Cairns – a grande barreira de corais

Green SeaTurtle – Tartaruga gigante do mar. Foto não é minha.
Green SeaTurtle – Tartaruga gigante do mar. Foto não é minha.

Chegamos a Cairns numa viagem tranquila de ônibus Greyhound, já saudosos deles porque esse era o último e daí pra frente teríamos que procurar e investir na volta até Sidnei.

Cheios de expectativa para conhecer a famosa barreira. Ficamos duas noites no YHA enquanto procurávamos um albergue mais barato em que pudéssemos ficar uma semana e juntos em quarto duplo (exigências do Carlos que está sempre querendo seu quarto e seu banheirinho). Andamos pelo centro, entramos em todos os albergues e desistimos porque cada um era pior que o anterior. Fomos pegar informações de mergulho na nossa agência favorita, Backpackers World Travel e a inglesa que nos atendeu, Corelle, nos indicou dois albergues. E foi num deles que ficamos, afastado do centro, limpo e organizado, pequeno e com pouca gente. No final da primeira semana decidimos ficar mais uma porque o clima estava ótimo (sabíamos que no sul, para onde iríamos, o frio já tinha chegado), o albergue bom, o preço bom e já estávamos ambientados com Cairns. Deu para conhecer bastante, descansar mais um pouco e fazer várias coisas, fazer dois mergulhos na barreira e inclusive fazer amigos. Aproveitamos até para ir bater uns dois rangos grátis no Woolshed, um pub local, que dava comida grátis para os mochileiros e ir pegar a xepa do Rustys, o mercado de frutas e legumes, onde compramos uns três quilos de uva sem semente por apenas um dólar. Foi tanta que tivemos que distribuir. O mercado acontece de sexta a domingo e no domingo eles liquidam tudo.

Não tem praia na cidade, mas tem uma piscina muito bonita que eles chamam de Esplanade Lagoon. O Esplanade, calçadão à beira mar, é enorme, tem playgrounds, churrasqueiras elétricas, têm banheiros, chuveiros, e tudo o mais de sempre e ainda oferecem vários tipos de ginástica, dança e yoga durante o dia todo. O clima é igual ao do nordeste brasileiro, ou seja, enquanto no resto da Austrália faz frio, aqui faz verão e sol.

Um dos dias tiramos para ir até o Jardim Botânico de Cairns, Fletcher Botanic Gardens. Como sempre um lugar bonito, bem cuidado, cheio de placas explicativas. Passamos quase o dia todo lá andando pelas reproduções de florestas tropicais, mangues e plantas carnívoras.

Para realizar o sonho de mergulhar na barreira de corais, andamos pela cidade toda pesquisando os passeios. São inúmeros, variados, preços diferentes, barcos diferentes e locais diferentes na barreira. A barreira é enorme e podemos ir para a barreira interna, a média ou a externa que é a mais limpa, mais bonita e mais cara. Decidimos por um dos passeios que estava muito bem recomendado no Trip Advisor. Foi ótimo. Passamos um dia maravilhoso. O que ninguém conta para você é que para chegar até o ponto de mergulhar leva entre uma hora e meia e duas horas e meia dependendo do barco. Esse trajeto é em mar agitadíssimo. Quando lia os folhetos e eles avisavam para tomar remédio para enjoo achei que era para os mais fracos e frescos. Depois de 15 minutos mar adentro, o fundo do barco que é o lugar mais estável estava cheio de gente inclusive eu. Muitos enjoados e a maioria vomitando até as tripas (que foi o meu caso). Terror total. Quando atinge os corais melhora um pouco, mas não muito. Aí é alto mar e a correnteza é muito grande. Ou seja, é lindo, mas não é fácil. Geralmente são dois pontos de mergulho, um almoço entre os dois e lanchinhos variados. É indescritível. Água limpa, corais a não poder mais e peixes de todos os tipos. E nós vimos o Nemo que se chama peixe palhaço, vem em cores variadas e vive no meio das anêmonas.

Nemo em foto não nossa. Afinal o aluguel da câmera pagaria meio passeio.
Nemo em foto não nossa. Afinal o aluguel da câmera pagaria meio passeio.

E depois de tanta beleza e, ajudados pelo aporte financeiro da irmã, decidimos ir outra vez porque estar na Austrália e não mergulhar na barreira é um erro porque a Austrália tem duas coisas maravilhosas: a barreira e o povo. As praias não são tão bonitas quanto no Brasil. Não conseguimos dizer qual mergulho foi melhor. Foi no segundo mergulho da segunda vez que vimos a tartaruga gigante. Ela passeou na nossa frente, desceu, subiu para respirar, colocou a cabeça fora da água, deu seu show e se foi. Babamos. Também vimos lulas e peixes incontáveis, cardume de peixes pequenos, grandes, vi até um pequeno tubarão. E nesse barco enjoei menos. O trajeto era melhor.

E com bastante tempo e nada para fazer nos divertimos tirando as fotos da rua de nome mais estranho. E da árvore de frutas estranhas que ficava no quarteirão da biblioteca.

Indo a nossa primeira reunião do Couch Surfing no exterior e descobrindo que nem na reunião tinha australianos. Quando descobrimos que ia ter uma reunião em Cairns ficamos animados. Finalmente íamos encontrar alguns locais. Engano, até a anfitriã era alemã. E mais alguns 10 dos participantes. Australiano mesmo não falamos com nenhum. Nessa viagem pela Austrália descobrimos que a Alemanha deve estar vazia porque todos eles estão aqui. A quantidade de alemães e franceses é enorme. Estão todos por aqui trabalhando e passeando. A Austrália dá um “working holiday visa” de até dois anos para os alemães, franceses, italianos, suecos, taiwaneses, ARGENTINOS e URUGAIOS. Então eles podem vir para cá e trabalhar nesse período. Como os salários são ótimos, eles trabalham 6 meses e usam o dinheiro para viajar o resto do tempo. Uma garçonete aqui ganha US$ 25 por hora. Faxineira ganha US$ 30. Ou seja, em um mês eles conseguem ganhar quase R$ 9.000. E quanto mais pesado o trabalho melhor pago é.

Começamos também a estranhar a quantidade de crianças existentes. Cada mãe passa com três ou mais filhos. Todos branquinhos, loirinhos e de olhos lindos azuis. Geralmente tem até carrinho duplo tal a proximidade de um filho para o outro. Poucos têm dois, a maioria três ou mais. Eu acho que eles estão tentando povoar a Austrália. Na verdade creio que como o país é ótimo, o futuro é cheio de esperanças, não falta comida e recursos e existem grandes benefícios que auxiliam a população eles não se preocupam em ter vários filhos.
Foi subindo para Cairns e lá que começamos a ver muito mais aborígenes. Eles também preferem o calor. O governo também dá inúmeros benefícios para eles que continuam pobres, a maioria bebe e fica enfeiando as cidades. Estão sempre me grupos, fazendo arruaça, bebendo. Não gostam muito do trabalho. Isso é uma generalização porque não conhecemos nenhum trabalhando.
Durante os nossos vários dias em Cairns aconteceu o Ironman. Foi muito legal porque tinha as barracas do evento que davam coisas, vimos atletas mundiais, foram alguns dias de shows e atividades. Nós tiramos a foto do Ironman e ainda ganhamos cappuccino. Como o café é um item muito caro no país adoramos.

E finalmente, nos dias de ir embora fizemos três grandes amigos. Rose de Fiji com seu marido Said do Egito. Conhecemos a Rose no supermercado. Ela nos ensinou que após as 19:30 o mercado reduzia o preço de toda a parte de confeitaria. Foi nossa chance de comer muffins de chocolate de monte. Depois que ficamos sabendo disso íamos toda a noite até lá e sempre encontramos a Rose. Ela e o marido tem um internet café, EasyCafe, e ela comprava vários produtos para oferecer aos clientes. Na nossa última noite, quando ficou sabendo que íamos embora, nos convidou para ir conhecer e tomar café no negócio deles. Nunca vi gente tão amável e gentil. Nos ofereceram de tudo: um doce de batata doce egípcio que o marido faz, um doce de arroz com coco que deve ser de Fiji e um café delicioso. Queriam até nos dar alguma coisa para levarmos de lanche no trem. No dia seguinte começamos nosso retorno para o sul já pressentindo o frio que iríamos passar.

Kuranda

Barron Falls e o desfiladeiro na época das secas
Barron Falls e o desfiladeiro na época das secas

De Cairns fomos fazer turismo em Kuranda um dos dias. Pegamos o ônibus de linha que sobe as montanhas e chega à cidade me 40 minutos. Kuranda é uma cidade muito gracinha, meio hippie e que fica a 25 kms de Cairns dentro de uma floresta tropical que é patrimônio da humanidade e em maior altitude que Cairns. Existem vários passeios pagos que incluem a viagem de trem panorâmico muito bonita e o passeio no teleférico. O passeio de ônibus já é bonito e a cidade é pequena e possível conhecer toda andando. Chegando lá caminhamos até a Barron Falls que é uma cachoeira muito bonita dentro de um desfiladeiro grandioso. Foram 6 km de trilha e apenas parte é dentro da floresta. Tivemos a companhia de um indiano, Atul, que estava no nosso albergue. Figurinha complicada e faladeira. Pelo meio da caminhada ele encontrou um alemão chamado Daniel e deu sossego aos nossos ouvidos. Foi possível apreciar a cidade.

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