Mérida – uma capital feita para os turistas

Cenote Chacsinicche. Um dos cenotes de Cuzama
Cenote Chacsinicche. Um dos cenotes de Cuzama

Saindo de Palenque às oito da manhã com destino a Mérida em uma viagem comprida mas que seria teoricamente tranquila. Não foi, ver perrengue. Chegamos às quatro da tarde já cansados e imaginando que nenhuma viagem iria ser perfeita no México. De novo em ônibus de primeira classe, única opção em Palenque, foi uma viagem confortável. Demorada e cansativa mas chegamos ao estado de Yucatan. Chegamos num calor enorme e fomos procurar hotel. Quando viajamos temos que vestir a roupa completa (no caso do Carlos jeans, colete, tênis e no meu calça, pochete com documentos e dinheiro) e sempre as mochilas. Ou seja, caminhar no sol é uma tortura. Os dois albergues que queríamos estavam lotados então acabamos ficando num hotelzinho meia boca mas pertíssimo do centro histórico. Foi ótimo. Chegamos, trocamos de roupa, nos estabelecemos e fomos procurar o centro de informações turísticas. Foi fácil e excelente. Atendimento perfeito e nos deram todas as dicas do que fazer na cidade e arredores. De lá fomos até um outro albergue para ver se haveria vaga. Não havia mas nos indicaram um lugar bom e barato para jantar (o almoço tinha sido sanduíches no ônibus). Demos uma volta pelo centro e foi voltar e dormir depois de termos decidido ir aos cenotes no dia seguinte e ir por nossa conta.
Explicando: Cenotes são grutas ou cavernas criadas pelo afundamento da terra onde passam rios subterrâneos. Existem aos milhares nessa região. Segundo um mexicanos, pisou mais forte abre o buraco e vira cenote. São muito interessantes, cada um de um jeito e cada um com sua beleza. Os mais importantes são quase onze. Conhecemos apenas cinco. Mas foi suficiente para gostar muito.
Dia seguinte acordamos cedo e o Carlos foi até o supermercado Soriana (um dos nossos favoritos no México) comprar o café da manhã. Café tomado saímos para encontrar as vans que levam até lá. É uma aventura, primeiro van normal de linha, nenhum turista, até a cidade de Cuzamá. Depois um moto táxi até a entrada dos cenotes e aí você pega um trenzinho puxado por um cavalo. Toda a região foi grande produtora de sisal, que eles chamam de henequen e as grandes fazendas estavam concentradas em Yucatan. O apogeu da produção foi no início do século passado, no período da Primeira Guerra Mundial. Usavam o sisal extraído na região como matéria-prima para a fabricação de cordas que depois eram usadas pela marinha inglesa. Como sempre os americanos exploraram a produção fortemente, ganharam toneladas de dinheiro e quando surgiu a fibra sintética tudo o que estava ali (trilhos de trem, mais de 400 fazendas, os trens) ficou abandonado e obsoleto. Então eles tiveram a ideia de usar para turismo. Tanto as fazendas quanto os trilhos que agora levam os turistas até os cenotes em carros chamados trucks puxado pelos cavalos.

Cada noite Mérida nos deu um espetáculo gratuito com as coisas típicas de Yucatan. Nessa noite foram serestas, músicas românticas e as danças típicas. Eles são orgulhosos da origem maia e das roupas e danças, são muito festeiros e alegres. No show o pessoal dançava e cantava junto com os artistas. Pelas ruas todas as lojas vendem as guaiaberas que são as camisas para homens típicas do Caribe. A comida também é uma fonte de orgulho. É muito parecida com o que comemos mas diferente do resto do México.

Dia seguinte queríamos ir ver outras ruínas famosas: Uxmal. Não foi possível porque nesse dia cancelaram os ônibus da linha e não teríamos tempo de ir e voltar no mesmo dia. Desistimos e fomos conhecer Progreso. Progreso é um grande porto para cruzeiros enormes e tem se tornado um balneário para todos. Fica no Golfo do México a 30 minutos de Mérida e é um centro pesqueiro importante da região. As praias de Progreso são limpas e a água em tom de verde esmeralda. Não têm correntes e são pouco profundas. Bom para nadar. Os restaurantes colocam as mesas quase na praia.

Nessa noite, quando voltamos de Progreso, fomos assistir a mais um show oferecido gratuitamente pela cidade: jogo de pelota maia. Foi excelente, conseguimos entender como eles usavam todos aqueles campos de jogo de pelotas que vimos nas ruínas de todo México (porque todas as ruínas tinham sua quadra para o jogo). Eles jogavam com a lateral do corpo. Como minha câmera não fotografa a noite, só pude tirar fotos dos jogadores no final e não jogando.

Dia seguinte, fazer uma excursão grátis pela cidade, oferecida pela Secretaria de Turismo da cidade, dar uma volta final na cidade, no mercado e sair para Valladolid. Foi ótimo, A cidade colonial que mistura Espanha com os Maias é cheia de história. Em 1542 Francisco de Montejo deu o nome de Mérida para a cidade Maia que ele capturou e que se chamava T’ho (Tihoo). A cidade virou centro administrativo espanhol e cresceu muito com o sisal. É uma cidade bem cuidada e charmosa.

Adoramos Mérida, uma cidade toda feita para alegrar o turista, show todas as noites, excursões gratuitas, informações turísticas funcionando e boas (acreditamos que a melhor do México) e cheia de tudo aquilo que a gente espera do México: roupas coloridas, comida boa (a comida iucateque  é um capítulo a parte, cheia de sabores e coisas típicas), gente hospitaleira e simpática e muita cultura. Se soubéssemos o que nos espera teríamos ficado mais.

Perrengue: Mais um ônibus demorado com viagem longa e eis que entram dois gringos hippies velhos. Sentam no último assento e lá ficam até que são descobertos pela polícia. Todo ônibus passa por fiscalização no México. Principalmente nessa região onde é possível atravessar fácil da Guatemala, de Belize ou de Cuba para o México. A polícia entra no ônibus, filma a gente e muito educadamente pedem o passaporte. Quando entramos no México nos deram um papel de imigração que carregamos junto com o passaporte. Nós, porque alguns turistas acham que é enfeite. Outro casal gringo tinha o papel na bagagem e tiveram que descer, abrir bagagem, procurar papel, etc. Já o casal hippie nem documento tinha e o ônibus ficou retido uma hora até resolverem o problema. Quando voltaram ao ônibus ainda reclamaram dos policiais como se a culpa da irresponsabilidade fosse deles. E o atraso foi todo nosso.

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2 comentários sobre “Mérida – uma capital feita para os turistas

  1. Hélio Fonseca

    Parabéns pelo blog e pelas dicas. Vou conhecer o México em jan. Alguém pode me indicar um seguro viagem de confiança? Abç.

    1. Helio, ainda não escrevi essa parte das informações porque como não usei o seguro saúde não posso opinar muito. Compramos no Itaú mesmo porque foi o mais barato. Quando usamos na Austrália funcionou. Preste atenção que nem todos os países tem convênio “chamada a cobrar” com o Brasil e aí você terá que pagar a ligação. Nesse caso é melhor fazer um plano internacional que atenda todos os países onde vc for. Obrigada pelos parabéns.

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