Don Det – um quarto para três

Vista da ilha no lado do por do sol
Vista da ilha no lado do por do sol

Decidimos parar em Don Det por dois motivos: fica na fronteira com o Camboja então de lá seria fácil e menos demorado e quebraríamos a viagem em duas e porque chamam a região de 4.000 ilhas e achamos que seria um lugar muito bonito. Chegar até lá foi realmente uma viagem. Primeiro um tuk-tuk transbordando de gente, um calor horrível, até a rodoviária. Pegamos um sleeping bus (ônibus com cama) que é super engraçado. Cada lado tem dois leitos (parece mais uma maca) juntos. Se você está em casal tudo bem, mas se você está sozinho pode acabar dormindo ao lado de um completo desconhecido, porém sempre do mesmo sexo. O ônibus tem ar condicionado e dá uns edredons que vieram da guerra do Vietnã (antigos e esfarrapados) e conseguimos dormir a noite toda. Eu bem porque sou pequena, o Carlos encolhido e espremido. Mais divertido ainda era ver aqueles europeus enormes tentando se acomodar. Ônibus lotado e a maioria turista. Só o tuk-tuk que viemos já era metade do ônibus.

Chegamos a Pakse pela manhã e fomos levados numa van até a empresa do ônibus. Esperamos algumas horas usando o wi-fi, alguns tomaram café, nós tomamos o lanche que levamos até chegar o ônibus para Don Det (uma das 4.000 ilhas). Chegamos ao porto embaixo deu um sol de Deus me livre, tivemos que andar até o barco (uns 500 metros) com bagagem, andar pela praia de areia (de tênis) e embarcar em um barco pequeno. Ainda bem que Don Det é a primeira ilha. Saímos às 18:00 e chegamos no outro dia às 13:00.

Barco saindo de Ban Nakasang  para ir para Don Det. Embarque e desembarque na areia da praia.
Barco saindo de Ban Nakasang para ir para Don Det. Embarque e desembarque na areia da praia.

Suados, calor absurdo, dia mais quente do Laos, paramos em um restaurante para almoçar, descansar e para eu esperar enquanto o Carlos procurava hotel. Achou, voltou todo feliz porque tinha achado um hotel com pia (na faixa de preço que a gente queria isso era raridade) porque como ele usa lentes de contato ele precisa pia. Por conta disso escolheu um bangalô primitivo. Vamos dizer primitivo para não chamar de muquifo. Na beira do rio, com varanda, rede e vista para o rio. Sem ar condicionado e sem água quente (mas não precisava tamanho o calor).

Don Det é uma ilha pequena. São 7.2 km para caminhar e dar à volta na ilha demora duas horas. A ilha não tem nada. São duas ruas. Uma em direção ao nascer do sol (no rio) e outro em direção ao por do sol (também no rio). Bares, restaurantes, bangalôs, mercadinhos e só. Calor demais. Só na caminhada tomamos uma coca 2 litros. E nessa ilha ficamos dois dias, sem fazer nada além de amizade com um casal da Nova Zelândia muito legal e que a gente ficava se encontrando a toda hora (a ilha é tão grande….). No segundo dia na ilha fomos fazer tubing (andar de boia) no Mekong. A ilha tem uma prainha pequena, suja e onde você tem que disputar espaço com os búfalos que ficam por ali, entram na água para amenizar o calor e enchem a praia de esterco. Ainda assim tivemos coragem de passar por ali, colocar as boias no rio e descer a correnteza. Pelo menos descansamos um pouco. Isso porque a gente nem imaginava como ia ser a viagem até o Camboja. Devo dizer em defesa de Don Det que os mochileiros loucões e jovens adoram. Vão para lá e lá ficam comendo e bebendo cerveja.

Rua principal da ilha
Rua principal da ilha

E essa foi nossa despedida do Laos uma terra que aprendemos a gostar, que nos surpreendeu e que nos fez acreditar que o mundo poderia ser melhor se todo lugar fosse seguro e tranquilo assim. Entre 1964 e 1975, com a desculpa da guerra do Vietnã, os bombardeiros norte Americanos B52 jogavam bombas a cada oito minutos, 24 horas por dia. O país recebeu mais bombas nesse período do que foi jogado durante toda a II Guerra Mundial. Dos 260 milhões de bombas que caíram, 80 milhões não explodiram deixando um patrimônio mortal. Laos é o país que mais recebeu bombas per capita no mundo. Ainda assim não vemos revolta, crimes, armas. Somos extremamente bem recebidos e estão sempre alegres. A pressão não é nem 1/4 da que tivemos dos indianos. Levaremos apenas boas lembranças e saudades da BeerLao.

Perrengue:
O bangalô era uma palafita e pelas tábuas do chão a gente via o rio. As frestas no chão e no teto eram enormes. As tomadas que acendem a luz ficavam fora do quarto. Calor infernal, pernilongos, o quarto tem um mosquiteiro que cobre a cama toda para evitar os pernilongos e isso faz ficar mais quente ainda. Decidi dormir nua. Uma da manhã, completo breu e silêncio escuto um barulho estranho no quarto. Chacoalhei o Carlos e avisei: Tem algum bicho aqui dentro. Ele rosnou, virou e dormiu e eu fiquei lá congelada. Eu criei coragem, tirei o mosquiteiro da frente, coloquei o pé no chão, morta de medo, e sai do quarto nuinha para acender a luz. Voltei e não achei nada. Como todas as nossas coisas estavam no chão (mochilas, sacola das comidas, etc.) revirei tudo e não achando nada voltei para a cama. Deixei a luz do banheiro acesa. Mais um cochilo e ouço o barulho novamente. Só que tinha a luz do banheiro. Quando me mexi na cama vi o ratão pular e escutei os pezinhos?? dele pelo quarto. Tirei a sacola de comida do quarto, pendurei no teto da varanda do lado de fora e tivemos paz o resto da noite. Dia seguinte fui ver os estragos. O nosso companheiro de quarto roeu a sacola da comida e depois a embalagem dos biscoitos oreos. Roeu os biscoitos até onde eu acordei – meio pacote. Na noite seguinte eliminamos a sacola de comida do quarto e tivemos noite tranquila.

Serviço do rato. Estragou nossa sacola da Jordânia que estava com a gente a cinco meses
Serviço do rato. Estragou nossa sacola da Jordânia que estava com a gente a cinco meses
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2 comentários sobre “Don Det – um quarto para três

  1. Wilde A Campos

    Seria cômico, não fosse triste, qualificarmos como “cama de casal”, aquelas macas ou de “Frente de Hotel”, a entrada para a palafita, mesmo sendo numa pequena ilha primitiva. Ainda assim, é incrível a capacidade do povo do Laos de se reinventar, sobreviver e agradar os turistas. Até o visitante inusitado, passado o susto e a perda dos lanchinhos, deve ter sido motivo de boas risadas. E no final das contas, só o tubing valeu o sacrifício. Bjs e novas aventuras pela frente.

    1. Japir

      INcrivel que em um lugar tão rústico, bombardeado como o foi pelos americanos, vocês encontraram boa acolhida, até pelo rato que saboreou os biscoitos; é bom viajar como vocês para depois comparar!. Japir

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