam nas ruas, compram o arroz já pronto e muitas outras guloseimas e atrapalham tudo. Dão flash na cara dos monges, ficam no caminho e desrespeitam a cerimônia que é antiga, religiosa e solene. Ainda assim continua linda e muito séria.

A outra é ir conhecer a Kuang Si Falls, as cachoeiras calcárias, de linda cor azul e verde. É pegar um tuk tuk, andar por 40 minutos, observar a vista espetacular, pagar e aproveitar. Vale a visita porque é muito diferente e bonita parecem copos de champanhe transbordando. Lembrou um pouco Pamukkale e por causa dos ursos. Eles têm um lugar onde protegem o urso do Laos que é um urso menor.

Piscinas calcarias em lindo tom azul
Piscinas calcarias em lindo tom azul

No nosso último dia em LP alugamos uma bicicleta e fomos andar pela cidade e pelas vilas da região. A cidade foi feita para andar a pé ou de bicicleta. Fomos ver os templos, os lugares turísticos, tudo o que não tínhamos visto até então. Visitamos duas vilas cerca de 6 km de LP: Bang Xieng Lek and Ban Xang Kong que são famosas por seus teares e papéis artesanais. No caminho vi as senhoras pegando tamarindo do pé (eles usam demais na culinária) e não resisti. Fui catar e comer. Coisas da infância. Aqui no Laos não tiramos os sapatos apenas para entrar nos templos, tiramos para entrar em todos os lugares, até no hotel. É muito chato. Só andamos de chinelo porque é mais fácil. As vilas da região fazem muito artesanato: tecidos com seda e o que eles chamam de sapaper que é papel feito artesanalmente. São lindos, tudo é de muito bom gosto, com tinturas naturais. Pena que eu não posso comprar.

Nós, em frente ao National Museum com nossas super bikes (câmbio Shimano) alugadas. O museu foi casa de reis.
Nós, em frente ao National Museum com nossas super bikes (câmbio Shimano) alugadas. O museu foi casa de reis.

E depois de toda essa atividade ir para a terceira maior atividade turística da cidade: ver o por do sol no Mekong , do alto do Mount Phosi onde fica a famosa (e sem graça) estupa Thai Chomsi. Eles cobram entrada para a estupa, mas ninguém vai lá para vê-la. Todos vão para ver a cidade e o por do sol porque dali se descortina uma vista da cidade muito bonita. Fica lotado de gente, difícil conseguir um lugar e vale o esforço.

Vistas românticas do Mekong

Dá para entender porque gostamos tanto da cidade e começamos a amar o Laos onde moram os laosianos simpáticos que falam a língua lao. Que é muito parecida com thai. Daqui vamos pegar outro ônibus e seguir para Vang Vieng, ao sul de LP, mas isso é para o próximo post.

Um comentário sobre “Luang Prabang – o charme francês

  1. Wilde A Campos

    Ficou tudo muito romântico e delicioso de se ver pq tuas descrições de cada lugar, de cada coisa ou pessoa, são carinhosas e delicadas e faz-nos esquecer mesmo que se trata de um país comunista. O restaurante, os chalés e o museu, que foi casa de rei, são uma graça. Tirando a quantidade de monges e a de kips do Carlos, não pareceu-me haver muitas outras coisas ou pessoas por aí. Parece tudo muito tranquilo. Aproveitem a paz. Bjs.

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