Siem Reap – o grande portão para Angkor Wat

Pub Street lugar de bares, restaurantes, estrangeiros e boa comida e bebida barata
Pub Street lugar de bares, restaurantes, estrangeiros e boa comida e bebida barata

Depois da chegada estou pagando as dívidas com os lugares que eu pulei por falta de tempo.
Todo mundo vai para o Camboja ver Angkor Wat. Não deveriam. O Camboja nos encantou. É um país de gente educada e que aparenta ser feliz, o povo é bonito. Eles são orientais de pele mais escura. São lindos, desde as crianças que são em número assustador, até os adultos. Povo sofrido, trabalhador e muito diferente dos outros asiáticos. Infelizmente nossa passagem pelo país foi um relâmpago de seis dias, dois dos quais em viagem e nossa noção de Camboja será dada pelas duas cidades turísticas que visitamos: Siem Reap e Phnom Penh é uma pena mas o pouco que vimos nos surpreendeu. Gostaríamos de ter ficado mais porque o país é muito mais que isso.
Em Don Det compramos a passagem até Siem Reap que consistia em um barco para sair da ilha e um ônibus para chegar ao destino. Saímos cedinho de Don Det de barquinho, sem píer, pé na areia, barco lotado de turistas e mochilas. Chegando ao porto o ônibus nos esperava. Cada vez que isso acontece nos admiramos que tudo de certo, funcione e que ninguém engane a gente. Antes de entrar no ônibus tivemos que acertar a passagem pela fronteira. Funciona assim: o visto custa US$ 20, se você quiser passar por sua conta custa US$ 28. Se você quiser que eles facilitem tudo, inclusive paguem todas as propinas para agilizar os trâmites, paga US$ 30 pp. Depois de pesquisar muito e ler muito decidimos pagar a propina que não era um valor tão absurdo e valia totalmente a pena. Se você não fizer isso corre o risco de todos passarem pela fronteira e você ficar para trás sendo sacaneado pelas autoridades da fronteira. E aí você atrasa o ônibus todo ou eles te largam. Chega a fronteira, o ônibus para numa vendinha / bar na beira da estrada, o “guia turístico” vai cuidar dos trâmites e todos esperam. Passada uma hora, os passaportes são devolvidos, todos entram no ônibus e partimos felizes e aliviados para o destino com os passaportes carimbados. Hoje quando eu conto não dá para explicar a ansiedade e o medo que a gente passa ali numa terra de ninguém, onde não falamos o idioma, a mercê de um ônibus e um guia e sem passaporte. No final, tudo funciona. Muito mais viagem de ônibus e foi ficando tarde, tarde e começamos a nos preocupar que chegaríamos quase meia noite em Siem Reap e sem hotel reservado. No banco em frente ao nosso, no ônibus, estava uma inglesa que estava com a mesma preocupação e se juntou a nós para tentarmos decidir o que fazer. Conversa, discute e pensa e apelamos para o guia que ligou para um “amigo” que nos pegaria de tuk-tuk e nos levaria até um hotel de preço já pré-combinado. Final da estória deu tudo certo. Tuk-tuk na chegada, hotel esperando a gente e uma companhia, a Jill, que ficou conosco até Saigon para todos os passeios, todas as maravilhas e o perrengue da travessia para o Vietnã. Nesse ponto a gente não imaginava que tinha arrumado uma companhia fantástica como a Jill foi. Uma pessoa com a qual foi um prazer viajar porque é uma viajante igual a gente e não uma turista. Totalmente aberta ao conhecimento e sem frescuras. Devo dizer que Siem Reap tem aeroporto e pelo aeroporto é mais fácil o visto.

Acordamos descansados e fomos conhecer a cidade a pé e procurar o modo de ir para Phnom Penh e Angkor Wat. A moeda local é o riel, mas ninguém usa. Tudo em negociado em dólares e as ATMs soltam dólar. O turismo é a segunda fonte de renda do país e Siem Reap é o centro do turismo por causa de Angkor. A cidade também tem arquitetura chinesa e colonial francesa e é muito bonita e limpa que cresceu em volta de monastérios. Observem que as ruas não tem lixo. No caminho todo durante dia e noite para chegar a Siem Reap notamos muitas casas do tipo palafita e com poucos móveis dentro.
Agora um pouco de história. O nome oficial do país é Reino do Camboja. Também chamado de Kampuchea (em sânscrito quer dizer Terra Dourada ou Terra da Paz e Prosperidade) e que foi afrancesado para Cambodge. Khmer é a lingua oficial deles e como eles se denominam. O nome de Siem Reap significa “Sião derrotado”. Hoje em dia além dos 200 mil habitantes existem hordas de turistas para serem acolhidos. Ainda assim esta cidade pitoresca é uma das cidades mais prósperas e canteiro de obras no Camboja. A cidade se estica ao longo do Rio Siem Reap. É um lugar muito descontraído, agradável para ficar enquanto em turnê nos templos. É um bom jeito de conhecera vida do Camboja sem perder as comodidades de serviços modernos e de entretenimento, graças a uma grande comunidade de expatriados, bares, vida noturna e uma cozinha maravilhosa que nos encantou. A comida além de ser deliciosa era muito barata. Notamos muitos carros novos, os supermercados são ocidentalizados e o inglês deles é perfeito. Não vimos sinais errados como havia na Índia e na Tailândia. Nos explicaram que a quantidade grande de crianças se deve ao fato de que durante o Khmer Vermelho 30% da população foi dizimada então é difícil encontrar gente com mais de 50 anos. Os jovens hoje são quase 40% da população.

Depois da 5 da tarde, quando o pessoal começa a voltar de Angkor, é que começa a vida na cidade. As lojas maravilhosas de artesanato, as vielas da Pub Street e as pessoas vendendo coisas pelas ruas.

Em Siem Reap tem KFC e tem vários outros restaurantes típicos do mundo inteiro mas nada se compara as delícias típicas da terra. Muito leite de coco, capim limão, kefir, peixe do Mekong. O arroz deles é mais soltinho e os lugares muito apresentáveis.

A vida começa a noite na Pub Street (que começou com um bar chamado Angkor What?, uma brincadeira com o Angkor Wat) e tudo ganha vida ali, os bares, o Night Market, as ruas ficam cheias de gente e música e gente querendo te fazer massagem.

De Siem Reap fomos de ônibus para Phnom Penh numa viagem tranquila.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s