Vientiane – sem grandes emoções

Patuxay ou Victory Gate
Patuxay ou Victory Gate

O Laos, esse país que um dia fez parte da Indochina francesa, é um país de 6 milhões de habitantes e Vientiane é a capital. Uma cidade de 210.000 habitantes, perto do rio Mekong e muito tranquila. Dizem que é a capital mais parada do mundo. Deve ser. Mas não é por isso que é mais barata que as outras. Chegamos a Vientiane às 16:30 e fomos deixados bem no centro da cidade. Como não tínhamos ideia de onde estávamos, pegamos um tuk tuk que andou 5 quarteirões e nos cobrou US$ 3. Fazer o que, sem mapa, sem conhecer a cidade, pagamos o mico e o tuk tuk. O hotel que escolhemos estava lotado. Fiquei sentada esperando e o Carlos foi procurar. Voltou até que logo porque vários hotéis estavam lotados e todos eram caros (para padrões do Laos e da Ásia). Tivemos que ficar em um hotel bem simples ainda que bem localizado – um quarteirão do Mekong que tem um calçadão onde tudo acontece.
A cidade é bem cuidada, bonita, moderna, tem aquele ritmo tranquilo do Laos e não tem muito para fazer. Paramos aqui para conhecer a capital e separar uma viagem que caso contrário seria de 20 horas de ônibus. Também descobrimos que o ônibus que sai de Vang Vieng ia parar em Vientiane para trocarmos de ônibus e continuar a viagem. Então paramos.
Aqui também não vimos propaganda política nenhuma, pouquíssimos policiais e quando vimos estavam fazendo batida para pegar motoqueiro sem capacete. Também continuam os pequenos negócios, não tem lojas grandiosas e sim muitas lojas de uma ou duas portas e que são tocadas pela família. Igual aos restaurantes e lanchonetes. Os restaurantes mais simples usam como guardanapo um rolo de papel higiênico que fica dentro de um quadrado plástico. É estranho e funciona. Os talheres ficam em um porta-talheres na mesa. É só pegar quando precisa. Continuamos a nossa busca por sabão em pedra que desde a Tailândia sumiu de cartaz. Só achamos sabão em pó. E continuamos encontrando os mesmos viajantes pelo caminho: as eslovenas que cruzaram a fronteira do Laos com a gente, os ingleses – Ian, Mike e namorada – que encontramos em Luang Prabang e Vang Vieng, a chilena que encontramos em Luang Prabang. Ou seja, todos fazem o mesmo roteiro.
Vientiane tem cinco pontos turísticos: o Patuxai Gate , Pha That Luang, o Mekong, o Wat Si Saket e o Budha Park.
Conseguimos ver quatro desses. Num ataque de “chega de templos” pulamos o Wat Si Saket por falta de paciência e porque ele não parecia lá grande coisa. Patuxai Gate (Victory Gate) que quer dizer Portão da Vitória foi construído quando Laos era uma monarquia constitucional e era para ser dedicado a memória dos soldados laosianos que morreram na II Guerra Mundial e pela independência da France em 1949 no pós-guerra. Foi construído com o dinheiro que os americanos mandaram para fazer um aeroporto. Quando a monarquia caiu o Portão da Vitória passou a representar a vitória contra a monarquia. Até hoje não está completo apesar da contínua liberação de fundos para tal.
Parece o Arco do Triunfo de Paris e é possível entrar e subir para ter vistas da cidade. Hoje serve para os turistas descansarem do calor na sua sombra e como ponto de encontro dos locais. É um lugar bem cuidado e bonito

Patuxai – Victory Gate – fica no coração da cidade e no final de uma avenida que ficou muito parecida com as largas avenidas de Paris
Patuxai – Victory Gate – fica no coração da cidade e no final de uma avenida que ficou muito parecida com as largas avenidas de Paris

Depois, pelo mesmo caminho, fomos até o Pha That Luang ou a grande estupa. Foi construída no século III como templo hindu. Monges budistas trouxeram um osso do peito de Buda para a estupa (é isso que é uma estupa – um relicário). Com o passar do tempo virou um templo Khmer, foi destruído na invasão do Laos pelos chineses, siameses e pela Tailândia. Reconstruído pelos franceses. Fica bem distante do Patuxai e andamos muito. Chegamos lá em cima da estupa morrendo de sede e o jeito foi tomar uma garapa, aqui chamada de suco de cana. Na verdade eu chamei de suco de moscas porque eram tantas. Mas eu já descobri que não existe nada tão ruim que você não possa tomar ou comer quando precisa.

Pha Thtat Luang – uma pirâmide enorme que antes era coberta com folhas de ouro
Pha Thtat Luang – uma pirâmide enorme que antes era coberta com folhas de ouro

E as minhas figuras favoritas: os monges. Sempre de sombriha preta. É tão comum que os artesãos quando pintam quadros retratam sempre os monges com a sombrinha preta.

E o Mekong que domina a cidade e que estava seco. Tem um calçadão muito bonito e bem cuidado com uma feira de artesanato e comida todas as noites. Também tem ginástica em vários pontos do calçadão. E aí, depois de andar o calçadão, olhamos para o rio e cadê o próprio? Estava seco. Porque o inverno para ele quer dizer falta de chuvas. Tivemos que andar uns 20 minutos, na areia do leito até achar um pedaço do rio.

E aí pegamos um ônibus local para ir até o Budha Park. É claro que pegar ônibus local depende de várias perguntas, muitas repetições das perguntas e, com todos tentando ajudar, chegamos ao primeiro destino onde teríamos que pegar outro ônibus local. Mas passamos medo. O ônibus começou a entrar na ponte da amizade e pensamos que ele ia cruzar a fronteira coisa que não queríamos e nem podíamos fazer. Acalmados pelo cobrador, chegamos ao ponto final. Lá pegamos um ônibus local, caindo aos pedaços para chegar até o parque. Descobrimos no caminho porque o ônibus era o que era. A estrada é intransitável. Só buracos. Foi um sacolejo só até sermos deixados na entrada do parque.
O parquet é moderno, de 1958 e foi feito pelo venerável Luang Pu que queria integrar a fé budista com a fé hindu. Assim as estátuas são construídas com essa visão, feitas de concreto. Tem algumas coisas muito bizarras a começar pela da entrada que lembra uma grande abóbora de três andares e que a gente pode entrar e ver um labirinto meio tétrico. Chegamos a conclusão que o grande xamã cheirava, bebia e fumava. Não é bem conservado. Também tem um Buda reclinado de 120 metros. As esculturas são de deuses humanos, animais e demônios. Muitos Budas e também alguns deuses hindus.

Dois dias em Vientiane e compramos nossa passagem para Don Det – as 4000 Ilhas do Mekong. Deixamos a cidade aborrecida para conhecer as ilhas do Mekong. Saímos sem saudades porque a cidade, apesar de ajeitada, bonita e tranquila também não tem grandes atrações. Encerramos a capital.

4 comentários sobre “Vientiane – sem grandes emoções

    1. vcteixeira

      Obrigada, Débora.
      Às vezes tenho que escrever na correria porque são tantos os lugares mas tento ser clara e simples.
      Adoramos a Ásia. Foi uma total surpresa. Nem esperava tanta beleza e simplicidade.
      Bjus também.

  1. Diana

    Estou viajando com vocês…muito bom e agradável ler as aventuras .Sorte para vocês até ao final da jornada é o meu desejo.

    1. vcteixeira

      Muito obrigada por ler e pelos desejos de sorte. Precisamos mesmo. Apesar que depois de visitar tantos templos, melhoramos nossos karmas e muitas pessoas boas tem nos ajudado durante a viagem. Abraços.

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