Palenque – na fronteira entre Guatemala e México

Zona Arqueológica de Palenque
Zona Arqueológica de Palenque

Saímos de San Cristobal de Las Casas às 5 da manhã em uma excursão para ir ver a Zona Arqueológica de Palenque. A excursão volta para SCLC mas decidimos ficar por lá. O preço da excursão compensava o que iríamos pagar em ônibus e ainda incluía alguns passeios. E nos deixariam da estação de ônibus da onde a gente sempre sai para procurar hotel. E já estaríamos no nosso destino. Continuamos no mesmo estado de Chiapas. A van passou no horário, éramos os únicos na rua esperando e bagagens na van lá fomos nós. O passeio para depois de algumas horas para tomar café da manhã. Era um buffet de café da manhã com aquelas comidas muito diferentes para a manhã: arroz, feijão, ovos, sopa e outras muito iguais: iogurte, frutas, cereais. Café com leite que nós compramos e comemos nossos pães. Viajar no México é sempre uma surpresa, os lugares são limpos e acessíveis no preço mas os horários e as comidas são diferentes então sempre temos nossos biscoitos e pão. Não só nós.

Estrada novamente e fomos parar nas cachoeiras de Água Azul. Infelizmente pela quantidade enorme de chuvas as águas estavam barrentas e não azuis mas dizem que é azulzinho e lindo. Natureza sempre é bonita.


Mais estrada, mais algumas horas e chegamos a MiSol-Há, outra cachoeira bonita. Creio que eles vão fazendo essas paradas para quebrar o cansaço porque o destino mesmo é a Zona Arqueológica. A cachoeira era bonita, fizemos nosso almoço (mais lanche de pão com queijo) sentados olhando a beleza. Aqui foi filmado o Predador com Arnold Schwarzenegger.

Mais duas horas de van e finalmente chegamos ao destino. A Zona Arqueológica de Palenque é uma das cidades arqueológicas mais interessantes do México. Dizem que é a alma do mundo maia.

E aí depois de tantas belezas e tantas horas na van chegamos a Palenque cidade. Mochila nas costas e fomos procurar um hotel que pegamos na internet. Como eu disse no post anterior o México saiu-se uma derrota na área do CouchSurfing e dos hostels. Ninguém aceitava ou respondia nossos pedidos de couch e as resenhas dos hotéis e albergues eram terríveis. Em Palenque então parecia não haver um hotel que prestasse. A maioria dos turistas ficam em hotéis de selva que ficam a 7 kms da cidade. A gente não podia se dar a esse luxo porque era chegar, procurar onde comer e encontrar o passeio para fazer no dia seguinte. Também queríamos ficar perto da estação de ônibus para comprar as passagens para Mérida que era o próximo destino. As resenhas dos hotéis de selva diziam: sem AC (e acreditem não dá para ficar sem), sem wi-fi, apenas um restaurante para comer. Ou seja, isolamento total. Para nossa sorte o hotel que escolhemos foi BBB (bom, bonito e barato) e com AC. Chegar, deixar mochilas, partir para a luta de sempre: supermercado e comer. Os dois foram fáceis porque ficamos no centrinho da cidade e de quebra conseguimos contratar a excursão para o dia seguinte e com desconto. Descobrimos que na baixa temporada, pechinchar e oferecer pagar em efectivo (dinheiro vivo e não cartão) criava algumas boas oportunidades.
Dia seguinte, 6 horas da manhã (misericórdia, senhor) saímos para a fronteira da Guatemala. Íamos visitar dois parques: Yaxchilan na fronteira e a única ruína que está como foi encontrada dentro da selva e Bonampak que tem apenas três murais mas que são extremamente bem conservados com cores fortes. Tudo isso numa excursão que parecia uma aventura. Van, uma hora de barco, visita, mais van, troca de van, visita e três horas de retorno até Palenque. Mas dessa vez o café da manhã e o almoço estavam incluídos. Os lugares são tão distantes e tão difíceis que tem que ter comida organizada. Valeu cada peso e cada amassamento de traseiro naquela van.
Yaxchilan é uma cidade maia antiga que fica perto do rio Usumacinta. Foi uma das cidades mais poderosas do império maia nas orlas dessa rio e foi um centro importante durante toda a era clássica. Todo o lugar é conhecido pelas estruturas de pedra que ficavam sobre as portas e que tem textos descrevendo a história da cidade.

Terminada a visita, mais uma hora de barco e parada para almoço muito simples, caseiro e bom. Todo o passeio com uma família mexicana que tinha feito o passeio com a gente no dia anterior e com um casal de alemães que nos usaram como tradutor / intérprete. Todos gente boa. A família nos contou muito do México, moravam em Tijuana. A alemã torceu o pé antes de viajar e estava fazendo tudo isso de muletas. E do almoço, duas horas depois, chegamos a Bonampak. Muitos parques no México são de propriedade dos índios e isso dificulta tudo. Só se pode entrar pagando várias coisas: entrada, uso, deslocamento, etc. É esse o caso de Bonampak que faz você ficar contra a causa indígena. Bonampak é o sítio arqueológico mais antigo do estado de Chiapas. O lugar tem poucas ruínas mas os murais são magníficos. São três murais, só entram duas pessoas por vez, despojado de todo e qualquer objeto (inclusive flash) mas são lindos. Chama-se Templo dos Murais e tem os murais maias mais bem preservados, os murais Bonampak são dignos de nota para desmentir hipóteses iniciais de que os maias foram uma cultura pacífica dos místicos, como os murais mostram claramente a guerra e sacrifício humano. O templo dos Murais é um edifício longo e estreito com 3 quartos em cima de uma base de pirâmide. As paredes interiores preservam os melhores exemplos da pintura maia clássica. Por conta da sorte, a água da chuva infiltrou-se no gesso do teto, de forma a cobrir as paredes interiores com uma camada de carbonato de cálcio ligeiramente transparente. As pinturas datam de 790 e foram feitas como frescos, sem costuras no gesso que indicam que cada quarto foi pintado em uma única sessão durante o curto tempo em que o gesso estava úmido

E muito cansados voltamos para a cidade bem tarde. Saímos para trocar dinheiro e comprar pão. E apesar de todo o cansaço não pude deixar de rir quando ouvi a seguinte conversa na padaria:
– Esse pão é fresco?
– Sim, é de ontem.
Nessa hora eu cai na risada e a pessoa me perguntou porquê. Eu disse: porque de ontem não é fresco. E ela disse: O que você queria, pão quentinho?
Pois é, outro país, outra realidade. Pelo jeito fresco mesmo é o de ontem.
Voltamos para o hotel porque era comer, dormir e partir para Mérida no dia seguinte pela manhã.

3 comentários sobre “Palenque – na fronteira entre Guatemala e México

  1. Wilde A Campos

    “Pão fresco” deve ser só um ponto de vista. Penso que é como o frio: cada pessoa sente mais ou menos frio, dependendo se está bem agasalhada ou não.

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