Santiago – a caminho de casa

La Moneda. O palácio onde Allende se suicidou e Pinochet tomou o poder
La Moneda. O palácio onde Allende se suicidou e Pinochet tomou o poder

Como um misto de tristeza e alegria saímos da Ilha de Páscoa com destino a Santiago. É legal pisar de novo na América do Sul depois de estar um ano fora, mas um calafrio percorre o corpo só de pensar em voltar ao Brasil. Poucas vezes tivemos oportunidade de ver notícias do Brasil na TV e estamos sempre tentando ler os jornais e a nossa impressão é que deixamos um país muito ruim para voltarmos para um bem pior onde até as esperanças já foram embora. Pelo menos a saída de IP foi espetacular. A atendente no aeroporto nos deu um lugar excelente no avião, voamos durante o dia e conseguimos ver a ilha todinha de cima. Foi uma saída cinco estrelas.

Nossa chegada ao Chile continental foi à noite, voo doméstico não tem informações turísticas que fica dentro do desembarque internacional. Não tivemos grandes problemas, chegamos a um país que fala nossa língua. Literalmente, estão falando português no Chile. A quantidade de brasileiros é tão grande que eles estão aprendendo até a falar Tudo bem. Na agência de turismo do aeroporto, a Turistik, fomos atendidos por um brasileiro que compreendeu nossa vida mochileira e indicou o ônibus e o melhor bairro para, naquela hora, encontrar um albergue. E lá fomos nós ônibus, metro e caminhada para o albergue. Primeiro lotado, a recepcionista ligou para o segundo onde tinha vaga. Ainda bem porque eram 23:00 e eu queria cair em uma cama e dormir. Entramos no quarto e o Carlos saiu para comprar algo para comermos e bebermos. Achou umas empanadas básicas e foi nosso jantar. Daí cama. Ficamos no bairro Bellavista. O bairro mais agitado de Santiago onde tem várias universidades, inúmeros bares e onde toda a moçada se reúne.

Dia seguinte sair para ir ao supermercado, encontrar o jeito mais barato de ir ao Atacama e rever a cidade que a gente já conhecia. Nós gostamos muito de Santiago, mas estranhamos a quantidade de gente e as buzinas (e os xingamentos), estranhamos que tem segurança nos supermercados e que as ATMs são fechadas. Também é estranho ouvir tanto português pelas ruas. Descobrimos que os brasileiros estão vindo fazer compras nos outlets daqui. Os argentinos também. Chegamos a América do Sul.

No dia seguinte, já decidido o Atacama, fomos almoçar congrio no Mercado Central e tomar um café em um dos famosos Café com Piernas. No centro de Santiago existem várias cafeterias em que todas as garçonetes são mulheres e usam saias justíssimas e curtíssimas. É uma coisa muito típica da cidade e muito frequentada pelos executivos do centro. A tarde fazer um passeio grátis que é uma caminhada pela cidade. Na verdade no final nós deveríamos dar alguma gorjeta para o guia. Mas é grátis. O passeio é ótimo, o guia excelente explicou todos os lugares. Durou umas três horas e passou pelos pontos principais da cidade e pela história. No meio do caminho paramos para um café ou um pisco sour.

Dia seguinte fomos ao Museu dos Direitos Humanos que é um museu novo e que mostra o golpe militar, a ditadura, as torturas, a perseguição às pessoas. Tão triste quanto no Brasil e tão triste quanto o que vimos no Camboja. Eu sempre chego à mesma conclusão de que a crueldade é igual em todas as partes. No caminho para o Museu uma manifestação super organizada dos estudantes chilenos que pedem que a universidade seja pública e grátis.

Próximo dia fomos de ônibus para Valparaiso e Viña del Mar e no dia seguinte fomos para o Atacama. Depois do Atacama voltamos para passar mais três noites em Santiago e tomar nosso avião para casa. Chegamos bem no meio das Fiestas Pátrias que são as festas que comemoram a independência do Chile e o começo do governo local. Eles são extremamente patriotas e começamos a ver bandeiras, chapéus, enfeites, tudo com as cores do Chile desde que chegamos. Essa semana virou febre. O problema é que é um feriado como o nosso carnaval. Tudo fechado dias 18 e 19, muita gente viajando, tudo lotado e muita gente bebendo e causando problemas. Ainda assim conseguimos passear, ver o Parque O´Higgins, o Ibirapuera deles, em festa, ir até a Vinícola Undurraga conhecer e aprender e visitar por dentro o Palácio de La Moneda em tour guiada.

A segunda visita a Santiago foi muito boa, adoramos o povo que é muito cordial e nos ajuda muito, adoramos o idioma, é mais seguro que o Brasil porque eles não têm armas. Durante a viagem ao Atacama encontramos três inglesas que nos indicaram o albergue em que estavam. Como hospedagem fechamos com chave de ouro. Um dos melhores albergues de toda a viagem. Infelizmente eu me esqueci de tirar as fotos quando dois amigos brasileiros nos visitaram aqui: o Francisco da BSI e o Wesley. Foi uma alegria. Os dois também estão passeando e como o Xico segue meu blog sabia exatamente onde eu estava. Ou seja, foi uma passagem perfeita pela cidade e um adeus bom para esse ano de aventura

No último dia de Santiago, de viagem pelo mundo fomos brindados com a troca da guarda em frente ao Palácio La Moneda. Creio que foi uma hora de cerimônia e não sei se foi especial pela data de comemoração ou se é assim sempre. Como todos os chilenos estavam em casa ou viajando na praça só tinha brasileiros e creio que eles sabiam disso porque tocaram Aquarela do Brasil no meio da cerimônia. Eu que já estava tão triste por ter que voltar quase chorei pensando que um país tão lindo como o nosso não merece o que está passando. Mas aproveitei a beleza.

Valparaiso e Viña del Mar

Valparaiso e Viña são quase uma cidade só. É até difícil ver a separação. Pegamos um ônibus e uma hora depois estávamos em Valparaiso. O mesmo passeio a pé que existe em Santiago também é feito em Valparaíso. Não deu tempo de encontrar o guia, mas seguimos o mapa do passeio e gostamos muito.

Pegamos um dia sem sol, com frio e bem feio em Valparaiso e Viña como atestam as fotos e ainda assim são duas cidades muito bonitas, organizadas e graciosas. Andar por elas é cansativo devido a tantas subidas e descidas. Vale a pena ir conhecer e é um passeio bom para um dia.

Perrengue: De novo nos encontramos com os percevejos. Acreditamos que depois da Austrália e da Nova Zelândia estávamos livres. Que nada. Acordei no meio da noite com algo andando no meu rosto. Bati a mão e acendi a luz para ver se era pernilongo ou coisa pior. Era coisa pior. Tinha matado um percevejão. Acendemos as luzes, peguei a lanterna e fomos fazer caçada na cama. O travesseiro do Carlos era um criadouro dos bichos. Matamos três grandes e uns quatro filhotes. Ficamos horrorizados e ninguém mais dormiu. Dia seguinte falarmos com a recepção que nos mudou de quarto, lavou toda a nossa roupa. No outro quarto não fomos atacados, mas as mordidas da noite anterior coçaram até chegar ao Atacama cinco dias depois. E como coça.

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3 comentários sobre “Santiago – a caminho de casa

  1. Jill harrison

    Hello you two! Did you think I had forgotten you? Have been following you all the way and just wanted to say ” congratulations” and welcome home. Your blogs have been wonderful-what an interesting and exciting trip you have had. It seems a long time since we were together in Cambodia. Is it good to be back or are you restless to go again? Hope to see you both one day-either in the UK or Brazil or somewhere else in the world!!!

    Jill.

  2. Anônimo

    Vania, penso que você fez todos os comentários possíveis no teu blog, mostrou as fotos dos lugares mais lindos e interessantes, tudo o que deveria ser visto, e posso afirmar que ele foi um ótimo companheiro para ajudar na superação de um ano inteiro de ausência. Nos encantou, e conseguiu mostrar-nos com pureza e simplicidade, os modos de vida de povos diferentes dos nossos, nos vários países por onde tiveram a felicidade de passar. Fechando a viagem, hoje, com tristeza compreensível, tendo que retornar ao lar e pelo lastimável estado em que se encontra o Brasil, tenho certeza que mais rápido do que esperam, vcs estarão ideando novas aventuras. Que o retorno não seja tão doloroso. Bjs.

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