Zipolite – onde os nudistas, hippies e italianos se encontram

 Descanso na praia linda do Oceano Pacífico
Descanso na praia linda do Oceano Pacífico

Depois de 13 dias no México, sendo 7 na capital, já estávamos cansados. Quem imagina que férias não cansam está completamente enganado. Acordar cedo, caminhar o dia todo, ver museus, chegar cansado e ter que programar o outro dia não é fácil. No meu roteiro eu tinha colocado Puerto Escondido que é uma praia no Oceano Pacífico muito conhecida pelos surfistas e dizem muito bonita. O Carlos se convenceu que a Baia de Huatulco era mais bonita e mais barata porque estão tentando transformar Puerto Escondido na nova Cancun e tudo está ficando caro. Aí ele mudou meus planos. Saímos de Oaxaca logo cedinho em uma van para Pochutla que é a “cidade grande” mais próxima e de lá mas 30 minutos em colectivo e estaríamos em Zipolite.
Na viagem para Zipolite aprendemos três novas palavras em espanhol: topes, reductores e vibradores. Todos querem dizer a mesma coisa: não se pode passar de 50 km por hora nas estradas. É um aborrecimento. O ônibus / van / carro pega uma velocidade razoável e lá vem tope. Ou curva. Curva e tope, tope e curva. É por isso que para fazer 250 km demoramos 9 horas. Em uma viagem horrível, a beira dos precipícios, com curvas que não acabavam mais. Nos avisaram que a estrada era ruim e que era para tomar remédio para enjoo. Não precisamos mas cansamos muito. O corpo sofre ao ser joga para lá e para cá por horas seguidas.
Playa Zipolite é uma comunidade na praia, creio que nem cidade e nem povoado seja, localizada no município de Pochutla no litoral sul do estado de Oaxaca. Fica entre a cidade de Huatulco e Puerto Escondido. Zipolite é mais conhecida como sendo uma das poucas praias de nudismo do México e por ainda manter grande parte da cultura hippie desde os anos 1960 e 1970. O nome Zipolite, em zapoteca, quer dizer praia dos mortos. Ficamos três dias ai e não entramos no mar que de pacífico não tem nada, é bravo mesmo. Bravíssimo. Só os surfistas se arriscam. O nome deve vir desse fato.
Ficamos em um hotel muito confortável o que não é normal na praia. A maioria dos hotéis são de cabanas bem rústicas e bem primitivas que também oferecem a praia em frente para que acampem. A água do banho é esquentada pelo sol, ou seja, natural. Ainda bem que o lugar é quente. Vem pencas de mochileiros para o lugar mas o que tem mesmo é italiano. Por algum motivo eles gostaram do lugar e fizeram da praia seu destino. A noite quando andamos pela cidade só escutamos italiano sendo falado e tem alguns cafés e lugares de comidas italianas. Aliás nosso primeiro amigo, que nos ensinou como chegar aos lugares, foi um italiano hippie. Como o lugar é pequeno encontramos com ele várias vezes.

Zipolite é uma praia intocada de quarenta metros de largura e dois quilômetros de comprimento. A areia não é branquinha, é meio dourada e de grãos mais grossos. Já a água é clara, com tons de azul e verde e ondas lindas de se olhar.

No dia seguinte a chegada saiu um sol maravilhoso. Fomos caminhar pela praia, dormir na rede e descansar muito. Descobrimos que por estar em baixa temporada todos os restaurantes fechavam no horário do almoço. Só abriam para o jantar. Comemos um sanduíche no almoço e a noite fomos comer tacos na barraquinha de rua. O Carlos pediu tacos de frango e eu achei melhor ficar no vegetariano. Que surpresa. Vegetariano é um taco de batatas. Ou seja, uma tortilha de milho recheada com batata. Sensacional. Carboidrato com carboidrato. Gosto de nada com sabor de coisa nenhuma. Coloquei limão, que eles colocam em tudo, para ver se melhorava. Matou a fome.

Esta é uma das praias que aparecem no filme de grande sucesso mexicano “Y Tu Mama Tambien”. No final da praia é onde ficam os nudistas numa pequena enseada chamada Playa del Amor. Nem por isso eles deixam de andar pela praia toda completamente ao natural. Para azar do Carlos só passaram homens. Nesse mesmo lado ficam um hotel muito fino e um outro extremamente da nova era chamado Shambala. 975 Essas são as falésias que escondem os peladões

No dia seguinte voltamos para Pochutla para comprar as passagens para San Cristobal, fazer compras no supermercado porque na praia não tinha muita coisa e era um pouco mais caro, pensamos que íamos achar um restaurante para almoçar e depois íamos passar por outra praia chamada Mazunte que dizem ser muito bonita. Nada deu certo além da passagem e do super. Caiu uma chuva torrencial e não conseguimos fazer nada. Não achamos restaurante decente para comer e o Carlos comprou um frango inteiro assado que comeu sozinho. Quando eu vi a situação do paninho que cobria o frango e do avental da moça desisti na hora. Há muito tempo perdi o nojinho mas aquilo foi demais. Com o frango vem arroz, sopa, salada de macarrão. Tudo em saquinhos de plástico.

Dia seguinte, muito calor, dia bonito, ficamos no hotel até às 15:00. Nosso ônibus saia de Pochutla às 20:00. Pegamos nosso colectivo e fomos para a rodoviária pegar nosso primeiro ônibus ADO (primeira classe) em direção a San Cristóbal loucos para as próximas aventuras.

Perrengue: O ônibus de primeira classe (ADO) de Oaxaca para Pochutla custava o dobro do preço e, por fazer um outro caminho apenas por autopistas, demorava 12 horas. Decidimos ir de van para ganhar tempo. Saímos no horário, tudo bem, tudo bom, melhores lugares da van quando de repente a van entra em um atalho de terra e lama. Perguntei para o moço do lado e ele disse: No hay passo (não tem passagem). Aparentemente caiu uma barreira da estrada e todos estavam tomando o desvio. O desvio era um barro puro, no meio de fazendas, vacas, ovelhas e outras criações, estávamos derrapando a toda hora, van cheia. Nunca tive tanto medo. De repente um carro da frente derrapou e impediu a estrada. Ali ficamos 30 minutos. Pensei: melou tudo. Foi assim até que todos os motoristas de todos os outros carros saíram e foram tirar o derrapado da frente já que voltar era impossível. Depois do que pareceu horas, saímos do desvio. Acabou? Não. Curvas e topes até chegar em Pochutla com duas horas de atraso. Pelo menos o motorista parou num bequinho na estrada para fazermos xixi.

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