Atacama – um grande acerto

Nós no Vale do Arco Íris
Nós no Vale do Arco Íris

Apesar de termos chegado de volta ao Brasil não poderia deixar de escrever sobre o Atacama que foi um dos pontos altos da viagem. Tão maravilhoso e tão surpreendente que foi o lugar onde tiramos mais fotos. O Carlos teve um ataque de oriental e conseguia tirar 100 fotos por dia. Difícil agora é escolher.
Quando você compra uma passagem RTW que vale por um ano, ironia do destino, as companhias não tem agenda aberta para um ano então quando chegou a época, tivemos que marcar todas as datas que faltavam. Nessa época decidimos aumentar os dias na Ásia (que foi ótimo) e incluir o Chile na viagem. O Chile seria apenas um ponto de passagem até então. Como tínhamos 20 dias até a passagem expirar, colocamos mais vinte dias no Chile já pensando em ir para o Atacama porque o sul do país a gente já conhece. Todas as vezes que tentamos ir do Brasil para o Atacama os preços eram proibitivos então pensamos que estando aqui seria mais fácil / barato. Foi nosso grande acerto. Então chegando a Santiago saímos a caça de uma maneira para ir para o Atacama, achamos e de mochilas nas costas lá fomos nós enfrentar os cinco dias de viagem para chegar e as 24 horas de ônibus para voltar. Valeu todos os km da viagem.
Depois da viagem de cinco dias de Santiago a São Pedro pelos 1910 km da Rota 5 chegamos a São Pedro de Atacama que era tudo aquilo que a gente esperava de uma cidade no meio do deserto. A cidade em si já é uma graça. Ruas de terra / areia, pequena, agências de turismo, restaurantes e hotéis dos dois lados da rua e em todas as poucas outras ruas também. Pessoal muito simpático, acessível e brasileiros de monte. Andar na rua era como andar em qualquer cidade do Brasil, só se escutava português e todo o pessoal que atendia a gente tentava falar aquele famoso “portunhol”. Apesar de pequena e isolada no coração do deserto mais árido do mundo, San Pedro possui uma vida agitada, mesmo depois da meia noite, os bares e restaurantes ficam todos lotados com pessoas conversando e planejando o dia seguinte. Por ser bem isolada é considerado um oásis no meio do deserto e o principal ponto de encontro de viajantes do mundo inteiro, mochileiros, fotógrafos, astrônomos, cientistas, pesquisadores, motociclistas e aventureiros. E nós.

A cidade fica a 2.400 metros de altitude e é o lugar da terra que passou mais tempo sem presenciar chuvas, sendo registrados 1400 anos sem indícios de chuva. É o deserto mais seco da terra. É seco, seco, seco. O cabelo fica elétrico, seco esturricado, a pele começa a craquelar. Os pés começam a rachar. Além de ser o deserto mais alto é também o mais árido. Mesmo não chovendo é quase comum nevar em partes da região perto dos vulcões. O Deserto de Atacama pode ser comparado com algumas cidades em certas épocas como Brasília nos períodos de Junho a Setembro por ter umidade relativa do ar com uma média de 5%, e com pouca precipitação. Este deserto é o palco do clímax do filme Quantum of Solace, no eco – hotel Perla de las Dunas.
Ficamos com o tour até o sexto dia porque no sexto dia a Pachamama leva a gente até a Lagoa Cejar, o Vale da Lua com suas cavernas e anfiteatro. No final do sexto dia, super cansados, fomos jantar com o pessoal para a despedida. Apesar de pouco tempo ficamos tristes em deixar o pessoal. Fizemos excelentes amigos na viagem e como eu sempre digo amigos de viagem são os melhores porque a gente se encontra num momento de felicidade e realizações.

No dia seguinte acordamos às quatro da manhã para sair às cinco e ir ver os gêiseres de Tatio. Quando voltamos o pessoal já tinha ido embora. No outro dia descansamos, passeamos pela cidade e redondezas e fomos fazer o passeio astronômico à noite para ver o maravilhoso céu estrelado do deserto. Fizemos ainda mais um passeio até o Vale do Arco Íris outro até o Vale da Morte. Não conseguimos ir até o Salar de Tara porque estava fechado para o turismo. Antes das fotos, vou explicar um pouco de cada lugar:

Laguna Cejar – Lagoa Cejar

A 30 quilômetros de SPA fica esta lagoa que é chamada de “Mar Morto sul-americano” por sua água com altíssima taxa de salinidade. Por conta disso, quem mergulha nela não afunda. A concentração de sal nestas lagoas é tão grande que os corpos não afundam. Quem entra ali flutua como no Mar Morto. É importante levar um par de chinelos na mochila (além do traje de banho) para não pisar nas margens, pois a superfície salina é bem afiada. A água é extremamente gelada e é bom entrar de costas, devagar e, em determinado momento abrir os braços, fechar os olhos e boiar. Você pode até relutar e tentar empurrar as pernas no sentido vertical, mas a pressão é forte e o jeito é se deixar flutuar e relaxar. Na saída da lagoa, nosso guia nos deu banho de água doce aquecida ao sol para se limpar do sal para não sentir a pele coçar nem o cabelo ressecar (o meu não teve jeito). O visual da lagoa emoldurado pelo céu do Atacama à disposição é inesquecível.

Valle de La Luna – Vale da Lua

Da lagoa, já de banhos de água doce tomados, finalmente seguimos para o Valle de La Luna e conforme a van seguia pelo parque, víamos os efeitos da erosão constante sobre as rochas salinas, enormes dunas de areia, a Cordillera de La Sal e a Cordillera Domeyko, além de vários vulcões, como o Licancabur (5.916 m), Aguas Calientes (5.924 m), Lascar (5.154 m), e Acamarachi (6.046 m). A paisagem é de outro planeta. Nosso guia nos disse: Bem vindos a Marte ou a Lua. Não existe vida animal ou vegetal, não tem humidade, é o lugar mais inóspito da terra. Na nossa primeira parada, visitamos as Cuevas de Sal, um cânion estreito que termina em uma caverna. Quando o guia disse caverna eu não imaginei que teria que rastejar no escuro e me espremer em trechos com pouco espaço. Ainda bem que levei uma lanterna e o celular. O que quase faltou foi ar. Explico: sou claustrofóbica e quando vi onde tinha me metido tive que segurar na mão de Buda, respirar forte e ir em frente. Mas sai em crise. Sobrevivi. Dali seguimos para uma escultura natural, que alguém com muita imaginação, achou que lembrava as “Três Marias”. Confesso que não sou tão criativa assim, e não consegui enxergá-las. O que realmente me chamou a atenção foi o fato de que existem apenas 2 Marias inteiras, a terceira foi quebrada por um turista infeliz, que a escalou para tirar uma foto. E finalmente, quase com o por do sol, fomos ver o Valle de la Luna. As fotos falam por si.

E mais um filme:

Gêiseres de Tatio

O bom do Deserto do Atacama é que quando você acha que mais nada pode lhe surpreender, você é surpreendido. Neste tour pelos gêiseres de Tatio foi assim
Os Gêiseres de Tatio são uma das melhores atrações do deserto do Atacama. Fica na bacia geotérmica que tem o mesmo nome a 90 quilômetros ao norte de SPA a cerca de 4.320 metros de altitude. Saímos cedo para ter tempo de chegar lá quando ainda não há sol e calor e é possível ver a atividade do gêiser em toda a sua grandeza. As grandes colunas de vapor saem para a superfície através de fissuras na crosta terrestre, alcançando a temperatura de 85°C e 10 metros de altura. Os gêiseres de Tatio são formados quando rios gelados subterrâneos entram em contato com rochas quentes. Chegamos a -8°C, encapotados, passamos frio, tomamos chocolate quente esquentado no gêiser, andamos por todo o lugar vendo as maravilhas do mundo. Depois de toda a vista e o frio é possível nadar em uma piscina natural de água quente. O problema é tirar a roupa naquela temperatura. Muitos foram. Nós não tivemos coragem. Na volta a parada principal é na vila de pastores que se chama Machuca aonde vimos uma igreja pitoresca, um monte de lhamas (tem até churrasquinho de lhamas) e outras comidas locais típicas. Também fizemos outras paradas ao longo do caminho para apreciar e fotografar, principalmente, o cenário bonito ou apreciar a flora (cactus) e fauna (vicunha, flamingos, pássaros, etc.). Mais um dia de encher os olhos.

E mais um filme:

Valle Del Arco Iris e Petroglifos

Na primeira parte do tour seguimos para o Vale do Arco Íris, um lugar diferente de tudo que já vimos antes, com grandes pedras e montanhas de diversas cores, que são originárias de uma grande erupção vulcânica, quando uma grande explosão derramou rochas ricas em diferentes materiais, cada um com sua cor dominante. Por exemplo, as rochas verdes são ricas em óxido de cobre, as vermelhas têm uma alta concentração de argila, as amarelas têm muito enxofre e as brancas possuem diversos sais, em especial o lítio. É só caminhar e fotografar. Tudo é bonito.

Na segunda parte do tour fomos para o parque de Hierbas Buenas ver petroglifos. Mas que diabos são petroglifos? São desenhos feitos em rochas pelos nativos do Atacama e que em alguns casos têm mais de 13.000 anos. Isto mesmo, TREZE MIL ANOS. Estes desenhos eram importantes, pois como não havia um sistema de escrita, era a única forma de registro que eles tinham. A maioria dos petroglifos que visitamos está concentrada em um grande rochedo, no meio do deserto, e ele se parece mais como uma ilha, só que cercada de areia por todos os lados. O acesso aos petroglifos não é tão fácil, e a caminhada rochedo acima não é para qualquer um. Esses petroglifos são muito mais interessantes que os da Ilha de Páscoa por conta da quantidade e variedade.



Valle de La Muerte – Vale da Morte

Paraíso do sandboard e da câmera fotográfica mais um lugar maravilhoso do deserto. Possui terreno arenoso e montanhoso com esculturas naturais, cânions e muita areia. Com rara presença de vida, motivo pelo qual leva o nome de Vale da Morte, serve para a prática de sandboard e é disputada pelos turistas para ver o pôr-do-sol do alto de suas dunas. Com cerca de 2 km de extensão, fica no caminho para o Vale da Lua, próximo à cidade de SPA, a 4 km do centro então fomos caminhando a partir da cidade. A caminhada já e linda e o vale, nessa altura, deixa de ser surpreendente dada à quantidade de maravilhas que vimos nesses dias.

Com os olhos cheinhos de beleza e felicidade (e areia) voltamos para Santiago em uma viagem de 24 horas, saindo do albergue cedinho, parando em Calama para trocar de ônibus e chegando a Santiago na próxima manhã. Os ônibus são bons, tem lanchinho durante a viagem, mas não param em postos grandes como aqui para que a gente possa ir ao banheiro, comer, etc. A viagem é difícil e a paisagem é linda enquanto tem luz. Recomendamos o deserto. Ficamos em estado de graça.

Perrengue:
Em Santiago compramos a tour até o sexto dia porque decidimos ficar mais tempo em SPA e voltar por nossa conta. O que não tínhamos idéia é que por conta das Fiestas Pátrias (um feriadão de quase uma semana para comemorar a Independência do Chile) todo mundo estaria viajando. Quando fomos comprar as passagens para voltar a Santiago tivemos a desagradável surpresa de descobrir que não havia mais passagens. Como nosso vôo saia de Santiago começamos a procurar alternativas. Próximo dia, cheio, dia anterior, cheio. A única opção era ir até Calama que é uma espécie de hub da região e de lá ir para Santiago. Mas em ônibus comum. Leito não era possível e pior, com preço bem mais alto. Vinte e quatro horas em ônibus comum não é fácil. Alegrias de viajar.

Um comentário sobre “Atacama – um grande acerto

  1. Anônimo

    Nos encantamos tanto quanto os viajantes e as fotos e filmes dizem tudo sobre a beleza extraordinária do deserto. Foi uma ótima escolha para encerrar a viagem.

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