Sidnei – o retorno

Vencemos a Austrália: as grandes distâncias, os preços estratosféricos, a falta de informações turísticas, as propagandas enganosas. E ficamos dentro do orçamento
Vencemos a Austrália: as grandes distâncias, os preços estratosféricos, a falta de informações turísticas, as propagandas enganosas. E ficamos dentro do orçamento

De Broken Hill voltamos para Sidnei para pegar o voo para Queenstown, Nova Zelândia. Nossa viagem de trem de BH até Sidnei foi tranquila. Uma vez por semana tem um trem direto então não precisamos amargar 7 horas no ônibus. Tomamos o trem cedinho, a Camille nos levou até a ferroviária, e chegamos anoitecendo. Quando fomos para Blue Mountains descobrimos que todo trem tem uma “quiet carriage” que é um carro silencioso onde ninguém pode ouvir música, falar no celular, fazer farra, barulho, etc. E, é claro, não entram crianças. Quando entrou uma família de aborígenes (mãe, vó e umas 3 crianças) fazendo farra no nosso carro pedimos para mudar para o quiet carriage, fomos atendidos e compreendidos prontamente. E além de tudo era um carro melhor, mais quentinho e quase vazio. Aproveitamos a paisagem. Vimos bandos e bandos de emus (o maior pássaro nativo da Austrália e parente do avestruz) e bandos e bandos de cangurus. Infelizmente do trem não dá para fotografar e eles são muito rápidos, mas compartilho com vocês fotos de amigos.


Chegamos já com reserva para o YHA e compartilhamos nosso quarto com um menino de Taiwan, chamado Bowie, que era uma graça de pessoa. No dia seguinte ele foi embora de volta para Taiwan e nos deu de presente o cadeado novinho dele com as duas chaves. No dia anterior ele viu a nossa dificuldade tentando trancar o armário com um cadeado pequeno. Ele disse que não ia mais usar e que viu que a gente precisava. O céu também deve estar cheio de mochileiros sofridos. Dei até um beijo nele de tão simples e generoso que foi.
Infelizmente ficamos apenas duas noites porque não tinham mais lugar para nós e tivemos que ir para outro YHA fora da cidade, perto das universidades e uns 40 minutos caminhando até o Darling Harbour e nesse YHA foi que encontramos nossos companheiros de quarto mais estranhos de toda a viagem: um casal francês que passou o tempo todo cochichando, todos acordados, luzes acesas e esses dois sussurrando. Avisei o Carlos, eles estão planejando assassinar a gente para ficarem sozinhos no quarto. Só isso explica os dois. Rimos muito. Mesmo porque sussurrando ou não eu ouvi e entendia quase tudo. Também encontramos um brasileiro muito legal que está estudando em Sidnei pela Fapesp: Alex Pessoa. É difícil encontrar brasileiros com destino certo nos albergues. O povo está sempre meio perdido.
Antes de sairmos de Sidnei aproveitamos para zerar a lavanderia e ir com tudo limpinho e comprar as roupas quentinhas para o inverno da Nova Zelândia. Fizemos isso no Paddy´s Market que é a 25 de Março de Sidnei. O Carlos conseguiu comprar uma jaqueta pesada e forrada por US$ 25. Também tive que deixar algumas coisas para traz: meu azeite de oliva que eu dei para um francês que ficou tão feliz que até me beijou e o mel que eu deixei com o Alex.

Voltando a Sidnei depois de conhecer vários cantos da Austrália e quase nos despedindo percebemos que Sidnei é bonita e realmente tem muita gente e muita gente fora dos padrões. Gostamos da cidade que é bonita, organizada, tem transporte excelente. Como foi nosso primeiro contato, e susto, com a Austrália não deixará saudades. Aproveitamos os dias lá para passear mais um pouco, rever alguns lugares, descansar e pesquisar um pouco sobre o próximo destino.


E mais um pouco de Opera House para ficar na memória
E mais um pouco de Opera House para ficar na memória

Também começamos a listar tudo que é típico dos australianos:
– usar muito algumas palavras em inglês que não são muito usadas nos outros países como no worries, lovely, as well, awesome (traduzindo respectivamente: sem problemas que eles usam como de nada, tipo assim que gracinha, também, formidável)
– andar descalço pela cidade mesmo no inverno em qualquer lugar
– horários de trabalho super reduzido para poder aproveitar a vida. Não é a toa que o executivo australiano é o terceiro menos estressado do mundo.
– mania de ajudar quem está olhando mapa
– adoram conversar, toda vez que íamos comprar ou perguntar algo passávamos horas batendo papo com eles
– banheiro de mulher é female toilet (tipo assim banheiro de fêmeas) e não ladies room
– lavam louça igual aos ingleses: enchem a pia de água com sabão e passam os pratos sujos por essa água e depois colocam para escorrer (arrrghhhhh)
– são fanáticos por rúgbi
– não tem moedas de um centavo, apenas de cinco

Outra mania de australianos: pendurar cadeados com os nomes dos homenageados em todos os lugares turísticos
Outra mania de australianos: pendurar cadeados com os nomes dos homenageados em todos os lugares turísticos

E visitando a Opera House, vendo a ponte, dando mais uma volta no Jardim Botânico, passeando no ônibus turístico grátis, nos despedimos de Sidnei, da Austrália e do povo que é ótimo. Foi difícil pelos custos, pelas longas distâncias ainda assim foi uma farra. A diversão também foi grande e foi todo um aprendizado: ficar em albergues e ver como tudo funciona e ser de verdade um mochileiro, conhecer tanta gente do mundo todo e ver algumas ideias ruírem e outras ficaram mais fortes. Também foi difícil perceber que um país mais novo que o nosso deu tão certo enquanto nós ainda não encontramos nosso rumo. Madrugamos, pagamos um transporte para o aeroporto, que dividimos com outro casal de brasileiros, e tomamos nosso rumo para Queenstown, Nova Zelândia. Nosso 11º. País da viagem.

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