Greymouth / Arthur´s Pass / Christchurch – o caminho dos Alpes para a tristeza

Greymouth

Nossa melhor lembrança de Greymouth: McDonalds com Diana logo na chegada
Nossa melhor lembrança de Greymouth: McDonalds com Diana logo na chegada

Pegamos carona com a Diana de Franz Josef até Greymouth. Foi uma delícia nos livrar dos ônibus e andar de carro depois de uns oito meses e ter outra pessoa da terrinha para trocar experiências, alegrias e queixas. E discutir o que cada um sente falta. O Carlos de nada e nós duas do cabelereiro / manicure. E ao fundo muito verde, montanhas, carneiros e veados em pastos verdes.
Greymouth, que fica na foz do Rio Grey – daí o nome, perto dos Alpes do Sul. Se o dia estiver bonito você até vê o Mt. Cook que é a maior montanha da NZ e fica nos Alpes. Não foi o nosso caso, o dia estava horrível: frio e chuva. Apesar de ser uma das maiores cidades da costa oeste na ilha sul a população total do distrito é de 13 mil e poucos habitantes, no entanto isso é 40% da população da costa oeste. O atrativo da cidade é que tem um trem que sai de lá, cruza os Alpes, cruza o país de oeste a leste e chega a Christchurch. É considerado um dos trens com vista mais linda do mundo. Descobrimos que o trem acompanha a rodovia o tempo todo e o ônibus custava 40% a menos que o trem e nos permitia parar nos Alpes. O trem é mais bonito, mais confortável, um luxo só, mas nossa viagem não permite esbanjar dinheiro então foi de ônibus mesmo. A viagem foi linda de qualquer modo. Ficamos apenas um dia na cidade para pode decidir entre trem e ônibus, comprar a passagem, ver a paisagem e sair de manhã do dia seguinte rumo aos Alpes.

Cedinho o ônibus passou para pegar a gente para levar até os Alpes. Frio, ônibus pequeno mas aquecido.

Arthur´s Pass

Os Alpes do Sul
Os Alpes do Sul

A pequeníssima vila de Arthur´s Pass fica dentro do Parque Nacional de Arthur´s Pass que foi criado em 1929. Nós viemos pela rodovia estadual 73 que passa no meio do parque e da vilinha é claro e nos deixou na porta do YHA, nosso albergue gracinha com um dono muito mal humorado. A vila fica a 920 metros acima do nível do mar e na passagem da montanha que foi primeiro percorrida pelo Arthur, daí o nome. Mais um lugar maravilhoso de paisagens grandiosas e que pelo caminho já nos deixou boquiabertos. Fiordes, glaciais foram nos preparando para a beleza dos Alpes. Mas mesmo assim fizemos ó. Fizemos três trilhas no parque:
– Millennium Walk, uma trilha de 10 minutos, fácil e onde você pode ver trutas de uma ponte antiga.
– Devils Punchbowl Waterfall, uma trilha de uma hora ida e volta e que vai até o topo (130 metros) da cachoeira que dá para ser vista da estrada.
– Bridal Veil, uma trilha fácil de uma hora e meia, ida e volta e que chega através da floresta, passa por algumas vistas cênicas e vê a cachoeira.
Saímos às nove da manhã e voltamos às três da tarde. Como todo trekker despreparado e besta não levamos nem água e nem comida. Resultado, mortos de fome, na saída da última trilha fomos para a estrada pedir carona para voltar os 3 km até o albergue. Foi fácil e foi com um australiano. Chegamos e já a fazer almoço e comer. Muitos trekkers cometem os mesmos erros nas trilhas mais longas e acabam morrendo por falta de roupa suficiente, comida, os dois ou porque o clima muda, neva, apaga os rastros e eles se perdem. Antes de sairmos temos que avisar o que vamos fazer, onde estamos indo e dão inúmeros conselhos. Nós voltamos são e salvos e famintos.
Felizmente a chuva, que castiga a região durante 200 dias por ano e deu trégua pela manhã, começou e só nos restou dormir, ficar no micro e aproveitar o quentinho do albergue. Dia seguinte saímos cedo, o mesmo ônibus que nos deixou nos pegou e fomos para ChristChurch.

Água dos riachos de limpeza e cor indescritíveis
Água dos riachos de limpeza e cor indescritíveis
Carlos na sala de TV e de estar do albergue colocando os assuntos em dia
Carlos na sala de TV e de estar do albergue colocando os assuntos em dia

Chistchurch

Prédio chic de apartamentos que será demolido. Reparem que está inclinado. Esse é o que restou do centro da cidade
Prédio chic de apartamentos que será demolido. Reparem que está inclinado. Esse é o que restou do centro da cidade

Christchurch é a maior cidade da Ilha Sul da NZ e têm uns 370.000 habitantes. E é a primeira maior da ilha do sul. Infelizmente de 2010 a 2012 foi atingida por inúmeros terremotos. A cidade não estava preparada. Em 2010 foi um terremoto de 7.1. Esse terremoto não causou mortes, ocorreu de madrugada e abalou as estruturas então seis meses depois quando veio o segundo terremoto de 6.3 a cidade desabou, morreram cerca de 185 pessoas porque foi durante o dia e atingiu o que eles chamam de CBD (Central Business District, Centro de Negócios) que estava em total funcionamento aquela hora. A maravilhosa catedral da cidade perdeu suas torres e o centro da cidade sumiu. Quatro meses depois mais um terremoto e aí nada sobrou. Ninguém morreu nesse. Na verdade de 2010 a 2012 foram registrados 4,423 terremotos na região.
Encontramos uma jornalista que nos contou tudo isso e mais muitas coisas tristes:
– o seguro não é suficiente para reconstruir prédios, casas e apartamentos com reforço estrutural prevendo os próximos terremotos então as pessoas perderam suas casas e seus negócios porque o dinheiro recebido vai todo em estrutura reforçada;
– muitos idosos morreram de desgosto depois do terremoto por não terem mais esperanças de ter sua vida de volta;
– muitos estavam trabalhando e tiveram que ser resgatados de prédios que perderam uma metade
Na verdade andar pela cidade dá tristeza. O que ainda sobrou está sendo demolido e por todos os lugares tem placas de perigo, vazios e entulhos. Não foi um passeio muito turístico, mas foi a primeira vez que tivemos contato com um acidente da natureza dessa grandeza. Ficamos em choque, tristes e achamos que valeu a pena passar pela cidade.

Ficamos em um albergue do YHA que fica num prédio histórico e que resistiu ao terremoto. O prédio é lindo e foi o primeiro YHA da NZ. Um luxo.

Fundadora do YHA na NZ
Fundadora do YHA na NZ

O prédio histórico do albergue
O prédio histórico do albergue

E saímos daqui com destino a Kaikoura e depois a Wellington que na semana anterior também tinha passado por um terremoto. Wellington é a porta de entrada da Ilha Norte e só poderíamos pular se fosse de avião. Como já tínhamos investido o dinheiro todo no ônibus, arriscamos. Com medo.

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