Oaxaca – a cidade onde ferve a água

Cascata Petrificada ou Hierve el Agua
Cascata Petrificada ou Hierve el Agua

Depois de 9 horas de viagem em um ônibus lotado, que parou em todas as porteiras da Cidade do México a Oaxaca, chegamos. A rodoviária é feinha e o caminho até o Zócalo (centro histórico) e onde ficava o hotel que a nossa host do Couch Surfing nos indicou não era muito convidativo. Descemos juntos com uma japonesinha que falava mal inglês e mal espanhol então no caminho levamos ela até o albergue dela, ajudamos com as informações e fomos para o nosso albergue. Chegamos, lugar bonito, gracioso e tinha vagas. Ficamos. Foi deixar as coisas no quarto e sair para andar e comer. Nesse primeiro passeio já nos encantamos com a cidade, cheia de lojas, organizada, limpa e muito, muito charmosa. Fomos para Oaxaca (fala-se Oarraca) para ver as ruinas e a cascata petrificada mas não esperávamos uma cidade tão organizada. Fizemos nossas compras para o café da manhã, voltamos para o hotel para dormir e planejar os próximos dias. Dia seguinte, já descansados, tomamos nosso café da manhã no pátio do hotel e saímos para andar pela cidade.
Oaxaca é a cidade do mezcal, do chocolate e é famosa pela culinária. Também é onde começamos a ver os famosos chapolins (grilos fritos e apimentados). O mezcal chama-se Oro de Oaxaca por causa da cor e por ser um símbolo da cidade. O chocolate é puro mas bem diferente do nosso porque eles não misturam gordura, só açúcar. É bom mas tem um gosto ao qual não estamos acostumados é como comer uma rapadura de chocolate. Mas você vê fazer nas lojas, desde o grão do cacau até o produto final e então sabemos que é puro.
Ficamos quatro dias em Oaxaca e fizemos tudo com mais calma. Ai começamos a descobrir que não importa se a cidade é grande ou é pequena se você está no lugar turístico ou na periferia os preços não variam muito. Não tem aquela exploração do Brasil dependendo do bairro e da cidade. É sempre o preço justo. Primeiro dia fomos passear e conhecer a cidade, procurar as excursões / meios próprios para ir até Monte Albán e a Cascada Petrificada que foram os motivos que nos trouxeram até aqui.

Já os mercados são um caso à parte. Tem dois mercados um de frente para o outro, 20 de Noviembre e o Benito Juarez, que tem de tudo. De roupas a comida. Mas o que mais nos divertiu foram as comidas e estilos diferentes. Tem um setor do mercado onde você escolhe as carnes, linguiças, etc que quer e eles assam na hora, adicionam adereços tipo salada e você come ali ao lado. É chamado Mercado das Carnes. Não tivemos coragem. Por algum motivo que desconhecemos eles não usam muita refrigeração nos mercados então frangos, carnes, etc. ficam em cima do balcão ou apenas pendurados ao fundo.

O segundo dia em Oaxaca fomos para Monte Albán. Pegamos um micro-ônibus e meia hora já estávamos lá.
O que está tornando o México especial (e falar apenas de uma coisa é injusto) é a grande quantidade de ruínas de várias civilizações antigas e muito avançadas que existem em todo o país. Em cada sítio arqueológicos, seja maia, asteca, olmeca, zapoteca ou outro, aprendemos coisas que nem sequer imaginávamos e cada lugar dá pequenas pistas sobre a forma como as pessoas viviam naquelas épocas, como comiam, se comunicavam e que deuses adoravam.
Quando os espanhóis chegaram a Monte Albán o local já havia sido abandonado por séculos. Do povo que viveu ai, os zapotecas, sabem que tinham um conhecimento muito avançado de astronomia porque ainda existe um observatório astronômico no local e que já tinham um sistema de numeração que aparece por todo o local.

Uma das coisas mais interessantes no Monte Alban são Os Dançarinos. No começo foram chamados assim porque pensaram que as rochas grandes representavam pessoas dançando. Depois descobriram que essas “imagens” são documentos médicos que retratam pessoas com condições médicas, tais como: um nascimento ao contrário, corcundas, nanismo, entre outros.

Agora de ficar de queixo caído é saber que eles aplainaram a montanha para construir sua cidade e que a única fonte de água ficava a mais de dois quilômetros de distância. E o lugar é magnífico.
Na volta desse passeio, como era sábado dia o Mercado de Abastos ficar lotado, fomos lá ver. O Mercado de Abastecimento acontece todos os dias mas no sábado vem os agricultores, vendedores e compradores de toda a região e o mercado fica completo. É enorme, se distrair não consegue mais sair. Ali compramos um queijo chamado quesillo muito gostoso que parece uma mozarela e nos divertimos com mais chapolins (grilos fritos) e enormes sessões do mercado que só vendem pães.

Domingo fomos criar nossa nova aventura. Como não queríamos ir em excursão até a Cascata Petrificada porque as excursões te levam a um monte de lojinhas e depois te dão apenas 45 minutos para visitar as cascatas e também por causa do preço resolvemos ir por nossa conta. Ai sempre começa a parte melhor da viagem: ser um local com jeito de gringo. Todos se endereçam a gente com inglês porque o Carlos muito brancão / vermelho parece gringo e ninguém consegue descobrir de onde somos. Na verdade não encontramos nenhum brasileiro até agora. Pensando que somos gringos eles adoram quando falamos espanhol.
Fomos até a rodoviária, pegamos um ônibus até Mitla, descemos e pegamos um daqueles colectivos até Hierve el Água. Três horas depois chegamos. Para voltar foi igual. Foi sofrido, mais barato mas valeu a pena cada segundo. O lugar é um encanto.
Em primeiro lugar apesar do nome a verdade é que a água é fria e não deu para nadar. Fomos de maio por baixo mas falhou. Tem três piscinas naturais e tem sim dois lugares únicos onde a água parece estar fervendo e borbulhando, mas é apenas pela pressão. Dá para colocar a mão que é fria e fica a 25 graus o ano todo.
Enquanto ficamos sentados nas pedras apreciando a natureza vimos vários pássaros, tipo um condor que se chama Zopilote e que voa lindamente além de ser enorme. Nunca tinha visto um condor tão de perto. Nos lembrou de Pamukale na Turquia.

Estas cachoeiras, formadas ao longo de milhares de anos por fontes termais de carbonato de cálcio que fluem em seu pico, estão no Vale de Mitla. Os apotecas já aproveitavam os benefícios das águas termais cerca de 2500 anos atrás e construíram um complexo sistema de irrigação e terraços que agora é motivo de estudos arqueológicos.

Chegamos tarde, cansados, comemos, banho, arrumar mala e dormir porque dia seguinte, cedinho, van para Pochutla e colectivo para a praia Zipolite na Baia de Huatulco. Essa é uma cidade que fica perto do mar, dali íamos passar uns três dias na praia para descansar das férias. Também conversamos com nossos amigos israelenses que encontramos no albergue da Cidade do México e que estavam no mesmo hotel que a gente. Conversamos, perguntamos dos destinos um do outro e demos adeus

Perrengue Um: Novamente eu tive um encontro com aqueles infames, nojentos e insuportáveis percevejos (bed bugs). No primeiro dia acreditei que estava com alergia da comida porque minhas mãos estavam encaroçadas e coçavam muito. No segundo dia quando fui tomar banho no banheiro compartilhado tinha um espelho de corpo inteiro. Quando me olhei, choquei. Tinha umas quinze mordidas pelo corpo todo. Estava toda embolotada e vermelha. Só na mão esquerda tinha 25 picadas e mais 7 na mão direita. Já sabia o que me esperava: tomar cuidado para não coçar tanto e infeccionar, esperar 15 dias de coçação continua e ter que mandar toda a mala para passar pela máquina de secar. Tivemos que mudar de quarto, tivemos um upgrade e o desconto da diária mas ainda estou coçando.

Perrengue Dois: Por absoluta preguiça não compramos as passagens de ônibus da ADO que é recomendada por todos. Viajamos de segunda classe. Quatro horas a mais na viagem, nenhuma parada para comer ou fazer xixi em 10 horas de viagem e paradas em cada porteira do caminho. Chegamos famintos e cansados.

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