Port Macquarie – terra dos coalas dodóis

Coala tão fofo que nem parece de verdade
Coala tão fofo que nem parece de verdade

Decidimos parar em Port Macquarie por três motivos: descansar de uma viagem de trem muito longa entre Brisbane e Melbourne, porque na ida não sabíamos sobre a cidade e principalmente para ver o Hospital de Coalas que existe lá. Não nos arrependemos. Foi muito bom. A viagem de Brisbane até Port Macquarie foi durante o dia, fomos de trem até Wauchope, uma cidade perto e pequena, depois de ônibus da companhia de trem até a cidade. Ao todo 12 horas de viagem.

Essa cidade pequena onde ficamos 3 horas esperando o ônibus depois de chegar de trem. Pelo menos tinha biblioteca para acessar a internet
Essa cidade pequena onde ficamos 3 horas esperando o ônibus depois de chegar de trem. Pelo menos tinha biblioteca para acessar a internet

O albergue do YHA muito bom, simples como todos, mas bem aconchegante. Dividimos um quarto com mais 4 pessoas. Ficamos três dias lá e foi muito doido. Chegamos e já estavam três pessoas no quarto que não chegamos nem a ver. Saíram no dia seguinte de manhã. Nesse dia chegaram mais três pessoas. Um australiano que apenas dormiu e no dia seguinte se foi e, como eu já estava dormindo, nem vi chegar ou entrar. Um senhor australiano que fez o mesmo, mas roncou a noite toda. Roncou tanto que nenhum de nós, além dele, conseguiu dormir. Esse tipo de gente devia ser proibido em dormitórios. Eu e o australiano acordamos furiosos e reclamando. O outro eu nem vi quem era. E sempre homens. Depois veio um casal muito simpático inglês que nós deixamos lá porque chegou nossa vez de ir embora. Ou seja, a vida em dormitório é um flash.

A cidade é pequena, como todas as outras é bonita e arrumada, tem supermercado e todo o resto e dá para fazer tudo apenas caminhando. Fizemos dois passeios. No primeiro dia, é claro, fomos até o hospital dos coalas que foi ótimo. Tem uma voluntária que explica a finalidade do lugar, como eles trabalham, como tratam os animais, como dão nome aos bichinhos, como eles chegam até lá e todo o resto. Como todo mundo conhece o trabalho deles, toda vez que encontram um coala machucado ou órfão levam até o hospital. E eles tratam. Se forem órfãos tratam até crescerem e depois liberam na natureza. Os muito dodóis ficam lá para sempre. E alguns vão e voltam. A maioria é vítima de atropelamentos ou ataque de cachorros. Alguns caem das árvores e se machucam. Todos são lindinhos e fofos e parecem bichos de pelúcia. Agora falando sério: os coalas também são marsupiais, também carregam os filhotes dentro de uma bolsa na barriga. A gestação dura cerca de um mês e ai nasce um apenas um coalinha em estado embrionário. Feinho que só, pesando pouco, ele migra para a bolsa da mãe onde continua a se desenvolver. Dentro da bolsa da mãe ele se atraca com uma das tetinhas e fica lá até o desenvolvimento completo. O leite da mãe é muito fraco então o coalinha mama por 12 meses. Mas depois de sete semanas o Joey (nome dado a todos os nenês de marsupiais) já tem cor e sexo definido. Treze semanas e os olhos começam a abrir, depois de mais 13 semanas já pões a carinha para fora. Ai vem a parte nojenta: para preparar o filhote para comer eucalipto a mãe produz uma papa fecal que o filhote come. Fofinho e bonitinho mas arrrgghhh. E aí ficam nas costas da mãe por mais algum tempo e viram adultos.
Os coalas comem cerca de meio quilo de folhas por dia em cerca de seis refeições. As folhas fornecem pouca energia e é por isso que eles têm que limitar o gasto energético e dormem cerca de 20 horas por dia. Tem apenas quinze minutos por dia para socializar e são animais noturnos. Às vezes dormem até o dia todo.

E é claro um filme, não muito bom porque a câmera é ruim, mas o suficiente para ver o lanche.

E nosso lugar favorito em todas as cidades: a biblioteca. Sempre organizadíssima, sempre com wi-fi grátis e computadores pagos

Carlos na biblioteca. Esse era apenas um trecho do prédio.
Carlos na biblioteca. Esse era apenas um trecho do prédio.

E no outro dia fomos fazer o que restava fazer em PM. Como não é mais verão não é possível ter aulas de surf, nadar ou andar de caiaque. Era possível ir fazer um passeio de barco para avistar golfinhos e baleias. Golfinhos vimos da praia mesmo e muitos. Baleias elas não davam certeza e o passeio é caro para ir tentar. Então fomos fazer a caminhada por todas as praias, seis praias diferentes. A caminhada é agradável porque sempre tem infraestrutura. Têm banheiros limpos, água, calçadas, sempre gente fazendo esportes, churrasqueiras, lugares para piquenique. No caminho tem um mirante chamado Flagstaff Hill. Na Town Beach e na Flynns Beach ainda tinha surfistas. Tem uma praia chama Nobby que é a única que permite cachorros e estava cheia deles passeando ou correndo com os donos. Fomos até a Shelly Beach que era a última e tinham nos dito que tinha iguanas. Não vimos nenhuma e já estávamos cansados. Voltamos. Perto da Lighthouse também podem se ver golfinhos mas era o dobro da caminhada e desistimos.

Pelicanos esperando os pescadores
Pelicanos esperando os pescadores

Não conseguimos lavar roupa, não descansamos muito porque a caminhada foi grande e acordamos no próximo dia para pegar o trem para Melbourne. Do mesmo jeito, ônibus até Wauchope, trem até Melbourne. Encontramos um casal australiano muito simpático que nos perguntou sobre as manifestações no Brasil, discutimos um pouco de política e no final ganhei até um chocolate deles. Gostamos muito da cidade e mais ainda do hospital. Foi uma parada muito interessante. Tudo deu certo.

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