Los Angeles – norte do México

Venice Beach - o must de LA
Venice Beach – o must de LA

A chegada aos Estados Unidos foi apreensiva. O nosso voo chegava tarde, tínhamos que pegar o carro e chegar até a casa da Joan, nossa anfitriã do Couchsurfing, muito rapidamente para não deixá-la esperando por nós acordada até tarde. Tudo isso tinha que dar certo: chegada,  pegar o carro, encontrar nosso caminho até quase Venice Beach e a Joan estar esperando por nós. De outra forma teríamos que procurar hotel depois da meia noite.
Depois de cinco horas dentro de um avião com muito berreiro de um neném que gritou, ou melhor, urrou a viagem inteira chegamos a LA. Não sem antes descobrir que em voos de cinco horas ou menos não servem mais comida. Como saímos de Playa del Carmen depois do almoço e contávamos que serviriam comida chegamos em LA mortos de fome. E assim dormimos.
Mas tudo deu certo. O carro que havíamos pago, um bem baratinho, não estava mais disponível então nos deram um melhor. Para nós um carro de primeira linha. Tantos recursos que era preciso fazer um curso para mexer nele. Até o final da viagem não tínhamos dominado todas as funcionalidades dele. Nosso GPS também funcionou perfeitamente. Seria a primeira de muitas jornadas com Gaby – a voz do GPS – que virou a terceira pessoa dentro do carro e a quem até hoje nos referimos com imenso carinho. Sabia até como sair dos shoppings centers, nunca errou um caminho, nunca nos colocou em nenhuma fria. Tinha suas idiossincrasias como toda mulher, mas foi nossa melhor companhia durante as 4.000 milhas rodadas.
Chegamos à casa da Joan, ela estava lá esperando por nós, nos indicou onde estacionar o carro – jeitinho brasileiro uma vez que toda a rua estava tomada – nos deu roupa de cama (ou melhor, de sofá), toalhas de banho e foi dormir. E nós também. Com fome e sem malas. Explico: como ela recebe muitos hóspedes e tem medo de pegar percevejos deles avisa a todos que as malas / mochilas não entram. Com isso ficamos duas noites sem pijamas, com a roupa do corpo, sem troca. Joan, sendo uma acumuladora, sabia que se pegasse percevejo teria que mudar de casa ou gastar os tubos para livrar-se deles.

A Joan já tinha outra surfista na casa chamada Tereza que era da República Tcheca e estava praticamente morando com ela. Aquelas surfistas que não tem destino, não tem planos e vão ficando sem ter data para sair. No dia seguinte elas já tinham uma agenda super apertada. Iam tentar pegar autógrafos de uma celebridade. Por isso não temos fotos da nossa anfitriã. Saíram, nos deixaram sozinhos e avisaram que se a gente quisesse entrar na casa teríamos que estar de volta 17:00 em ponto. Fiquei no apartamento e o Carlos foi estacionar o carro na rua num lugar legalizado. E ai saímos para o café da manhã com o estômago nas costas.
É claro, McDonalds. Como estávamos chegando do México, nós entramos no McDo, todos falavam espanhol e achamos normal. Fizemos nosso pedido em espanhol, pedi guardanapos em espanhol e agradecemos. Só depois que a comida bateu no estômago é que notamos que algo estava estranho. Descobrimos que LA não fica mais na América, fica no norte do México.

Exercitamos nosso espanhol no McDo, no Subway, no ônibus que nos levou até Venice Beach, na Best Buy onde compramos nossa câmera nova e no hotel que ficamos na volta.  Espanhol agora é a língua mais falada no estado.
Nossa passagem por LA foi muito rápida na chegada e na partida. Tivemos tempo apenas de fazer o básico do básico.
Como a casa da Joan ficava perto de Venice Beach, rumamos para lá. Venice foi um dia uma cidade independente de LA e lá pela década de 20 virou bairro, frente para o mar, onde todos os hippies e alternativos se encontram e onde tudo acontece. Andar no calçadão da praia é encontrar a esquisitolândia completa. A meio caminho do passeio já estava chapada de tanta marijuana sendo consumida por ali. Ou seja, todos sempre estão de bem com a vida, mas é cada figura. O lugar realmente e uma atração e tem todo tipo de coisas: bandas, cantores, gente fantasiada, teatros com personagens esquisitos, enfim, o lugar de ver e ser visto.
Também é cheio de lojas normais e alternativas: CDS, DVDs, malas, camisetas, maconha. Tudo mesmo

E voltamos a tempo de entrar no apartamento, antes passamos pelo supermercado para comprar o jantar e o café do dia seguinte. Só para descobrir que hoje está muito difícil cozinhar para as pessoas. Agora você tem que perguntar se podem comer glúten, lactose, cafeína, se são veganos, etc. Jantamos sozinhos por conta das restrições da anfitriã.
Dia seguinte saímos para San Diego, passando por Santa Monica. Quase um mês depois voltamos para LA para embarcar para SP. Tivemos apenas dois dias na cidade. Mas ainda assim conseguimos ver Malibu, Rodeo Drive, casas dos famosos, a calçada das estrelas, fazer as últimas compras (trocar a câmera e comprar uma mala extra) e nos despacharmos de volta para SP. Cansadíssimos da correria.

Vindo de San Jose pela famosa Hwy 1 – e  passando por Lompoc  para dormir chegamos a Los Angeles entrando por Malibu. Nada melhor que isso. Chegamos durante o dia ainda e vimos aquelas casas maravilhosas.
Malibu também é conhecida por mansões a beira mar, lembra-se da casa do Charlie (Sheen) do seriado “Two and a half men”? Fica em Malibu. E de tantos outros filmes e seriados filmados por aqui. Para quem é um pouco mais velho tinha o SOS Malibu com a Pamela Anderson. Realmente as nossas referências são sempre dos EUA.
As praias da Califórnia não são as mais bonitas do mundo, mas a combinação das montanhas, dos desfiladeiros, da praia e do mar e do próprio ambiente deixa tudo um sonho. E tem aquele nascer do sol / pôr-do-sol de cartão postal que enche os olhos e alegra o espírito (e sai maravilhoso em todas as fotos).

Chegamos bem à tardinha em LA e daí foi procurar um lugar barato e razoável para dormir. Descobrimos que isso não existe. Rodamos quilômetros procurando e acabamos em um motelzinho meia boca em que o zelador nos falou em espanhol que não era um local recomendado para família. Continuamos a busca e acabamos em outro motel, com gerente indiano, estacionamento, simples e ficável. Jantamos no Taco Bell, falando em espanhol, e fomos descansar da viagem. Dia seguinte saimos para ver a cidade.
E, é claro, começamos por Rodeo Drive, em Beverly Hills, ficando ofuscados e testando a câmera nova. Se você não fizer questão de estacionar na rua, as ruas laterais e um pouquinho afastadas são grátis. Foi o que fizemos. Rodeo Drive é uma avenida de duas milhas em Beverly Hills onde você pode ver o luxo, a moda, um estilo de vida, lojas de grife das mais famosas e entretenimento garantido. É para ficar bege.

Pegamos o carro e fomos dirigir por toda a Sunset Boulevard aonde além das mansões vimos a paisagem e até veados correndo pelas montanhas.
Dia seguinte seria extremamente corrido. Pela manhã ir até as estrelas, comprar mala, trocar a câmera pela segunda vez, passar no WallMart para comprar comida e as últimas coisas que faltavam, almoçar com a família do Carlos, voltar, arrumar mala porque no dia seguinte logo cedo era sair do hotel e voltar para casa.

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