Sidnei – nossas surpresas na Austrália

Cartão postal de Sidnei: Harbour Bridge com a Opera House
Cartão postal de Sidnei: Harbour Bridge com a Opera House

O voo até Sidnei não foi muito bom. Não gostamos da Qantas. Era um Airbus lotado e o pessoal de bordo extremamente lento e confuso. Informaram o cardápio errado e o Carlos acabou com uma carne de porco tão apimentada que não conseguiu comer. O café da manhã chegou 10 minutos antes da aterrisagem. Mesmo assim, nove horas de voo e chegamos às 7 da manhã horário local. A entrada foi tão simples que dá até vontade de dar os parabéns para eles. Nós pedimos o visto no Brasil, pela internet, a resposta veio pela internet e não precisamos mostrar nada na imigração porque o visto já estava no sistema. Tudo rápido e tranquilo. Como temos os nossos remédios para mais seis meses, tivemos que declarar e então fomos para uma fila especial e passamos por um cachorro beagle muito gracinha que cheirou toda a nossa bagagem e nossos pés de quebra. Depois de cheirar nossos pés (6 meses com o mesmo tênis e as meias é melhor nem mencionar) o pobre cachorro perdeu o olfato para as próximas cheirações. Tadinho. Mas passamos no teste e fomos liberados.Estranhamos tudo. Aquela passagem por Hong Kong estragou a gente. Nos acostumamos com o aeroporto limpíssimo, moderníssimo, todo automático. A Austrália foi um choque e uma decepção. Aeroporto meio caidaço, informações turísticas inexistentes, transporte caríssimo. Os albergues então foram um perrengue. Não existe albergue limpo em Sidnei. Nem na Índia encontramos a sujeira daqui. Desistimos do primeiro porque nos avisaram dos bed bugs (percevejos), depois de visitar uns cinco e chegar à conclusão que não encontraríamos nada melhor, escolhemos um que só têm baratas (leia o perrengue). E nenhum mais barato que US$ 72. Com esse valor pagaríamos quatro dias de hotel no Vietnã. Agora entendemos porque todos falam que a Ásia é barata. Sem dizer a internet que não existe. Todo mundo disse que a gente ia ter problemas com a internet na Ásia, que nada, tivemos wi-fi em todas as cidades que passamos, sempre gratuita e sempre ótima. Aqui além de não ter em todos os albergues, quando tem é cobrada e bem cobrada e por hora. A cidade é bonita, lembra muito Londres e é bem mais tranquila que HK afinal a população é escassa. Só saímos para fazer compras no supermercado mais próximo para poder cozinhar (finalmente temos uma cozinha) e economizar um pouco porque nosso orçamento aqui vai estourar. Aqui, como em Londres, os supermercados fazem promoções muito boas quando os produtos estão para vencer ou com os produtos de marca própria. É o único lugar em que encontramos algo que podemos chamar de barato ou mais em conta.
A população é outra grande surpresa. Aqui, como no Canadá, se cobrir a cidade vira um hospício. A quantidade de loucos e desajustados é assustadora. Nunca vimos tantos esquisitos juntos num só lugar. Não sabemos se é a distância do mundo ou a distância de casa uma vez que a maioria não nasceu aqui. É claro que estou falando de Sidnei e especialmente de Kings Cross que é o local dos mochileiros e também o “red district”. Finalmente encontrei a prova de que existem alienígenas entre nós: estão na Austrália disfarçados de humanos.

Aqui também medem distâncias por minutos. Ninguém fala falta 100 metros, falam ande 2 minutos. Em toda a Ásia também era assim. Aqui até as placas indicam os minutos ao invés dos metros.
É claro que tivemos boas surpresas. Começou pela van que nos trouxe do aeroporto. Ao invés daquela van superlotada com gente sentada no chão e as bagagens amontoadas do Vietnã, viemos numa van que tem um anexo atrás apenas para as bagagens e ninguém sentado no chão ou no banquinho. Depois andar pelas ruas e pelas calçadas largas, bem pavimentadas e sem degraus, sem motos estacionadas, sem banquinhos com gente comendo é de uma facilidade de deixar qualquer indiano, brasileiro ou vietnamita envergonhado. Cruzar as ruas é mais fácil ainda porque todos param no farol vermelho (!!!???).


E andando a gente sempre encontra um parque lindo, com bancos, grama cortada e bem cuidada.

A segurança é total. Só para vocês entenderem tem caixa self service no supermercado: você mesmo passa os seus produtos, paga com cartão de crédito e vai embora. No Brasil não funcionaria.
Os policiais muito educados e prontos para ajudar em tudo, o australiano legítimo é bonachão, educado e simpático e sempre generoso com informações. O povo que atende é extremamente paciente e treinado.

E aí fomos fazer turismo e conhecer a cidade. Saímos de Kings Cross e fomos direto para o cartão postal porque eu queria uma foto em frente a Opera House para comemorar o aniversário.

A diversão é subir os arcos da ponte. Custam 124 dólares. Veja se consegue ver as pessoinhas lá em cima.
A diversão é subir os arcos da ponte. Custam 124 dólares. Veja se consegue ver as pessoinhas lá em cima.
E a ponte maravilhosa. Curiosamente a expressão “pintar a ponte” tornou-se metáfora para um trabalho sem fim
E a ponte maravilhosa. Curiosamente a expressão “pintar a ponte” tornou-se metáfora para um trabalho sem fim
Nesse lugar lindo, tomando café, comemoramos 7 meses na estrada
Nesse lugar lindo, tomando café, comemoramos 7 meses na estrada

O mais engraçado é sair na rua e dar de cara com esses passarões chamados Ibis e que andarilham por toda a cidade. Foi o primeiro encontro estranho que o Carlos teve em Sidnei quando foi procurar os albergues.

Chegamos próximo a um feriado que é muito importante aqui: Anzac Day (Austrália, Nova Zelândia Army Cops) que é o dia que eles homenageiam as pessoas que lutaram, ajudaram e morreram na I Guerra Mundial. Creio que com o tempo começou a significar o dia do orgulho australiano. E sem querer, domingo fomos assistir a uma missa Na Catedral St Andrew que é a maior e mais importante catedral anglicana na cidade. Foi uma glória, foi uma missa especial em homenagem ao Anzac e estavam lá todos os principais representantes das Forças Armadas, Partidos Políticos, autoridades de Sidnei, da polícia, todo mundo uniformizado. O sermão foi entregue pelo próprio reitor, a igreja é deslumbrantes, o órgão e os instrumentos de sopro acompanharam a missa. Foi uma experiência. Assistimos a missa toda que é muito parecida com a católica. O Pai Nosso é igualzinho. Na saída ainda teve rotinas militares muito bonitas.
Não bastasse a missa também assistimos ao desfile do dia.

Observam a quantidade de bandas diferentes e bonitas
Observam a quantidade de bandas diferentes e bonitas
A quantidade de bandas escocesas. Eu nem sabia que tinha tanto escocês na Australia
A quantidade de bandas escocesas. Eu nem sabia que tinha tanto escocês na Australia
E desfilaram todas as forças do exercito, os bombeiros e as entidades de ajuda humanitária. No final teve uma cerimônia em frente ao Memorial do Anzac
E desfilaram todas as forças do exercito, os bombeiros e as entidades de ajuda humanitária. No final teve uma cerimônia em frente ao Memorial do Anzac

E foi tudo o que fizemos em Sidnei além de descansar da Ásia. Ficamos duas semanas. Tirando os problemas e os perrengues gostamos muito da cidade. Voltaremos de qualquer forma porque nosso voo sai daqui.

Perrengues
Depois da Índia e da Ásia jamais imaginávamos encontrar tanta sujeira na Austrália. Não sabemos dos hotéis, mas visitamos cerca de 20 albergues. Cada um que a gente entrava dava mais desespero. Apesar de custarem US$ 70 ou mais eram de uma sujeira e porquice inacreditáveis. E as críticas no Trip Advisor eram assustadoras. Às vezes achávamos algum mais ou menos para ler a crítica e desistir. Finalmente achamos um que nos pareceu melhorzinho ou menos pior. Não era. A cozinha era um viveiro de baratas. Moravam até no micro-ondas. Para eu poder cozinhar o Carlos tinha que ficar matando as danadinhas que insistiam em saracotear perto do fogão e da comida. E no exaustor era ninho. Era matar uma e aparecerem mais umas três. No quarto também sempre tinha algumas passeando. Era das pequenas. O limite foi acharmos bichos na cama. Na nossa cama nós achamos quatro tipos de insetos diferentes. Não sabemos se estágios diferentes de crescimento ou espécies diferentes. Quando passamos veneno na cama ao lado apareceram mais dois tipos na nossa cama. Ai Senhor que dureza. Só abstraindo muito mesmo. Começamos a colocar anilha nos bugs para ficarem conhecidos nossos. Mentira, matei todos os que achei mas a criação era grande. Depois que fui mordida fui procurar no google o que era. Eram percevejos. Como nunca tivemos contatos com esses insetos estranhos (pulgas, percevejos, carrapatos, etc) não sabíamos onde havíamos nos metido. Descobrimos que tem uma infestação na Austrália e que são difíceis de matar. Eles picam como nas fotos que chamam de picada café da manhã, almoço e jantar porque sempre são em blocos. É horrível, coça muito e fica assim por um tempão. Fomos embora, mas com muito medo de estarmos levando a praga junto.

A cozinha embaratada. Para eu conseguir cozinhar o Carlos tinha que ficar matando as baratas.
A cozinha embaratada. Para eu conseguir cozinhar o Carlos tinha que ficar matando as baratas.

3 comentários sobre “Sidnei – nossas surpresas na Austrália

  1. JAPIR DE MELLO JR.

    Será que a meninada brasileira, tão entusiasmada para morar na Austrália, sabe dessas coisas? Procurei saber sobre os percevejos e encontrei que os EEUU são o primeiro e depois a Austrália; isso é um problema de saúde que parece não contar com a atenção pública.

  2. Wilde A Campos

    Sidney é lindíssima, realmente lembra muito Londres e talvez seja este o motivo da presença de tantos escoceses e alienígenas na cidade. Morar em casas sem segurança e alarmes é o sonho de todas as pessoas decentes. Nem dá pra acreditar que isto seja possível. É Incrível!!! Quanto a “pintar a ponte”, é o que os mensaleiros andam fazendo por aqui, adiando ao máximo o cumprimento das penas que deveriam já estar cumprindo. Continuem desbravando e aproveitando o que a Austrália oferece de bom. Bjs.

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