Hoi An – a verdadeira Indochina

Nós em frente à loja de lanternas de seda que eles fazem artesanalmente
Nós em frente à loja de lanternas de seda que eles fazem artesanalmente

Depois de uma viagem terrível que eu conto no perrengue, chegamos a Hoi An. As margens do rio Thu Bon, patrimônio histórico da humanidade, a cidade foi um porto comercial do século 16 ao século 18 no sul do Vietnã. Atraia comerciantes chineses, japoneses e europeus com seus navios ou para as feiras anuais de comércio que duravam de 4 a 6 meses. Os comerciantes indianos, holandeses, japoneses e chineses fixaram seus empórios e residências, cada um em seu próprio bairro. Ficou com essa herança cultural. Tem pagodas, o quarteirão francês colonial, a ponte japonesa, casas chinesas que eles chamam de casas tubo porque cruzam um quarteirão, templos e lugares sagrados. Em outras palavras a cidade é um charme. A fama dela é ser a cidade dos alfaiates e sapateiros. Muitas pessoas da Europa, do Canadá e do EUA vem aqui para fazer sacolagem. Compram barato e revendem nos seus países de origem. Eles fazem a roupa de um dia para outro. São roupas lindas, finas. Não fui ver os preços, mas o pouco que perguntei era para deixar qualquer brasileiro chocado. No Brasil não daria para comprar nem o tecido. E sapatos a mesma coisa. Tem dois tipos de confecção: você leva o modelo e eles copiam ou você escolhe um modelo dele e eles ajustam no seu corpo. Paraíso das mulheres. Tivemos a sorte de chegar no dia do planeta onde o mundo todo deveria apagar as luzes por uma hora (60+ Hora da Terra). Eles apagaram, fizeram um show de música que assistimos e acenderam lanternas para colocar no rio. Ficou tudo muito bonito. Adoramos Hoi An, ficamos num hotel muito simpático, andamos tudo a pé porque a cidade é pequena e plana.Até da rodoviária, onde o ônibus horrível nos deixou, foi fácil andar a pé até o hotel. No segundo dia alugamos uma bicicleta e fomos para a praia que fica a 4 km. Com a bicicleta aproveitamos para dar uma volta a mais pela cidade e, é claro, passar no supermercado mais baratinho do Vietnã. Sair a noite pela cidade é outro encanto. Iluminam a ponte que leva ao outro lado onde ficam mais bares, lojas e restaurantes. Fica tudo lindo e cheio de gente.

De Hoi An para Hue, outra cidade histórica e sem praia. Como temos pouco tempo no Vietnã que é comprido e as viagens são demoradas, está sendo uma maratona. Quase que é uma viagem a cada dois dias. Queremos chegar a Hanói a tempo de ver Halong Bay e Sapa. Estamos cansados, mais ainda porque o Vietnã é extremamente difícil para o turista. Sabemos que não vamos voltar então queremos ver tudo.

Perrengue
Em Nha Trang, depois de duas viagens tranquilas no Open Bus, marcamos a viagem para Hoi An. Saída às 19:00 para viajar a noite toda. Foi um show de horrores. Nossa pior viagem até agora. No Open Bus. Nessa altura mudaram a empresa responsável e pegamos a pior empresa do Vietnã: Asia Smile Travel. Começaram já gritando com a gente, nos empurrando e jogando nossas bagagens no fundo do ônibus. Não entendi porque uma vez que os bagageiros estavam vazios. Na saída da agência só turista, quando pararam na rodoviária, lotaram todos os assentos e colocaram mais 20 vietnamitas sentados no chão do ônibus. Ficou claustrofóbico. Não podíamos nem nos mexer. Quem estava nas camas em baixo ganhou como companhia um monte de vietnamitas desconhecidos. Não forneceram cobertor ou água. Foram 14 horas de viagem sem parada para toalete ou lanche. Durante a noite toda, paravam em um lugar da estrada, esperavam, vinha uma carga, carregavam e saiam. Ai comecei a entender porque não colocaram as malas no bagageiro. Às 3 da manhã pararam no meio do nada, abriram aquela janela de ventilação que fica no topo do ônibus e por ali colocaram umas 30 caixas com barulho, caixas caindo. Nessa altura nossas malas estavam dentro do banheiro que já estava fechado. Mais um pouco, pararam novamente e colocaram mais três motos no bagageiro. Além dos frangos vivos que já estavam lá. Quando tentamos falar com o motorista ele gritou com a gente, nos empurrou. Quebraram nossas bagagens. Felizmente chegamos com vida e com bagagens (quebradas, mas com as coisas). Cansados, putos da vida porque no Vietnã não existe lei para o consumidor e nem polícia então não dá para reclamar com ninguém. Quando você vai reclamar eles gritam, te tratam mal e te expulsam do lugar. Nada a fazer, fomos procurar hotel. Depois descobrimos que isso é o jeito que eles têm para transportar carga ilegal: colocam uns turistas e passageiros para disfarçar. Todos sabem ninguém faz nada.

5 comentários sobre “Hoi An – a verdadeira Indochina

  1. Francisco Carlos dos Santos

    Vânia, bom dia (noite, tarde???), estamos trabalhando como loucos (rsrsrs) mas na verdade gostaríamos de estar ai com você para comemorar o seu aniversário (FELIZ ANIVERSÁRIO!!!). Como você deve ter notado estou falando no plural… pois somos eu Anny e Míriam que estamos aqui viajando no vossa viagem.
    Grandes Beijos
    Xico, Anny e Miriam

    1. vcteixeira

      Quando eu abri era boa tarde. Estamos 13 horas na frente. Fico com dó de vocês que estão trabalhando muito mas nós estamos aqui só de boa (às vezes alguns problemas também). Obrigada aos três pelos parabéns. Foi uma alegria ler esse recado. Grandes beijos saudosos.

  2. Wilde A Campos

    Você conseguiu nos mostrar uma parte linda e romântica da Indochina. Hoi An é tudo isso com suas lojas, as delicadas lanternas de seda, a ponte coberta e as casinhas encantadoras. Mas, sempre tem um mas, não foi fácil chegar, principalmente no meio de contrabandos. Continuo achando os dois muito corajosos. Bjs. E a saga continua.

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