Coisas que estamos aprendendo nessa viagem

Lugares por onde andamos
Lugares por onde andamos

“Se você rejeita a comida, ignora os costumes, tem medo da religião e evita as pessoas é melhor você ficar em casa”. James Michener

Nosso maior aprendizado é que viajar é imprevisível, algumas vezes nos torna miseráveis, cansativo, emocionante, um trabalho absurdo, mas nunca deixa de ser interessante e motivador. Também te apresenta a você mesmo. E esse post vai aumentar conforme vamos viajando.

Sobre a viagem
1. A gente consegue se acostumar com quase tudo. Depois de uma ou duas semanas na Índia nós nos acostumamos a andar pelo meio da rua porque lá não tem calçadas. Depois de toda a Ásia tivemos que nos policiar em Hong Kong porque a gente se pegava andando no meio da rua e nem olhando para os faróis. Depois de quase quarenta ônibus e 9 trens começamos a achar uma viagem de 30 horas coisa normal e bem razoável e a achar que 12 horas de atraso é ótimo se o meio de transporte aparecer e chegar a salvo. De vez em quando percebemos como nossa realidade está meio alterada quando estamos em alguma situação esdrúxula no meio da noite e lembramos que nesse momento todas as pessoas que conhecemos estão em casa, dormindo tranquilamente em CAMAS. Coisas que a gente nem estranha mais: banheiro turco, falta de papel higiênico nos banheiros, ar poluído, acordar com galos esganiçados ou passarinhos idem, dormir em mais de duas pessoas no quarto, sermos fotografados iguais celebridades, motos por todos os lados, gente demais, gente de menos, idiomas diferentes e alfabetos idem e acima de tudo nos acostumamos a dormir em qualquer lugar com qualquer travesseiro e qualquer barulho (o Carlos com tampões de ouvido).
2. Nós somos extremamente privilegiados (Carlos e eu). Nós não somos ricos nem nossos pais, não recebemos ajuda financeira de ninguém e continuamos batalhando num país que insiste em nos derrubar (agora o dólar está uma loucura). Ainda assim somos milhares de vezes mais bem colocados financeiramente que tantos milhares de pessoas que vimos nessa viagem. Eu já sabia disso, mas ver de perto é um choque de realidade. Vimos os pobres na Índia, os mutilados de guerra no Vietnã, Laos e Camboja, as pescoçudas na Tailândia que vivem de se exibir, as crianças pobres do mundo todo e chegamos à conclusão que para muitos é bem mais difícil. Para muitos também é muito mais fácil, mas isso já é outra história.
3. As aparências enganam e os padrões de beleza são diferentes pelo mundo. Na Coréia o padrão é ser “mais amarelo impossível” o que no caso deles é cobrir-se da cabeça aos pés para não tomar sol. As europeias que eu encontro nos albergues acordam meia hora antes apenas para colocar maquiagem completa antes de sair até para nadar. Na Austrália não existe moda diferente para altos e baixos, gordos e magros. Todos usam o mesmo tipo de roupa o que causa algumas visões embaraçosas, mas eles não estão nem aí e usam o que gostam. Em Hong Kong usam uns saltos de dar vertigem nos mais firmes não importa a dificuldade que tenham para andar que a gente perceba e a quantidade de lojas de grife existente na cidade deve ser indicativa de algo. E no fundo no fundo, encontrar alguém com várias tatuagens, vários piercings e cabelo colorido não significa uma pessoa doidinha. Fizemos grandes amigos com os de aparência mais diferente que no final eram muito mais normais que o resto certinho.
4. Planos de viagem são lindos no papel, mas completamente inúteis quando na realidade. Fizemos planos lindos de visitar mil cidades em cada país, de ir para lá e para cá, sair de uma e chegar à outra. Nossos planos sempre eram derrubados pelo clima, pelo transporte local, pelas dificuldades em se mover rápido ou para o lado desejado, pelos preços, pela falta de segurança de chegar ao destino para tomar o próximo avião, pela falta de lugar para dormir ou pelo horário de chegada, pelo cansaço ou pela completa falta de vontade de se mexer para um lugar novo e desconhecido. Ou seja, planos só funcionam depois que você conhece a realidade do local, mas aí você já está indo para o próximo destino.
5. Ter um passaporte bom faz de você um felizardo. Mesmo nosso passaporte sendo brasileiro não tivemos dificuldade em entrar ou sair de qualquer país. Como todos os outros países tivemos que pagar visto para o Laos, o Camboja, o Vietnã, a Índia, a Jordânia e a Austrália, mas, ao contrário dos europeus, não pagamos visto para a Tailândia. Não precisamos de visto para Londres, Turquia, Nova Zelândia, Hong Kong, Macau, Polinésia e, é claro, para a América do Sul. Passamos por revista de drogas na Austrália, mas em nenhum lugar nossa nacionalidade nos dá problema. No entanto sendo europeu, americano, canadense, inglês e até indiano você pode trabalhar em vários lugares do mundo coisa que nós não podemos. Livre trânsito e cidadania é uma coisa de dar inveja. Não conseguimos mais nos orgulhar do nosso país, mas viajamos com orgulho do passaporte.
6. O mundo está cada vez menor e a comunicação cada vez mais fácil. Falamos com a família pelo Skype com bastante frequência, ouvimos músicas brasileiras por todos os países, tivemos acesso à internet sempre e descobrimos que viagens pioneiras estão cada vez mais difíceis. Internet existe em quase todos os lugares.
7. Se você for cuidadoso é possível viajar com US$ 1.200 por mês ou menos. Isso não inclui a passagem. É claro que tem países mais caros que outros e na média é possível. É claro que alguns sacrifícios devem ser feitos como não sair com a moçada toda noite para beber ou jantar, nenhuma compra que não seja de comida e passeio. Mas a contrapartida vale a pena.
8. Viajar por grandes períodos é diferente de ser turista. Turistas compram uma experiência pronta com tudo feito e planejado. Viajantes vão ao local para conhecer a cultura, para ver coisas e não para compra-las. Nós somos viajantes e não turistas e isso é um trabalho de tempo integral. Toma um monte de tempo, um monte de planejamento, a logística é complicada. Viagens mais longas não são férias, mas sim um trabalho de jornada dupla. Depois de menos de um mês de viagem, quando chegamos a Índia já estávamos precisando de descanso. A maior parte do tempo que passamos em um lugar sem fazer turismo é gasto fazendo pesquisa sobre o próximo destino tipo como chegar, onde ficar, o que fazer. E mesmo quando chegamos perdemos bastante tempo procurando um lugar melhor e mais barato para ficar e decidindo o que será preciso cortar dos planos. Nosso maior problema foi nos lugares que tivemos menos tempo porque ai começa o grande cansaço. Melhor fazer menos.
9. Derivada da anterior: viajar devagar economiza mais e cansa menos e aí você pode viajar mais. Descobrimos que menos que três dias em qualquer lugar é loucura. Não é possível ver nada ou conhecer nada porque é um dia procurando hotel, outro procurando o que fazer e só depois aproveitando. E com mais tempo você descobre os melhores lugares, as promoções, o preço da passagem dilui, você consegue comprar passagens com antecedência, portanto, mais baratas.
10. Outra derivada das duas anteriores: a gente começa a gostar de sair de um lugar e ir para o outro e ai todo o propósito da viagem é chegar, chegar e chegar e avisar que você já está em um novo lugar. Isso destrói a vida do viajante que vira um turista.
11. Nunca confie em tudo o que os outros dizem sobre os lugares espetaculares que viram porque cada um tem seus gostos especiais e as surpresas podem ser caras e chatas. E não se entregue demais aos seus sonhos. Às vezes você sonha tanto com um lugar para chegar e perceber que tudo era propaganda turística e que funcionou: está cheio de turistas.
12. Inglês salva. Em todos os cantos do mundo pelo menos uma pessoa fala inglês e pode te entender e dar informações.

Banalidades:
1. Não existe banheiro sujo o suficiente que a gente não use quando precisa. E que carregar papel higiênico é salvador.
2. Até a vida sem rotina precisa de rotina. Roupas precisam ser lavadas, mochilas arrumadas e sempre do mesmo jeito para achar as coisas facilmente na hora da pressa. A mochila de mão sempre com tudo o que é necessário. E, por incrível que pareça, a gente sente falta da rotina de vez em quando. Porque todo dia mudando começa a cansar.
3. A roupa do mochileiro nunca está tão suja que não possa ser usada novamente. Até as meias antes brancas e agora beges, tendendo ao marrom, entram na onda. No começo da viagem trocávamos camisetas todos os dias. Já agora…
4. Por melhor que seja no resto do mundo a segunda coisa que mais faz falta para a gente é a nossa comida. Começamos a sentir falta até do gosto do leite. Do café nem vou falar nada.
5. Cada grama a mais na bagagem faz grande diferença na hora de andar 1 km com a mochila nas costas e mais uma sacola com a comida. Nossa bagagem total pesa 17 kg (para os dois) e mesmo assim não é fácil e ainda assim não sentimos falta de nada até agora. Só fizemos a mala para uma estação, quando chegarmos ao inverno vamos complementar e nos desfazer de outras coisas. Essa é a melhor saída. Em todos os albergues você pode trocar roupas ou pegar as deixadas pelos outros mochileiros.
6. Quando a gente começa a ficar irritado é hora de parar para descansar. É hora de pensar: essa não é a minha casa, esse não é o meu país, nada é do jeito que eu conheço. Respirar fundo e juntar mais paciência.
7. Que tudo é supérfluo. Nós conseguimos viver sem quase tudo. As coisas básicas como papel higiênico, sabonete e escova de dente são essenciais. O resto tudo dá para passar sem. Não tem sandália, use tênis, não tem vestido vai de calça mesmo. Não tem manteiga vai pão seco.
8. Que é nos perrengues que a gente descobre do que é feito de verdade. Quando tudo está dando certo é fácil ser legal. Quando as coisas vão mal a gente tem que buscar lá no fundinho muito amor para apoiar o outro e facilitar a vida dos dois ainda que a vontade seja sair berrando. E é incrível como você encontra saídas para resolver os problemas.

Sobre o Brasil:
“Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá” Chico Buarque
1. Nossa língua quando falada por nós é muito bonita. É melodiosa. Os alemães, suecos, noruegueses, finlandeses e holandeses tem uma língua muito forte e parece que estão sempre dando ordens. Os italianos e espanhóis parece que estão sempre brigando. Inglês todo mundo sabe o que é. Nossa língua, escutada por quem não entende, é melodiosa e cheia de ritmo.
2. Nós não temos nada no nosso país porque destruímos tudo. Desde que saímos do Brasil nunca mais vimos um telefone público destruído, uma placa de ônibus pichada, latões de lixo amassados ou estátuas estragadas. Nada. Passamos pela Índia, Laos, Camboja e Vietnã. Alguns dos países mais pobres do mundo e mesmo nesses países eles não destroem o que é público. Somos um povo sem amor pelo que é nosso. Comecei a pensar nisso quando tive que usar um banheiro público na Índia e percebi que era melhor que os nossos e melhor ainda: existem. Na Austrália é melhor nem contar que os banheiros públicos tem espelho, papel higiênico, sabonete bom, música, tudo. Mas nunca vi nada estragado, ninguém entra e leva a tábua da privada como fazem no Brasil.
3. Nenhum país está mais caro que o nosso. Até na Austrália é possível sobreviver com menos dinheiro que no Brasil.
4. Nosso povo brasileiro é um povo cruel que gosta de ver o outro sofrer. Na Ásia inteira o trânsito é caótico, mas nunca ninguém nos xingou ou buzinou porque estávamos atrapalhando o trânsito. Eles buzinam para avisar que estão vindo e se você não sai do caminho eles param. Ninguém arremessa o carro contra você ou tenta te dar uma lição. Apesar dos milhões de habitantes, milhões de motos nunca sofremos um arranhão. Diferente do Brasil que além de passar no farol vermelho o motorista te xinga e quando te vê acelera o carro.
5. A segurança é um bem inestimável. Ainda nos surpreendemos com a falta total de cuidado que todas as pessoas têm com suas coisas porque estão seguras que nada vai acontecer com elas. Em todas as praias que passamos o pessoal deixa as coisas na areia e vai nadar. Volta uma hora depois e tudo está lá. Dá inveja. Umas duas vezes eu esqueci a bolsa em cima de mesas e cadeiras na Ásia. Nada aconteceu. Uma vez um indiano correu atrás de mim para entregar a bolsa que eu esqueci (com tudo) na cadeira. Poder andar por ruelas sórdidas às 3 da manhã sem nenhum medo é maravilhoso, poder esquecer a bolsa em algum lugar voltar e encontrar intacta também é demais.
6. Nós também somos ignorantes em relação a vários países. No começo quando perguntavam onde ficava o Brasil, se o Rio de Janeiro é a capital, se a gente fala espanhol, se Machu Picchu fica no Brasil eu ficava irritadíssima. Quando descobri que na Eslovênia tem apenas 2 milhões de habitantes, que a moeda é euro e que eles estão na comunidade europeia percebi que ignorante somos todos. Nós também não sabemos onde fica a Macedônia e qual é a capital da Austrália. Ou seja, só viajando, vivendo e guardando as informações. Na verdade só temos notícia de um país quando alguma catástrofe acontece. Cada um vive no seu próprio mundo interessado apenas no que acontece ao seu redor.
7. Nós realmente somos latinos. Passionais e expansivos. Os europeus adoram a gente por isso. Somos gente que conversa, participa e tem aquele calor que eles não têm. Os brasileiros sempre são referidos como gente calorosa.
8. Tem quatro coisas brasileiras que fazem sucesso no mundo todo que andamos e que não andamos: havaianas que estão nos pés de todo mundo; rodízio ou “brazilian barbecue” que todos adoram e elogiam; Paulo Coelho que todos compram, leem e adoram e a infame “brazilian wax” ou nossa velha conhecida depilação para usar biquíni.

20 comentários sobre “Coisas que estamos aprendendo nessa viagem

  1. Tem que ter coragem!!! E parece que não se pode fazer isso quando se tem filhos…..isto porque alem da grana que se gasta…deve ser difícil expor as crianças as dificuldades que se passa! É isso ai..mesmo assim, parabéns e boa sorte nas próximas jornadas.

    Emerson (amigo do Chico)

    1. vcteixeira

      Coragem não Emerson: determinação. Se a gente tivesse filhos eles estariam já fora de casa. Agora filhos novinhos até 12 anos não dá. Não dá para fazer crianças viajarem 30 horas, ficar sem comer, esperar o banheiro etc. Já adolescentes seria uma vingança ótima. Obrigada pelo prestígio e pelos desejos.

  2. Francisco Carlos dos Santos

    Vânia, estive meio ocupado estes dias e não estava lendo seus posts, li este e fiquei maravilhado e feliz por você compartilhar conosco esta sua experiência. Fique tão tocado que comentei sobre seu texto com todas as pessoas que encontrei desde que o li, e estou tomando a liberdade de publicar o endereço no meu mural no Face. Parabéns e obrigado. Bjs. Xico

    1. vcteixeira

      Xico, fico honrada com os elogios e com o fato de você compartilhar meus simples comentários sobre a viagem. Fique a vontade para ler, usar e comentar. Muito obrigada e abraços.

  3. Vânia, a Rosária me apresentou seu blog ontem e eu adorei! Eu e meu marido estamos no meio e uma volta ao mundo e nos identificamos muito com esse seu post! Temos passado por situaçoes parecidas e nosso estilo de viagem é bem semelhante. Se quiser dar uma olhada, nossos relatos estão no alfanumerico.net.
    Parabéns pelo blog e boas viagens!

    1. vcteixeira

      Olá Danielle, já olhei e até cito você no meu post de Brisbane. Também adoramos o seu blog. Boas viagens e boa sorte em tudo.

  4. Rafael Costa Baptista

    Olá Vânia e Carlos.

    Estamos acompanhando cada passo de vocês desde o início…

    E esse seu último post foi demais!!! Alguns comentários que eu não poderia deixar passar:

    – Sobre o item 1 em Banalidades, eu já descobri isso há muito tempo…rsrs.
    – Sobre o Brasil, você foi simplesmente perfeita em cada linha…

    Todos aqui em Campinas mandam um abraço para vocês dois.

    Ah! E abraços também para a tia Wilde que vai ler esse comentário…rs

    1. vcteixeira

      Oi Rafael,

      Obrigada pelos elogios. Realmente acho que é a primeira coisa que descobrimos durante as viagens. Principalmente para os lugares exóticos. Sobre o Brasil dá tristeza mas é verdade. Abraços enormes e saudosos para todos vocês.

  5. Anônimo

    Adorei o que você escreveu; acho que ainda faltam comentários sobre as situações econômica e política; mas eu sei que você ainda falara sobre isso; e ê esta a razão que me leva a imprimir todos os seus relatos, mostro para as pessoas e libere o endereço do seu blog; tenho orgulho de te- lá como a nora querida de nosso filho querido; beijos, Japir

      1. Nanci Morgato de Mello Eiras

        Muito legal tudo, mas o trecho de “Sabiá” foi lindo. É minha música favorita, do
        meu autor favorito (amo os 2 autores). Beijão. Tia Nanci

  6. Interessantes as observações. Eu e minha esposa também não somos turistas. Somos viajantes. Outro estilo, é verdade, porque acho que temos melhores condições financeiras, mas o espírito nosso é o mesmo de vocês. Conhecer os países na sua inteireza. Seu povo, seus cheiros, sua cultura, seu ecossistema, suas grandes, médias, pequenas cidades e povoados. Não vamos para comprar nada, só curtir. Se tiverem tempo acessem http://www.viajandoconosco.blogspot.com . Abraço e ótimas viagens.

  7. Relato sensacional!

    Estou planejando uma viagem de volta ao mundo com minha esposa, para o final desse ano ainda (com chances de sair antes, haja vista o caos político, social e econômico que o Brasil está se tornando, vocês não sabem a sorte que têm ao estarem longe). Sempre separo alguns textos do blog para ela ler, porque são bem elucidativos, realistas e inspiradores, nos motivando cada vez mais a seguir em frente.

    Agradeço, de coração, pela enorme contribuição que vocês estão dando aos “backpackers-wannabe”, através de cada post belamente escrito por aqui. Desejo-lhes uma excelente viagem, sem tantos perrengues, haha, e com muita diversão, emoção e crescimento pessoal.

    Grande abraço, fiquem com Deus!

    1. vcteixeira

      Queridos “backpackers-wannabe” (adorei isso),

      Adorei seu comentário, ri bastante e fiquei emocionada. Obrigada pelos elogios. Apesar de alguns post serem “reclamativos” como eu disse um ano de viagem é bastante cansativo e tem uns países que testam a vontade da gente. Como somos os dois engenheiros não temos visão muito edulcorada das coisas. É é e não é não é. Não mentimos e nem escondemos. Li seu blog e creio que você é igual: não tem meias palavras (aliás adorei). Mas não se enganem: é bom demais. Cada dia uma surpresa (boa ou ruim), cada dia uma paisagem linda, uma cidade nova, pessoas excepcionais, muita bondade, pouca ruindade e, para nove meses de estrada tivemos poucos perrengues.
      Como eu disse no post quando dominamos um lugar já estamos indo embora. Ainda assim podemos ajudar os futuros viajantes. Qualquer dúvida é só perguntar.

      Todos os estrangeiros que encontramos aqui sabem das manifestações no Brasil. E nós sabemos que a situação está difícil mas se estivesse aí estaria manifestando também. Nosso coração sempre está no país da gente.

      Bons planejamentos e fiquem com Deus vocês também.

  8. Wilde A Campos

    Vania, maravilhosas as palavras nas tuas descrições. Você começou muito bem o teu blog quando falou em desapego e está provando que além do aprendizado e da educação, o desapego fala alto em todas as situações. Conseguiu me deixar emocionada agora, falando sobre o Brasil, pois é tudo o que sempre pensei, em relação a segurança e a honestidade da maioria dos brasileiros, mas que, infelizmente, sei que não há solução, não a curto prazo, pelo menos, por ser um problema de educação, de berço mesmo. Teríamos que recomeçar tudo do zero. Continuem, você e o Carlos a nos presentear com essas lições de vida. Bjs para os dois.

    1. vcteixeira

      Obrigada mãe. A senhora é mãe e suspeita. Todos os comentários também me deixaram emocionada. Não imaginei que iriam gostar de pensamentos e conclusões sobre as situações que estamos passando e que não acreditei serem universais. Infelizmente, como eu disse, vou voltar. Mas está difícil. Cada país que passamos viajando tentamos compreender porque no nosso nada dá certo. É uma pena. Como eu digo sempre a Austrália tem duas coisas maravilhosas: a barreira de corais e o povo. O Laos também: Luang Prabang e o povo e assim vai.

    1. vcteixeira

      Obrigada Maria Cristina. Como disse antes fiquei até emocionada com os comentários das pessoas sobre meus aprendizados tão simples. Sei que não devo ser a primeira a aprender tudo isso e nem a que escreveu melhor mas fico feliz que os amigos gostaram. Obrigada mesmo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s