Cidade do México – todo una sorpresa

Pirâmide do Sol em Teotihuacán
Pirâmide do Sol em Teotihuacán

Se alguém tivesse que caracterizar a CDMX seria por seus realejos, o cheiro de comida mexicana que impregna o ar e a quantidade de igrejas e museus. Os realejos estão em todas as ruas turísticas e tem horas que você quer fugir daquela música que se repete por todo canto e chega a irritar. Já a comida é uma tentação porque são variadas, os lugares são limpos, o preço é convidativo e o aroma uma delícia. Só para deixar vocês com água na boca fiz uma escolha do que andamos comendo por lá:

Adoramos a CDMX. Só tivemos boas experiências, bons encontros e surpresas. É uma cidade muito mais limpa que SP, ampla, espaçosa, arejada, poucos prédios, ruas largas, bulevares lindos, muito verde, lugares turísticos muito bem cuidados e organizados. Dá sempre uma sensação de estar em cidade pequena por causa das calçadas largas e do verde. O povo é uma história a parte. São educados, bondosos, prestativos, nunca obtivemos uma resposta errada ou mal educada. Nunca deixaram de responder uma pergunta ou ajudar a gente. Os garçons, as garçonetes, o pessoal que atende todos tem muita vivacidade e desembaraço. São mais autênticos do que estamos acostumados. E são bonitos. Aqui como no Brasil estão com problemas de sobrepeso.
Também nos chocou muito ver tantos policiais com armamento pesado e ver os guardas de shopping mais chics com fuzis ainda assim são muito mais acessíveis e simpáticos que os nossos.
Chegamos em CDMX quarta-feira pela hora do almoço, já sabíamos que hotel ir. Fomos para o hotel, deixamos as coisas e fomos cuidar de conhecer a cidade e resolver a burocracia: comer, comprar água e outros quitais e trocar dinheiro. Na ordem contrária, é claro. Duas horas de fuso e uma noite de voo voltamos ao hotel para dormir.
Próximo dia fomos andar pela cidade, conhecer o Zócalo (centro histórico) e procurar os passeios que queríamos fazer no resto dos dias. O centro estava muito bonito porque chegamos um dia depois das Fiestas Pátrias (comemorações da Independência) e estava tudo colorido nas cores do México e bandeiras por toda parte.

Voltar para o hotel, fazer aquele famoso sanduíche de pão com queijo, porque o almoço foi no Café El Popular e foi muito bom. Eles tem um menu do dia que engloba uma sopa, um prato que chamam de prato forte e uma sobremesa. Também acompanha suco ou água. Tudo por R$ 12 e muito bom.
Sexta feira saímos com uma excursão para visitar três lugares: Tlatelolco (os nomes são todos indígenas e muito difíceis de falar), Basílica de Guadalupe e Pirâmides de Teotihuacán.
No dia da excursão resolveram fazer em toda a CDMX um simulado de terremoto. Ao toque do alarme toda a cidade tem que sair e ir para o ponto mais próximo de encontro onde não exista nada que possa cair em volta.

Da praça fomos até a Basílica de Guadalupe. Minha chefe, Cláudia Troncoso, me encarregou de ir fazer uma visita até Guadalupe, acender uma vela e fazer uma prece. Tarefa cumprida. Fiz tudo e ainda visitei o maior centro de peregrinação do México e um grande centro mundial. As pessoas chegam muito emocionadas, tem músicas, celebrações, mesmo para os não católicos como nós é emocionante. O lugar é enorme e muito bonito. Na entrada fica um padre, que se reveza com outros, o dia todo apenas para abençoar os peregrinos e as coisas que eles trazem: velas, crucifixos, ex-votos, medalhas, etc. Também parei ai.

Nossa Senhora de Guadalupe, popularmente chamada de Virgem de Guadalupe, é a padroeira do México e “Imperatriz da América”, venerada pela Igreja Católica. A Virgem de Guadalupe é representada por um ícone da Virgem Maria, que teria aparecido ao índio da tribo Nahua, Juan Diego Cuauhtlatoatzin, em Tepeyac, noroeste da Cidade do México, em 9 de Dezembro de 1531. Atualmente este ícone está depositado no Santuário de Guadalupe, destino de peregrinações de milhões de devotos.

E depois de tanta religiosidade fomos conhecer uma fábrica de mezcal (primo da tequila) e seguimos para as pirâmides. Teotihuacan era uma cidade da Mesoamericana pré-colombiana localizada no Vale do México, 30 milhas (48 km) a nordeste da CDMX, hoje conhecida como o local de pirâmides mesoamericanas mais significativos para a arquitetura das Américas pré-colombianas. Além das pirâmides. Também é conhecida por ter exportado cerâmica e ferramentas de obsidiana.

Infelizmente assim que chegou ao México meu micro morreu. O HD pifou e tivemos que usar parte do nosso sábado e dos nossos passeios para consertá-lo. Felizmente ele quebrou no melhor lugar possível. A CDMX, como SP, tem uma Santa Ifigênia, que aqui chama-se Calle Uruguai e que concentra tudo o que é de eletrônico. Encontramos uma autorizada HP e agora tenho um micro esquizofrênico. Windows em inglês, Office em espanhol e corretor em português. Não tenho arquivos, tenho archivos, não insiro, inserto. Vou acostumar.
Deixamos o micro no conserto e fomos para Coyoacan, praça dos coiotes em asteca. É um bairro tranquilo e muito cultural na CDMX com cara de século dezesseis. Poderíamos dizer que é uma mistura de Embu das Artes com Vila Madalena. A noite tem vida noturna e durante o dia escolas de teatro, música, centros artísticos e culturais. Ruas estreitas e bem cuidadas, verde e casas bonitas. Lugar muito simpático, cheio de lugares para comer e com um mercado grande e bem cuidado. Almoçamos no mercado, foi aí que experimentamos suco de pepino e vimos os enormes torresmos.

Micro consertado fomos para o hotel. E a noite fomos até a Praça Garibaldi. Sábado o dia todo e a noite ficam vários conjuntos de mariachis tocando, por uns trocados, para o pessoal que vai lá para comer ou beber nos inúmeros restaurantes da praça. São tantos que não sabíamos nem para onde olhar ou o que escutar. Encontramos os chilenos que fizeram o passeio conosco no dia anterior.

Domingo saímos do albergue e fomos para a casa da Alejandra e do Iván nossos anfitriões do Couch Surf que nos aceitaram de última hora. Na noite anterior tinham ido a um show de música que foi até tarde. Chegamos às 11 da manhã e acordamos todos os quatro: os dois e mais dois surfistas que passaram a noite lá. Tudo gente muito boa, simpática, alegre. Saímos para almoçar ali por perto e depois fomos até o Museu de Arte Contemporânea da UNAM (Universidade do México, a maior e principal). Dessa forma conhecemos o museu e a universidade. Tudo muito lindo. De carro fomos até a Zona Rosa que é um bairro da CDMX conhecido pelas suas lojas, vida noturna, a comunidade gay, e sua comunidade coreana recentemente estabelecida e que encheu o lugar de restaurantes. Cheio de sex shops para homens, saunas e cabelereiros 24 horas (??). Como é um lugar onde moram os estrangeiros ricos tem várias casas de câmbio. Lá fica uma avenida larga e muito bonita chamada Paseo de La Reforma (onde acontece a parada gay), o parque Chapultepec e El Ángel de la Independencia.

Segunda feira saímos pela manhã junto com a Alejandra que ia trabalhar. Paramos no supermercado Soriana e tomamos nosso café da manhã com cappuccino de caramelo e muffins. Dali fomos até Polanco, outro bairro bonito, arborizado, tranquilo e de avenidas largas. No caminho para o Museu Soumaya paramos na Padaria Esperanza. As padarias da CDMX são um caso à parte. O Museu é privado, do dona da Telmex, que ele fez para homenagear sua esposa que dá nome ao museu.

Almoçamos na Casa de Los Abuelos no caminho de volta para o metro (coisa de uma meia hora de caminhada). Pegamos o metro e fomos dar mais uma volta no centro. Nosso objetivo era estar ao cair da tarde na Torre Latino Americana que é o ponto mais alto do centro de onde pode se ver, em dias bons, até as pirâmides de Teotihuacán. A Torre Latinoamericana é um arranha-céu no centro da CDMX. Tem 44 andares e é um dos marcos mais importantes da cidade. Além de ser um ponto turístico sempre procurado é um marco arquitetônico, uma vez que foi o primeiro grande arranha-céu do mundo construído com sucesso em terra sísmica altamente ativa. O antigo edifício resistiu ao terremoto de 1985 sem causar danos. É o ponto mais alto do centro de onde pode se ver, em dias bons, até as pirâmides de Teotihuacán. Por sugestão do Ivan também fomos conhecer outro marco turístico da cidade: a Panaderia Ideal. Um sonho de consumo dos gulosos por pães e doces. Dali fomos até o supermercado Chedraui e voltamos para a casa da Alejandra cansadíssimos. Ai tomamos o nosso tradicional lanche de pão com queijo. Pobre Alejandra que teve que nos acompanhar alguns dias. Pelo menos os sanduíches eram aquecidos e ficava bem melhor.

Faltando dois dias para o fim do nosso tempo na CDMX decidimos ir até Xochimilco. Xochimilco era um lago que dá nome ao bairro. Você faz um passeio num barco chamado trajineira. Os inúmeros canais não são sujos mas parecem, fomos cercados o tempo todo por vendedores de bebida, comida, de tudo, por mariachis oferecendo trilha sonora. Não fosse a agradável companhia de uma família da Venezuela o passeio seria muito feio e chato. Não gostamos. Por sorte na volta resolvemos seguir os conselhos dos nossos hosts e passar no Museu Dolores Olmedo. Esse museu abriga o maior número de obras de Diego Rivera, tem uns cachorros astecas engraçadíssimos e fica na casa da Sra. que dá o nome ao museu. A casa é lindíssima, cheia de pavões, verde e muito espaço. Antes do museu demos uma passadinha no Subway e na paleteria. Depois fomos nos encontrar com a Alejandra em Coyoacan e dali fomos conhecer a reunião do CouchSurfing Sur da CDMX. Antes da reunião comemos uns crepes deliciosos sentados em um banquinho na rua. Para nossa sorte o Ivan foi nos apanhar de carro porque era tarde e estávamos pregados.

No nosso último dia na CDMX queríamos ir ver o Museu de Antropologia que é outro lugar imperdível. É onde está toda a história dos grupos ancestrais do México e onde fica o famoso Calendário Asteca, também conhecido como Pedra do Sol, é o calendário utilizado pelos astecas, povo que habitou a região do México até meados do século XVI. O museu é dividido em salas dedicadas às culturas: maia, asteca e olmecas.
Antes disso fomos cuidar de algumas burocracias: trocar dinheiro, fazer supermercado para fazer o lanche da viagem (9 horas em ônibus) até Oaxaca. Fomos a Zona Rosa porque o Museu de Antropologia fica no Bosque de Chapultepec que a gente também queria ver. Almoçamos por lá, passeamos no parque e fomos para o museu que é maravilhoso. O prédio é bonito e o conteúdo interessantíssimo. É um museu para se passar uns três dias. Não dava mais tempo, passamos quatro horas. Voltamos para a casa da nossa host para arrumar as malas porque dia seguinte era acordar cedo e sair para Oaxaca.

Entre várias coisas interessantes que vimos, nos chamou atenção a sinalização do metro. Quando o metro começou, para ajudar as pessoas analfabetas eles colocaram desenhos junto aos nomes das estações. O metro é feio, mais fino que o nosso, cheio de ambulantes que vendem de tudo e tocam música e bastante confuso. Mas existe, tem 10 linhas e funciona muito bem. Andamos para todos os lados e nunca vimos parado.

Perrengue: Só meu micro que quebrou. Funcionou até Houston e quando chegamos ao albergue não ligou mais. Compramos chave de fenda para abrir o micro e mexer mas não conseguimos sequer retirar o HD. Levamos para a autorizada e agora estou com esse micro esquizofrênico e psicopata porque como o técnico não instalou os drivers certos está tudo estranho. Gasto extra de US$ 100 para comprar outro HD e instalação e perda de tempo. Mas esse tipo de viagem sem o computador é difícil. De qualquer forma perdi toda minha máquina virtual que ia usar para trabalhar a distância (no serviço voluntário, gente!) e alguns arquivos importantes que não fiz backup (eu também faço isso).

4 comentários sobre “Cidade do México – todo una sorpresa

  1. Nunca tivemos muita curiosidade pelo México, mas essas informações e fotos impressionam. Pelo visto, o país é muito mais bonito, limpo e seguro do que achávamos!

    Abração, boa viagem (e boa sorte com o micro esquizofrênico e psicopata, haha)

    1. Oi meninos,

      Realmente, como eu disse foi uma surpresa. Nos sentimos assim quase na Ásia em questão de segurança. As pessoas nem tem muito cuidado com as coisas e com o dinheiro ou nas lojas. O povo é sensacional, ninguém nos tentou scam até agora, preços mais que justos, paisagem lindas. Nós estamos adorando. Espero que continua assim até Cancun. Pode ir programando a sua vinda. Grandes abcs e bjus e boa viagem para vocês também. O micro vai bem mas perturba.

  2. Xico

    Vânia e Carlos, obrigado por mais uma viagem. Estarei mergulhado nesta aventura com vocês mais uma vez. Estou vendo que setembro, como o mês da primavera, é o propício ao início de novas aventuras, bem como de novos ciclos de vida. Parabéns e divirtam-se.
    Bjs,
    Xico
    PS: adorei o “Deus dos alargadores”…

    1. Obrigada Xico por curtir os posts. É que setembro fez um ano que estávamos parados e foi dando uma coceirinha de viagem que não aguentamos. Estamos nos divertindo e adorando o México. Vc viu as orelhas do tal Deus?
      Grandes abcs

      Nós, os backpackers.

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