Las Vegas – kitsch, brega e cafona

Cirque du Soleil - o sonho
Cirque du Soleil – o sonho

Não posso dizer que não gostei de Las Vegas. Gostei porque tive a chance de ver dois espetáculos do Cirque du Soleil, comer igual a uma doida no buffet do Monte Carlo (onde até a Cameron Diaz já filmou), sair a noite em plena segurança, entrar em todos aqueles hotéis enormes e temáticos na faixa e conhecer tudo o que existe de mais brega e mais ostensivo. Junto com todas as anormalidades e desvios da civilização americana e do mundo moderno. Foi uma delícia e mais um descanso na vida de mochileiros. Chegamos à tardinha depois de toda aquela viagem pelo deserto, pela Rota 66, comendo lanches, dirigindo muito. Quando chegamos e a Gaby (nosso GPS) mostrou o hotel foi como ver um oásis. Principalmente para o Carlos. O hotel foi um luxo, ajudados pelo Paul (irmão americano do Carlos) conseguimos ficar em um hotel da Las Vegas Strip por um preço acessível a mochileiro. O Hooters, para quem não sabe, é um bar americano onde as meninas trabalham de shortinhos mínimos e tops que mostram muita fartura e que faz um tremendo sucesso entre os homens. Foi nesse ambiente que ficamos uma semana para a felicidade do Carlos.

Hooters - nosso paraíso em Vegas
Hooters – nosso paraíso em Vegas

Chegamos, fomos procurar um lugar para comprar água e os outros víveres do dia a dia. Nosso hotel ficava a um quarteirão da Strip que é a rua onde tudo acontece e onde ficam os hotéis ainda mais caros e mais famosos, lado a lado, em sequência, um mais luxuoso que o anterior e todos abertos 24 horas. A primeira saída já foi um choque. Luzes mas muitas luzes mesmo, mulheres vestidas de dançarinas, vários personagens de filmes e desenhos animados, noivas, cowboys, turistas. Tudo em grande escala e temático. Cada loja, cada restaurante e cada hotel tenta transportá-lo para alguma parte do mundo com um tema próprio e tenta fazer com que você esqueça de qualquer coisa que não seja desfrutar e jogar. De preferência jogar muito. Porque todos os hotéis não cobram estacionamento, são gigantescos e permitem que você entre e passeie a vontade e, se você estiver jogando, até bebe de grátis. Já nessa saída vimos duas noivas, brasileiras, que tinham vindo da Bélgica, onde moravam, para casar em Vegas. Duas noivas, vestidas de branco e que casaram uma com a outra.
Café da manhã comprado voltamos ao hotel para conectar, tomar banho e dormir. Dia seguinte saímos para providenciar o Cirque. Já sabíamos que durante a semana tudo fica mais fácil em Vegas. Tem mais oferta de shows com preços mais acessíveis e os hotéis barateiam mas não queria perder a chance de ver os espetáculos por falta de planejamento. Fomos procurar. Existem inúmeros locais onde você pode comprar os vouchers mais baratos. É só ir andando pela Strip e perguntando. Logo achamos um e percebemos que com o dinheiro que a gente tinha planejado assistir um show conseguiríamos assistir dois. Compramos os vouchers e, de quebra, fomos convencidos a comprar um voucher para nos refestelarmos no buffet all you can eat do hotel Monte Carlo.

E com isso já havíamos andando quase até o final da Strip. Queríamos trocar os vouchers tão logo quanto possível para pegar lugares bons. Isso tinha que ser feito no Treasure Island e no Bellagio, ou seja, no teatro dos hotéis. O Bellagio é um hotel muito famoso. Grandes filmes foram filmados nele como, por exemplo, Ocean’s Eleven – Onze Homens e um Segredo e Ocean’s 13 – Treze Homens e um Novo Segredo. Pensar que George Clooney e Brad Pitt andaram por ali até emociona.

E isso visto, caminhamos mais longe ainda para chegar até o Treasure Island onde estava o outro espetáculo do Cirque. No caminho fomos passando por outros tantos lugares.

E voltamos, já com os ingressos na mão, para o nosso hotel. Mas no caminho fica o famoso buffet do Monte Carlo. Esse buffet é uma coisa grandiosa. Por US$ 11 você pode se sentar, ficar quase o dia todo e se atochar de comida. A oferta vai mudando de café da manhã para almoço e depois jantar e você só comendo. Foi nosso erro. Perdemos o resto do dia lá. Chegamos às 13:30, depois de caminhar a Strip inteirinha, com muita fome e ficamos até o final do dia. Já andei muito pelo mundo e inclusive fiz cruzeiros, mas nunca vi tanta comida junta e de boa qualidade e cuidado. Primeiro você tem bebidas à vontade e depois tem estações de comida: italiana, mexicana, francesa, saladas com sanduiches, omeletes, vegetariana, chinesa, indiana e americana. Ou seja, não importa o que você aprecie, lá tem. E sempre muito. E depois uma estação apenas de sobremesas. Confesso que só fui sentir fome no jantar do dia seguinte. Também tenho que dizer que a comida não é alta gastronomia, mas é boa e farta.

O segundo dia em Vegas era para fazermos uma obrigação burocrática: trocar nossos travellers checks. Sim, um dia nós tivemos que viajar dessa forma. Naquela época não tinha cartão de crédito internacional, travel card, e possibilidade de sacar dinheiro no exterior então você era obrigado a comprar esses cheques de viagem. Nossos cheques tinham mais de dez anos e corríamos o risco de perder por não achar um lugar para trocá-los por dinheiro vivo. Conseguimos, com muita discussão no banco, assinaturas por extenso e com o polegar, mas infelizmente quase perdemos a hora do Mystere – o espetáculo do Cirque. Pulamos até o jantar para não atrasar e ainda por cima erramos o caminho. Como era noite fomos de carro e sem a Gaby. O show foi maravilhoso. Todo mundo fala do O, mas esse é bem melhor.

Chegamos e posamos na entrada. Como, aliás, todo mundo.
Chegamos e posamos na entrada. Como, aliás, todo mundo.

Dormir feliz e realizada para ir conhecer o centro antigo de Vegas no dia seguinte. Lá fica o primeiro casino erguido na cidade, algumas atrações que veríamos com mais detalhe na volta a Las Vegas alguns dias mais tarde. Foi um pouco corrido porque tivemos que pagar estacionamento e era por hora. Almoçamos no McDonald´s que tinha uma promoção de dois hambúrgueres por US$ 4.40. E hoje era o dia do segundo espetáculo do Cirque. Aproveitamos para passear um pouco mais pela Strip, ver outros lugares, nos deliciarmos na Hersheys e assistir o show da fonte do Bellagio.

Frente da Hersheys que é cheia dos produtos em tamanho grande
Frente da Hersheys que é cheia dos produtos em tamanho grande
Hersheys - sonho dos chocólatras
Hersheys – sonho dos chocólatras

Dez horas da noite assistimos o show do Cirque, lindo, não tão bom quanto o do dia anterior, mas esse é muito mais falado. Superavaliado. Fomos dormir cansados para desfrutar o nosso último dia, dessa passagem, em Vegas. Dia seguinte, acordar, tomar nosso café no quarto – aquele café da manhã comprado no supermercado e sair para ir passear em todos os hotéis. Cada hotel é um divertimento. Todos tem a mesma estrutura: cassino, piscina, capela com várias opções de tipos de casamento, buffet, restaurante luxuoso, restaurante simples. E cada um no seu tema. Visitamos o Luxor – tema do Egito e com forma de pirâmide, o Mandalay Bay – tema asiático e o Excalibur – tema das estórias do Rei Arthur e sua espada mágica. Tem um trenzinho grátis que liga esses três hotéis. Entramos em várias capelas, encontramos uma noiva to be, vimos os shows que cada hotel tem. A diversão maior são as capelas e todos os aparatos para noivos, noivas, madrinhas, padrinhos e familiares. Eles têm o pacote completo. É só chegar, escolher quanto quer pagar e pronto.

E tivemos mais um dia almoçando no McDonalds e aí fomos descansar no nosso hotel. Em todos os hotéis você tem acesso até a piscina, mas no seu eles dão as toalhas. E ninguém vigia entradas ou saídas.

Saímos à noite para ver a cidade, ver algumas outras fontes e shows menores e gratuitos e descansamos porque dia seguinte era estrada novamente.
Cinco dias depois voltamos para Vegas e, sem a indicação do Hooters, tivemos que ficar no centro antigo de Vegas, num hotel meia boca e caro onde dormimos duas noites. O centro velho da cidade é sem graça. Tem uma rua principal que se chama Fremont, que é coberta e onde o pessoal faz tirolesa. Tem música alta, várias pessoas fantasiadas ou despidas que posam com você por dinheiro. É onde fica o primeiro cassino da cidade: o Gold Nugget. Esse cassino eu visitei quando tinha 15 anos e fui estudante de intercambio nos EUA. Foi divertido revê-lo. Dentro dos casinos muito cigarro e pouca luz. Fora muito som e muitas meninas vestidas para tirar fotos.

Lá também tem o Heart Attack Grill que é uma lanchonete que promete matar você do coração. As garçonetes são vestidas de enfermeiras. Você fica no soro e se conseguir detonar o sanduíche todo nem paga. Deve ser porque morre antes.

Fomos conhecer o Outlet do norte que é caro e cheinho de brasileiros. De Vegas partimos para o Yosemite Park. Foi só uma parada obrigatória onde aproveitamos para ver mais um pouco.

Perrengue: Chegamos ao centro da cidade e tivemos muita dificuldade para achar um hotel bom e barato. Ficamos no melhor possível dentro do orçamento e foi mais caro que o Hooters. O motel também é usado como moradia para pessoas idosas que ficam na ala mais antiga do motel e que passeiam pelo estacionamento o dia todo. Sujo e feio mas bem localizado. Novamente eu me encontrei com os terríveis percevejos, bed bugs, que dessa vez atacaram todo o meu rosto. Parecia que estava com caxumba e fiquei com o rosto deformado sem possibilidade de sorrir nas fotos. E lá fomos nós gastar mais dinheiro com remédio para aplacar as coceiras.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s